Presidência

Forças Armadas confirmam Delcy Rodríguez no comando interino da Venezuela

Reconhecimento ocorre em meio à crise após captura do presidente Nicolás Maduro.

Imirante.com

Governo venezuelano classifica ação norte-americana como ameaça global.
Governo venezuelano classifica ação norte-americana como ameaça global. (Foto: LeonardoFernandez Veloria)

VENEZUELA - As Forças Armadas da Venezuela reconheceram, neste domingo (4), a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A decisão ocorre após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos.

Em pronunciamento em vídeo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, confirmou o reconhecimento de Delcy Rodríguez e condenou a ação norte-americana, classificando o episódio como uma ameaça global.

Reconhecimento militar e críticas aos Estados Unidos

Durante o discurso, Padrino López repudiou a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela e exigiu a libertação de Nicolás Maduro. Segundo ele, a ação representa um risco não apenas ao país, mas à estabilidade internacional.

“Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”, afirmou o ministro.

O chefe da Defesa venezuelana também criticou o que chamou de postura colonialista dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, mencionando a doutrina Monroe como justificativa histórica para intervenções na região.

Delcy Rodríguez assume presidência interina

Antes mesmo do pronunciamento das Forças Armadas, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela havia decidido que Delcy Rodríguez deveria assumir interinamente a presidência do país, após a captura de Nicolás Maduro.

Segundo o governo venezuelano, a medida busca garantir a continuidade administrativa e institucional do país em meio à crise política e militar.

Ataque militar e captura de Maduro

No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros de Caracas durante uma ofensiva militar realizada pelos Estados Unidos. Em meio à ação, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

O episódio marca um novo capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão militar norte-americana na região havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusação de narcotráfico.

Acusações e repercussão internacional

Assim como no caso de Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel de drogas conhecido como “De Los Soles”, embora especialistas em tráfico internacional questionem a existência da organização e apontem a ausência de provas concretas.

Durante o governo Donald Trump, os Estados Unidos chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

Para analistas críticos à ação, a ofensiva tem motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de aliados estratégicos como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, país que detém as maiores reservas comprovadas de óleo do mundo.

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