Conselho da Paz de Trump

Brasil deve questionar brechas jurídicas do Conselho da Paz de Trump antes de responder convite

Governo vê iniciativa dos EUA como oportunidade para reforçar debate sobre reforma do Conselho de Segurança da ONU

Ipolítica, com informações do g1

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Ricardo Stuckert/PR / Fotos Públicas)

BRASIL – O governo brasileiro avalia com cautela o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o Conselho da Paz de Trump e não pretende dar uma resposta imediata. Em vez de recusar formalmente a proposta, a estratégia do Palácio do Planalto é questionar as brechas jurídicas e os fundamentos técnicos do novo órgão, utilizando o debate como argumento para defender uma reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo fontes da diplomacia brasileira, o movimento de países como Espanha e Alemanha, que já recusaram participar do Conselho da Paz de Trump, abre espaço para uma discussão mais ampla sobre a paralisia da ONU diante do atual cenário geopolítico, especialmente em conflitos como o da Faixa de Gaza.

Estratégia brasileira evita resposta direta

O Brasil não tem pressa para responder ao convite feito por Trump. A expectativa é que o governo envie pedidos formais de esclarecimento técnico sobre o estatuto do Conselho da Paz de Trump, em vez de uma negativa direta.

A avaliação interna é de que o debate sobre o novo conselho pode fortalecer a posição histórica do Brasil em defesa de uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU, tema que deve ganhar destaque durante a Assembleia Geral da organização, prevista para setembro.

Diplomatas afirmam que o governo Lula pretende usar o surgimento do Conselho da Paz de Trump como exemplo do esgotamento do atual sistema multilateral.

Críticas ao modelo proposto por Trump

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontam uma série de problemas no formato do Conselho da Paz de Trump, que, na avaliação do Itamaraty, inviabilizam uma adesão automática do Brasil.

Entre os principais pontos de crítica estão:

  • Presidência fixa: Diferentemente do sistema de rodízio da ONU, o comando do conselho seria exclusivo dos Estados Unidos;
  • Governança por aporte financeiro: O estatuto exige o pagamento de US$ 1 bilhão para garantir assento permanente;
  • Modelo unilateral: Trump já indicou que o texto não admite emendas, prevendo apenas a adesão a um contrato pronto;
  • Ausência de diálogo: A Autoridade Palestina não foi consultada sobre a criação do órgão.

Diplomatas classificam o formato como uma “paz mercantil”, em que o peso das decisões estaria condicionado à capacidade financeira dos países membros.

Debate pode reforçar defesa da reforma da ONU

Para o governo brasileiro, o simples avanço do Conselho da Paz de Trump já é visto como um sinal da falência institucional do atual modelo da ONU. A leitura é de que o novo órgão só ganha tração porque o Conselho de Segurança não tem conseguido responder a crises internacionais.

“Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, avaliou uma fonte ligada à diplomacia brasileira.

A estratégia do Brasil será buscar apoio de outros líderes para defender uma reforma que democratize o sistema decisório da ONU, alertando que, sem mudanças, o mundo poderá passar a ser governado por iniciativas unilaterais semelhantes à proposta por Washington.

Participação condicionada a renegociação

A avaliação final do Itamaraty é de que o Brasil não aceitará integrar o Conselho da Paz de Trump caso o país tenha apenas um papel figurativo. A participação só seria considerada se as bases do órgão fossem renegociadas do zero, com atuação ativa do Brasil na formulação das regras.

O governo também observa que o tema pode ser estrategicamente levado para o segundo semestre, ganhando força como um dos principais assuntos da Assembleia Geral da ONU, em setembro.

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