BRASIL - A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) reagiu nesta sexta-feira (16) à transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para o Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, em Brasília, conhecido como Papudinha. A manifestação ocorreu após ela procurar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em busca de apoio para a concessão de prisão domiciliar ao marido.
Segundo apuração do jornal O Globo, Michelle esteve com o ministro Gilmar Mendes em uma audiência descrita como tentativa de sensibilização do Judiciário diante do quadro de saúde do ex-presidente.
Em publicação nas redes sociais, Michelle voltou a negar a existência de tentativa de golpe e contestou a condenação de Bolsonaro. “Meu marido não cometeu crime algum. Não houve nenhum golpe. Nunca deveria ter sido condenado. Está tudo errado desde o início!”, escreveu.
Apelo pessoal e familiar
A ex-primeira-dama associou o episódio a uma dimensão pessoal e familiar, afirmando carregar a dor do marido, da filha e de pessoas próximas.
“Sou esposa. Sou mãe. Sou mulher. Carrego a dor da minha filha, a dor do meu marido e a dor de todos que o amam”, declarou. Segundo ela, é preciso conter o sofrimento para continuar “de pé”, “resistir” e ser “uma coluna” e “uma intercessora” para ajudar Bolsonaro a suportar o que classificou como “sofrimentos”.
Michelle também reforçou que o estado de saúde do ex-presidente justificaria a prisão domiciliar, citando riscos de queda e a necessidade de cuidados constantes. “O estado de saúde do meu marido demanda que ele esteja em casa, sendo cuidado por nós, pela família”, afirmou.
Mobilização continua
Apesar de reconhecer que a transferência para a Papudinha pode representar condições menos prejudiciais à saúde de Bolsonaro em comparação à custódia na Polícia Federal, Michelle afirmou que a família seguirá mobilizada.
“Ainda que hoje as instalações do complexo sejam menos prejudiciais à sua saúde e lhe tragam mais dignidade, continuaremos lutando para levá-lo para casa”, escreveu.
Ela também fez um apelo a aliados e apoiadores para evitar julgamentos antecipados sobre sua postura política. “Peço que não me levem ao tribunal do julgamento pessoal, que não se apressem em me julgar ou a criar rótulos de conotação política”, afirmou.
Avaliação nos bastidores
Nos bastidores, aliados avaliam que a transferência para a Papudinha pode ser vista como um primeiro passo para uma eventual concessão de prisão domiciliar, por oferecer estrutura diferente da instalada na Superintendência da Polícia Federal.
Mesmo sem o desfecho desejado, bolsonaristas passaram a atribuir a mudança à atuação de Michelle e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que teria telefonado para ao menos quatro ministros do STF nos últimos dias para tratar do caso.
A publicação de Michelle foi acompanhada por uma mensagem de tom religioso, com a citação bíblica: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”, reforçando sua conexão com o eleitorado evangélico.
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