CPI da Covid

Divergência racha G7 às vésperas da votação do relatório

Eduardo Braga cogita apresentar um texto alternativo ao de Renan Calheiros, caso ele não inclua o indiciamento do governador Wilson Lima.

O Globo

- Atualizada em 26/03/2022 às 19h19
Impasse envolve dois parlamentares amazonenses na comissão
Impasse envolve dois parlamentares amazonenses na comissão (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Senadores do grupo majoritário da CPI da Covid, o chamado "G7", podem chegar sem consenso à votação do relatório final de Renan Calheiros (MDB-AL), prevista para ser apreciado pela comissão nesta terça-feira. O impasse envolve dois parlamentares amazonenses de diferentes grupos políticos, o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD), e Eduardo Braga (MDB). Eles divergem sobre como o documento deve abordar a crise de oxigênio em Manaus, um dos capítulos mais dramáticos da pandemia no Brasil.

De um lado, Braga apresentou no final da semana passada uma proposta de acréscimo ao texto de Renan na qual pede que o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), seu adversário político, seja incluído na lista de possíveis indiciados. Ele também cogita apresentar um voto paralelo, caso o relator não acate a sua sugestão. O texto já está em fase de elaboração pelo gabinete do parlamentar.

— É estranho, porque parece que o Renan pretende acatar todo o meu adendo, só não a parte do indiciamento porque o Omar (Aziz) não quer. Mas eu vou lutar até o fim. Eu posso ser derrotado, não tem problema, mas vou lutar. Agora, se eu perder no adendo, eu vou apresentar um voto em separado ao relatório.

Para o emedebista, é "vergonhoso" a CPI concluir os trabalhos sem o indiciamento de Lima. Braga também considera que a comissão não cumpriu o seu papel ao investigar a crise no Amazonas, razão que originou a criação do colegiado.

— Eu defendo que ele (Wilson Lima) seja indiciado pelos crimes que ele cometeu contra a saúde pública, a questão sanitária no estado do Amazonas. Ele e o secretário de saúde. Eles cometeram crimes e precisam pagar por isso — disse Braga — Vai ficar difícil para as pessoas entenderem o resultado sem eles. É vergonhoso. A crise no Amazonas foi o fato determinante que originou a CPI.

Omar Aziz resiste à ideia, alegando que o governador já é réu no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas o emedebista rebate, dizendo que o governador foi denunciado no caso que envolve processo de compra de respiradores, não pela falta de oxigênio no estado durante o auge de pandemia.

— Não dá para tratar essa questão com dois pesos e duas medidas. Como eu posso denunciar alguns, inclusive por crimes de "fake news", e não outros que cometeram crimes diretamente ligados à pandemia, com falta de oxigênio e EPI (Euipamento de Proteção Individual)? Não faz sentido — declarou Braga.

De acordo com parlamentares envolvidos nas discussões, Aziz estaria disposto a ceder, desde que Renan também incluísse o deputado estadual Fausto Júnior (PRTB), que presidiu a comissão parlamentar na assembleia no estado sobre a crise sanitária.

Uma nova discussão sobre o tema deve ocorrer na noite desta segunda-feira, em uma tentativa de tentar pacificar a questão, na casa de Aziz. Senadores avaliam, no entanto, que é difícil contemplar os dois lados e alguém sairá insatisfeito.

Braga já avisou que sua posição é firme e só vai comparecer se tiver alguma abertura de Renan no sentido de acolher a sua recomendação.

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