Doença não identificada mata índios no Tocantins

Jornal Hoje

Atualizada em 27/03/2022 às 14h27

SÃO PAULO - Uma doença ainda não identificada está matando crianças numa reserva indígena. Desde novembro, já foram quase 20 mortes. Os índios temem a repetição de uma história antiga.

Pelo menos três aldeias Apinajés desapareceram no início do século passado por causa de uma doença trazida pelo homem branco: a coqueluche. Na época não tinha vacina, nem qualquer outro remédio. “Acabaram aldeias inteiras”, disse Antonio Apinajé, lavrador.

Setenta anos depois, outra tragédia ameaça a nova geração. Em quatro meses, uma doença misteriosa matou 17 crianças na reserva Apinajé, que fica no município de Tocantinópolis, a 600 quilômetros de Palmas.

Em 14 aldeias Apinajés vivem 1.500 índios. Das oito crianças da tribo que morreram este ano, seis eram da aldeia São José. Os índios ainda tentaram controlar a doença com plantas medicinais. Pouco adiantou. Recorreram ao único postinho que atende a aldeia, mas não tinha remédio que combatesse os sintomas: diarréia, vômito e febre. Desnutridas, as crianças não resistiram.

Depois das mortes, a farmácia do posto voltou a receber medicamentos, mas o atendimento médico ainda é irregular. “Cada vez mais tem gente adoecendo. Estou ficando preocupado com isso”, disse Daniel Apinajé, do conselho de saúde.

Grávida de sete meses, Leonor perdeu um filho, dois netos e quatro sobrinhos. Em meio a tanta tristeza, só há um motivo de alegria. O filho caçula de Leonor resistiu à doença.

Na reserva não tem água tratada, nem saneamento básico. Os índios reclamam que o governo federal mandou dinheiro para construir 80 banheiros, que nunca foram feitos. A comunidade culpa a Funasa pelos problemas. “Nós temos aqui a presença da força-tarefa, que veio para fazer os exames necessários, mas até agora não foram divulgados laudos com os resultados”, disse Kariny Teixeira, do Conselho Indigenista Missionário.

“Não está faltando absolutamente nada na etnia Apinajés, sobretudo na aldeia São José. A gente tomou todas as providências necessárias para que a gente pudesse pôr fim a um surto”, disse Carlos Patrocínio, gerente da Funasa do Tocantins.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.