José Sarney diz que seu governo evitou retrocessos

Agência Senado

Atualizada em 27/03/2022 às 14h49

BRASÍLIA - "Achei que a democracia poderia morrer em minhas mãos. Não morreu; ao contrário, floresceu". Assim, o senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) encerrou, ontem (15), seu discurso na sessão especial de celebração dos 20 anos de redemocratização do Brasil.

José Sarney foi o presidente que tomou posse em lugar de Tancredo Neves, de quem seria o vice, no dia 15 de março de 1985 - o primeiro presidente civil em 21 anos, coroando o processo de negociação que levou à redemocratização do país.

Sarney lembrou que às 3 horas da madrugada do dia 15 de março foi avisado de que tomaria posse como presidente, em conseqüência da enfermidade do presidente eleito. A comunicação foi feita pelo general Leônidas Pires Gonçalves, o ministro do Exército escolhido por Tancredo Neves para compor seu ministério.

"Tancredo me transmitiu duas regras básicas na relação com as Forças Armadas, que foram seguidas à risca, e garantiram a volta aos quartéis e a profissionalização dos nossos militares, de acordo com a Constituição: 1) a abertura democrática seria COM as Forças Armadas, e não CONTRA elas. Não haveria qualquer revanchismo; 2) Não haveria mais as Ordens do Dia, em que os militares tomavam posição sobre todos os assuntos", disse.

O senador e ex-presidente disse que deu aos militares a garantia de que ele, como comandante supremo, seria o melhor porta-voz das Forças Armadas, de que não haveria melhor intérprete de suas angústias e preocupações. "E não houve sequer um problema, uma insubordinação, um crise com os militares", disse Sarney.

O ex-presidente iniciou seu discurso dizendo que há épocas em que a História "se contorce", e em que mudanças de rumo podem levar a retrocessos graves. "O período em que governei foi assim. Não eram tempos tranqüilos", disse Sarney.

O senador fez um histórico das crises em que a ruptura e a violência foram evitados, desde o Fico de D. Pedro I, a Independência, a abdicação, a crise da Maioridade, o fim da escravatura, a proclamação da República. "O Brasil tem a tradição da conciliação, nosso país se inaugurou dessa forma, e não de forma violenta, como os países da América espanhola", disse.

Sarney acrescentou que, empossado como presidente, precisou legitimar-se, e por isso abriu totalmente o país para todas as corrente políticas, todos os sindicatos.

Precisou ainda de legitimidade internacional, e por isso criou o Mercosul, com o presidente argentino Raúl Alfonsín. Precisando de legitimidade econômica, adotou o Plano Cruzado, que levou o Brasil a um período de crescimento econômico, que até agora não se repetiu.

O ex-presidente homenageou o presidente Tancredo Neves e seus companheiros do antigo PDS, Antônio Carlos Magalhães, Marco Maciel, Aureliano Chaves, Jorge Bornhausen. Sarney homenageou também os ministros de seu governo presentes na sessão e os que já morreram.

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