Promessa de campanha

Lula volta a defender isentar IR para quem ganha até R$ 5 mil

Em meio a crise sobre tributo, presidente reafirma compromisso de campanha.

Ipolítica, com Valor Econômico

Lula refez promessa de campanha
Lula refez promessa de campanha (Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

BRASÍLIA - Em meio a forte pressão da oposição após a informação de que a tabela do Imposto de Renda não será corrigida neste ano - o que fará com que quem ganha até R$ 1,9 mil tenha que entregar declaração de renda -, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar que pretende isentar do tributo quem ganha até R$ 5 mil.

Durante cerimônia de assinatura de um despacho que determina que ministérios da Esplanada elaborem em até 90 dias proposta para instituir política de valorização de salário mínimo, Lula declarou que seu governo vai "mudar a lógica" do Imposto de Renda no Brasil mesmo que seja necessária uma "briga" com empresários. 

Para isso, o presidente defendeu a tributação de dividendos no país, sugerindo concordar com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para quem é necessária uma reforma tributária para garantir o pagamento de salário mínimo acima da inflação.

"Uma mudança que quero fazer é no Imposto de Renda. Neste país, quem paga IR de verdade é quem tem holerite porque isso é descontado e não tem como não pagar. O pobre que ganha R$ 3 mil paga mais do que aquele que ganha R$ 100 mil. Quem ganha muito [dinheiro] paga pouco [imposto] porque recebe como dividendo", disse.

"Meus companheiros sabem que tenho uma briga com economistas do PT porque eles dizem que, se fizer isso [isentar trabalhadores que ganham até R$ 5 mil], cai 60% de arrecadação. Então vamos mudar a lógica, diminuir para o pobre e aumentar para o rico. É necessária uma briga? É necessário. Vocês têm que saber que não temos como fazer isso sem mobilização. Eu vou brigar pra fazer isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Não posso fazer no grito, mas nós vamos construir, vamos começar uma reforma tributária", complementou.

Apesar da renovação da intenção do presidente, as negociações continuam travadas com o Ministério da Fazenda, que está sob responsabilidade de Fernando Haddad. O Orçamento aprovado pelo Congresso no ano passado prevê um mínimo de R$ 1.320 neste ano, mas as centrais sindicais pedem um valor de R$ 1.342, o que é incompatível com o equilíbrio das contas públicas.
 


 

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