Investigação

Senadores de oposição protocolam pedido de abertura da CPI do MEC

Protocolo do requerimento foi feito pelo senador Randolfe Rodrigues e para a comissão ser instalada precisa ser lida em plenário pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Ipolítica com informações do G1

- Atualizada em 28/06/2022 às 13h14
Senadores da oposição protocolaram pedido de criação da CPI do MEC nesta terça-feira, 28
Senadores da oposição protocolaram pedido de criação da CPI do MEC nesta terça-feira, 28 (Reprodução/redes sociais)

BRASIL - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou nesta terça-feira, 28, o requerimento de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as denúncias de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Educação (MEC). Para que a comissão inicie os trabalhos, é necessário que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco(PSD-MG), faça a leitura do documento em plenário.

A criação da comissão ganhou força depois que, na última semana, o ex-ministro da educação Milton Ribeiro foi preso em uma operação da Polícia Federal (PF), que investiga possíveis irregularidades na liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão vinculado ao MEC. O ex-ministro foi solto no dia seguinte, mas as investigações continuam

"No dia de hoje a oposição protocola o requerimento para instalação da CPI para averiguar o conjunto de irregularidades que se tem notícia desde março no âmbito do MEC. Esse requerimento, que já contou com 29 assinaturas e a partir de uma ação coordenada do governo ainda no mês de abril tivemos a retirada de algumas dessas assinaturas e que se encontrava sobrestada, a partir dos últimos acontecimentos, em decorrência do senhor ex-ministro Milton Ribeiro conseguimos finalmente as assinaturas que restavam", afirmou Randolfe. 

Para senadores oposicionistas, a criação da CPI será uma forma de investigar o caso de maneira independente de órgãos ligados ao governo.

Requerimento 

O regimento do Senado prevê que o requerimento de abertura da Comissão precisa ser assinado por, no mínimo, 27 senadores, ou seja, um terço dos 81 que compõem a Casa. Além disso, o documento deve indicar o fato a ser apurado, o número de integrantes, o prazo de duração e o limite de despesas para a realização das atividades.

O protocolo do requerimento do pedido de abertura da CPI do MEC foi feito cinco dias após Randolfe anunciar que obteve as assinaturas necessárias para a criação da Comissão. Ao todo, 30 senadores deram aval à CPI entre eles a senadora maranhense Eliziane Gama (Cidadania) (Veja lista completa abaixo).

Para a comissão de inquérito ser considerada oficialmente criada, é necessário que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), leia o requerimento em plenário, ato que representa uma etapa do rito legislativo para que o pedido possa ser publicado no "Diário Oficial do Senado".

Passos

Em 2021, o requerimento de criação da CPI da Covid demorou mais de dois meses para ser lido por Pacheco. Foi necessária uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o colegiado avançasse.

Em declaração recente, Pacheco afirmou que as prisões de Milton Ribeiro e dos pastores são um "fato relevante" para a criação da CPI, mas não determinam a instalação da comissão.

Técnicos do Senado ressaltam ter dúvidas se a CPI funcionaria ainda antes do recesso parlamentar, que tem início em 18 de julho. 

Isso porque depois da criação (que depende do ato de Pacheco), cabe às lideranças partidárias indicarem os membros – o que também não tem prazo para acontecer.

Parlamentares de oposição, por outro lado, tentam fazer com que a comissão tenha início ainda antes das férias legislativas. É esperado que, no retorno, o Congresso tenha movimentação menor.

Composição

De acordo com o requerimento apresentado por Randolfe, a CPI deverá ter 11 integrantes titulares e mesmo número de suplentes, 90 dias de prazo e limite de despesas de R$ 90 mil.

A criação de CPIs em ano eleitoral é vista com resistência por congressistas. Isso porque exige a presença de parlamentares, que costumam dedicar maior tempo fora do Congresso para fazer campanha. Além disso, alguns congressistas sustentam que esse tipo de comissão, que costuma ter ampla cobertura da mídia, pode ser utilizado como palanque político.

Mais

Escândalo

No pedido de criação da CPI, Randolfe cita reportagens que revelaram que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro teria priorizado amigos dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedido de Jair Bolsonaro (PL), na destinação de verbas do MEC para construção de escolas e creches em vários municípios brasileiros.

Veja quem assinou a CPI do MEC:

  • Randolfe Rodrigues (Rede-AP) — autor;
  • Paulo Paim (PT-RS);
  • Humberto Costa (PT-PE);
  • Fabiano Contarato (PT-ES);
  • Jorge Kajuru (Pode-GO);
  • Zenaide Maia (Pros-RN);
  • Paulo Rocha (PT-PA);
  • Omar Aziz (PSD-AM);
  • Rogério Carvalho (PT-SE);
  • Reguffe (União Brasil-DF);
  • Leila Barros (PDT-DF);
  • Jean Paul Prates (PT-RN);
  • Jaques Wagner (PT-BA);
  • Eliziane Gama (Cidadania-MA);
  • Mara Gabrilli (PSDB-SP);
  • Nilda Gondim (MDB-PB);
  • Veneziano Vital do Rego (MDB-PB);
  • José Serra (PSDB-SP);
  • Eduardo Braga (MDB-AM);
  • Tasso Jereissati (PSDB-CE);
  • Cid Gomes (PDT-CE);
  • Alessandro Vieira (PSDB-SE);
  • Dario Berger (PSDB-SC);
  • Simone Tebet (MDB-MS);
  • Soraya Thronicke (União Brasil-MS);
  • Rafael Tenório (MDB-AL);
  • Izalci Lucas (PSDB-DF);
  • Giordano (MDB-SP);
  • Marcelo Castro (MDB-PI);
  • Confúcio Moura (MDB-RO).

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