BRASIL - O fundador e presidente do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos, fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Ambos são pré-candidatos à Presidência da República. Na live, realizada em dezembro, Renan chamou o parlamentar de ladrão e traidor e afirmou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro precisa “ser destruído”. O vídeo ganhou ampla repercussão nas redes sociais nesta semana.
“Flávio Bolsonaro é um ladrão. Nossa função histórica (do MBL) não é só acabar com a roubalheira e com a esquerda. O traíra tem de morrer. O traíra é Flávio Bolsonaro, ele precisa ser destruído. Eu vou acabar com a raça do Flávio Bolsonaro”, afirmou Renan Santos durante a transmissão.
Ataques e repercussão política
Segundo pessoas ligadas ao senador, Flávio Bolsonaro não deve adotar medidas judiciais contra as declarações. A avaliação no entorno do parlamentar é de que Renan Santos estaria atacando aliados do ex-presidente Bolsonaro como estratégia para ganhar visibilidade política e crescer nas pesquisas.
Procurado por meio da assessoria de imprensa, Flávio Bolsonaro não comentou as declarações.
Durante a live, o presidente do MBL afirmou ainda que o senador teria traído a chamada “revolução” iniciada pelo movimento. “Não há Lava Jato. As ruas foram tomadas pelo culto ao bolsonarismo. Tudo foi entregue ao Supremo Tribunal Federal porque o Flávio Bolsonaro é corrupto, ladrão, vendilhão e fraco. O pai dele, outro fraco, para protegê-lo, entregou tudo ao STF”, disse.
Histórico de embates entre MBL e bolsonarismo
O MBL ganhou projeção nacional a partir de 2015, ao liderar manifestações contra o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT) e se tornar um dos principais entusiastas da Operação Lava Jato. Apesar de alinhamento inicial com o bolsonarismo, o movimento rompeu posteriormente com Jair Bolsonaro e passou a fazer oposição ao seu governo.
Em 2019, investigações da Lava Jato apontaram que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, valor considerado incompatível com seu patrimônio declarado. O caso ficou conhecido como o inquérito das “rachadinhas” e foi arquivado em 2022.
Em 2020, Jair Bolsonaro afirmou publicamente que havia “acabado com a Lava Jato”, sob o argumento de que não existia corrupção em seu governo.
Críticas ao STF e à “Lava Toga”
Na transmissão, Renan Santos também afirmou que Flávio Bolsonaro “vive na mão do ministro Gilmar Mendes”, do Supremo Tribunal Federal (STF). “Ele salvou o Flávio várias vezes. Ele é grato”, declarou.
Gilmar Mendes foi o relator da decisão que anulou provas obtidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no inquérito das rachadinhas. À época, o ministro afirmou que os elementos foram colhidos “ao arrepio da necessária autorização e supervisão judicial”.
Procurado, Gilmar Mendes não se manifestou. O espaço segue aberto.
Renan Santos ainda acusou Flávio Bolsonaro de atuar para barrar a chamada “Lava Toga”, tentativa de criação de uma CPI no Senado, em 2019, para investigar ministros de tribunais superiores. Na ocasião, Flávio foi o único senador do então PSL que não assinou o pedido de abertura da comissão.
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