BRASÍLIA – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam, nos bastidores, que a crise no STF piorou durante o Carnaval e que o ambiente interno segue marcado por tensão e desconfiança entre integrantes da Corte. Segundo relatos, o clima se deteriorou após o vazamento e a suspeita de gravação de reuniões envolvendo o ministro Dias Toffoli e o Caso Master.
“Não dá para esquecer o que aconteceu somente porque passou o Carnaval. A reunião foi gravada e foi tudo muito sério. Quebrou-se a confiança interna”, afirmou um integrante do STF.
Crise no STF envolve suspeita de gravação e vazamento
De acordo com ministros ouvidos, o episódio do vazamento e da suspeita de gravação das reuniões aumentou a instabilidade e aprofundou o desgaste interno, mesmo após o fim do Carnaval.
A dúvida agora, segundo integrantes da Corte, é se o presidente do STF, ministro Edson Fachin, deve abrir uma investigação interna para apurar o que ocorreu.
Operação da PF durante o Carnaval elevou tensão no STF
Para aumentar a temperatura dentro do tribunal, uma operação da Polícia Federal foi realizada durante o período carnavalesco, a partir de um inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes.
Nos bastidores, ministros avaliam que o resultado da apuração pode ser explosivo e relevante para esclarecer ataques contra o Supremo.
Apesar disso, colegas de Moraes teriam se incomodado com a decisão de incluir todos os ministros no rol de possíveis alvos de espionagem.
PF investiga quebra de sigilo de ministros e parentes
A Polícia Federal apura se houve quebra ilegal de sigilo de ministros do STF e de familiares. A suspeita é de que os dados tenham sido acessados para venda ou uso político, ou ainda para as duas finalidades ao mesmo tempo.
Ministros avaliam que, dependendo das conclusões, a crise no STF pode se aprofundar e impactar diretamente o ano eleitoral, principalmente se prevalecer a hipótese de uso político das informações.
Ações foram solicitadas pela PGR
O inquérito foi aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, mas as ações mais recentes foram solicitadas pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O nome de Gonet também constava na lista de pessoas que teriam registros analisados para verificar possível violação de dados.
No entanto, segundo a Receita Federal, não foi encontrada quebra de sigilo envolvendo o procurador-geral ou seus parentes.
Mulher de Moraes teria sido alvo de acesso indevido
A Polícia Federal e a Receita Federal identificaram que Viviane Barci Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, foi alvo de invasão em seus registros por um funcionário cedido à Receita Federal, que atua no Rio de Janeiro.
Além desse servidor, outros três funcionários também estão sendo investigados.
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