Eleições 2026

Eleições 2026: quais mandatos estão em jogo na disputa pelo Senado

Renovação de dois terços da Casa nas eleições 2026 pode impactar governabilidade, indicações ao STF e a relação entre os Poderes a partir de 2027

Ipolítica, com informações do g1

Atualizada em 25/01/2026 às 10h22
Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerão dois senadores, para mandatos de oito anos, o que deve provocar uma ampla renovação a partir de 2027
Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerão dois senadores, para mandatos de oito anos, o que deve provocar uma ampla renovação a partir de 2027 (Jonas Pereira / Agência Senado)

BRASÍLIA – As Eleições 2026 terão um peso decisivo na composição do Senado Federal. Estarão em disputa 54 das 81 cadeiras, o equivalente a dois terços da Casa. Cada um dos 26 estados e o Distrito Federal elegerão dois senadores, para mandatos de oito anos, o que deve provocar uma ampla renovação a partir de 2027.

Diante desse cenário, governo e oposição tratam a eleição para o Senado como estratégica. Além de influenciar a agenda legislativa, a nova composição terá papel central na relação entre os Poderes e na governabilidade do próximo presidente da República.

Por que o Senado ganhou ainda mais importância

Além de votar projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, o Senado concentra atribuições exclusivas, como:

  • processar e julgar o presidente da República por crimes de responsabilidade;
  • processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF);
  • aprovar indicações para o STF e o STJ;
  • sabatinar e aprovar o procurador-geral da República;
  • aprovar o presidente e diretores do Banco Central;
  • analisar indicações de embaixadores e outras autoridades.

A renovação do Senado também pode impactar diretamente a composição do STF. Está pendente, por exemplo, a indicação de Jorge Messias, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para substituir Luís Roberto Barroso. Além disso, outros três ministros do Supremo devem se aposentar ao longo do próximo mandato presidencial.

Quais partidos têm mais vagas em disputa

O grau de renovação varia entre os partidos, mas atinge praticamente todas as bancadas. Veja como está o cenário:

  • PL (partido de Jair Bolsonaro): 7 de seus 15 senadores estão em fim de mandato;
  • PSD: 11 das 14 cadeiras em disputa;
  • MDB: 9 de 10 senadores encerram o mandato;
  • PT: 6 dos 9 senadores atuais chegam ao fim do mandato.

Algumas legendas disputarão a eleição com toda a bancada em fim de mandato, o que eleva o risco de perda de representação:

  • Podemos: 4 senadores;
  • PSDB: 3 senadores;
  • Novo: 1 senador.

Os parlamentares que encerram o mandato poderão disputar a reeleição.

Senadores com mandato até 2030

Entre os partidos que já têm cadeiras garantidas até 2030, o PL aparece na frente, com oito senadores, resultado do desempenho da legenda nas eleições de 2022.

Outros partidos mantêm bancadas parciais até o fim da década:

  • Republicanos: 4 senadores;
  • União Brasil: 4 senadores;
  • PT: 3 senadores;
  • PP: 3 senadores;
  • PSD: 3 senadores.

Disputa política e pressão sobre o STF

Com tantas vagas em jogo, a eleição de 2026 deve intensificar a disputa política em torno do Senado. Nesta semana, a petista Gleisi Hoffmann anunciou que deixará o ministério para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. Outros ministros também são cotados para fazer o mesmo, como Marina Silva, Simone Tebet e Rui Costa.

Na oposição, Carlos Bolsonaro transferiu o título eleitoral para Santa Catarina para disputar o Senado. Já Michelle Bolsonaro é apontada como possível candidata no Distrito Federal.

O Senado também tem sido palco recorrente de discussões sobre pedidos de impeachment de ministros do STF. Levantamento publicado em dezembro mostrou que 81 pedidos aguardam análise do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O ministro Alexandre de Moraes é citado em 43 desses requerimentos, enquanto Gilmar Mendes aparece em 10.

O cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais, avalia que o Senado tem sido uma Casa de “mais difícil manejo” para aliados de Jair Bolsonaro. Segundo ele, a estratégia da oposição é ampliar a bancada para criar um ambiente com um “clima hostil” para o Judiciário.

Para Eduardo Grin, da Fundação Getúlio Vargas, a disputa envolve riscos à governabilidade. Ele avalia que o Senado atuou como uma Casa moderadora no terceiro mandato de Lula, freando pautas aprovadas pela Câmara dos Deputados.

“Sendo o Senado também dominado pela oposição, faria um jogo político muito pesado em relação ao governo Lula e ao STF”, afirmou.

Na avaliação do pesquisador, a eleição de 2026 não definirá apenas quem ocupará o Palácio do Planalto, mas também como ficará o equilíbrio de poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário nos próximos anos.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.