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Dino dá prazo para estados e municípios explicarem emendas do Perse

Ministro do STF determina que informações sobre beneficiários finais sejam prestadas em até 30 dias, sob pena de medidas coercitivas.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Flávio Dino dá prazo de 30 dias para estados e municípios explicarem uso de emendas do Perse e identificar beneficiários finais.
Flávio Dino dá prazo de 30 dias para estados e municípios explicarem uso de emendas do Perse e identificar beneficiários finais. (Gustavo Moreno / STF)

BRASIL - O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) que estados e municípios apresentem, no prazo de 30 dias, informações detalhadas sobre os beneficiários finais de emendas parlamentares destinadas ao Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).

Segundo o ministro, o não envio das informações dentro do prazo poderá resultar na adoção de medidas coercitivas, além da apuração de responsabilidade de agentes públicos que deixarem de prestar os esclarecimentos exigidos.

Transparência e rastreabilidade das emendas

Relator de ações que tratam das emendas parlamentares no STF, Flávio Dino supervisiona a regularização de repasses que ainda não atendem aos critérios de transparência e rastreabilidade definidos pela Corte.

Entre elas estão as chamadas emendas Pix, que consistem em transferências diretas de recursos da União para estados e municípios por indicação de parlamentares. Em 2022, o Supremo declarou esse modelo inconstitucional sem a devida identificação dos beneficiários e estabeleceu regras mais rígidas para a liberação dos valores.

Falta de informações sobre o Perse

Desde março do ano passado, Dino vem solicitando dados sobre as emendas aplicadas no Perse, mas, segundo o ministro, as apurações têm sido prejudicadas pela omissão de informações por parte de estados e municípios.

“A não apresentação de relatórios já cobrados anteriormente compromete deveres básicos de transparência e rastreabilidade dos recursos oriundos de emendas parlamentares”, escreveu Dino na decisão.

O ministro destacou ainda que, entre os dados já recebidos, há registros de renúncias fiscais que chegam a R$ 34 milhões para uma única empresa, o que torna a falta de esclarecimentos ainda mais grave.

Impacto fiscal

De acordo com Flávio Dino, os valores envolvidos no Perse têm impacto direto sobre o equilíbrio das contas públicas e a capacidade de planejamento do Estado.

“A omissão dos entes envolvidos se revela ainda mais grave diante dos vultosos valores de renúncia fiscal”, afirmou.

Atuação do Ministério do Turismo e da AGU

Em março, o ministro havia determinado ao Ministério do Turismo e à Advocacia-Geral da União (AGU) que reunissem todas as informações necessárias para garantir a transparência das emendas direcionadas ao programa. No entanto, os órgãos informaram ao STF que não conseguiram cumprir a ordem por falta de dados enviados pelos entes subnacionais.

O que é o Perse

O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) foi criado durante a pandemia da covid-19, com o objetivo de socorrer empresas do setor, fortemente afetadas pelas restrições sanitárias.

O programa concedeu isenções fiscais a empresas da área de eventos. Com o fim da emergência sanitária, o governo federal passou a discutir com o Congresso Nacional a descontinuidade do Perse, diante do impacto fiscal da medida.

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