BRASIL - Representantes do Poder Executivo e de diferentes segmentos da comunidade judaica se reuniram nesta quarta-feira (28), no Palácio do Planalto, para discutir estratégias de combate ao antissemitismo, com ênfase no papel da educação como instrumento central na prevenção de crimes de ódio e no fortalecimento da democracia.
O encontro, considerado inédito, reuniu pesquisadores de universidades de cinco estados, rabinos, representantes de instituições como o Museu do Holocausto de Curitiba, além de integrantes de movimentos sociais e membros do governo federal. O debate foi marcado pelo caráter democrático, com espaço de fala assegurado a todos os participantes.
Educação como eixo central do combate ao antissemitismo
Durante a reunião, a educação foi apontada como uma das principais ferramentas para o combate ao antissemitismo. O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou a importância do diálogo e da construção de propostas concretas contra todas as formas de discriminação.
“Vamos trabalhar para avançar ainda mais, prestando justiça à comunidade judaica e promovendo valores essenciais à civilização”, afirmou.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ressaltou que o enfrentamento ao antissemitismo integra o compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a luta contra o preconceito e a discriminação. Segundo ela, políticas educacionais amplas são fundamentais para enfrentar o cenário atual de intolerância.
“Uma proposta educacional pode ser ampla e transformadora”, declarou.
Democracia e enfrentamento aos crimes de ódio
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, alertou para a relação direta entre a preservação da democracia e o enfrentamento às manifestações de ódio, destacando os riscos que a intolerância representa às instituições democráticas.
Já o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, afirmou que a iniciativa ocorre em um momento crítico, marcado pelo crescimento do antissemitismo em várias partes do mundo. Para ele, o encontro é essencial para dar visibilidade ao problema e reforçar a articulação entre Estado e sociedade civil.
Especialistas defendem políticas educacionais estruturadas
A professora da Universidade de São Paulo (USP), escritora e historiadora Lilia Schwarcz, que participou do encontro de forma remota, defendeu que a educação é uma das ferramentas mais eficazes no combate ao antissemitismo. Segundo ela, embora a denúncia e a judicialização sejam importantes, são insuficientes sem políticas educacionais estruturadas.
“A educação é uma força poderosa no sentido de produzir letramento”, afirmou, ao criticar o tratamento pontual do tema nos currículos escolares, geralmente restrito ao estudo do Holocausto no ensino fundamental.
Para Lilia Schwarcz, o enfrentamento ao antissemitismo deve ser entendido como um desafio da democracia brasileira como um todo, e não apenas da comunidade judaica.
Base legal e compromisso internacional
O Brasil mantém compromisso histórico com o repúdio ao antissemitismo e a todas as formas de discriminação étnica, racial e religiosa. Esse posicionamento é garantido pela Constituição Federal de 1988, que assegura a liberdade religiosa, e pela Lei nº 7.716/1989, que criminaliza práticas de discriminação e preconceito.
Além disso, tratados internacionais dos quais o país é signatário reforçam o arcabouço jurídico de combate ao antissemitismo, como:
- Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948)
- Convenção Internacional contra a Discriminação Racial (1965)
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