Lula promete a José Sarney investimentos na Norte-Sul

O Estado do Maranhão

Atualizada em 27/03/2022 às 14h53

BRASÍLIA - O presidente Luís Inácio Lula da Silva prometeu ontem ao presidente do Senado, José Sarney, durante encontro com as lideranças do PMDB, que a Ferrovia Norte-Sul será concluída durante o seu governo. O presidente garantiu que os investimentos serão feitos já a partir de março deste ano, através do programa de Parceira Público Privada (PPP). Segundo Lula a ferrovia, iniciada no governo Sarney, será prioridade no programa.

Durante o encontro, Lula reconheceu a importância da ferrovia e admitiu um erro de avaliação quando criticou a obra no governo Sarney. Este anúncio foi feito durante reunião com dirigentes do PMDB, quando o presidente avisou que só pretende deflagrar a reforma ministerial depois da eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, no dia 14. Lula acredita que antecipar a definição dos novos ministros pode atrapalhar a eleição do petista Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) para a presidência da Câmara e do peemedebista Renan Calheiros (AL) para o comando do Senado.

Segundo Calheiros, Lula deixou claro que pretende prestigiar o PMDB, entregando ao partido um ministério com maior capilaridade de investimento, como a pasta de Cidades, hoje com o petista Olívio Dutra, ou Integração Nacional, ocupada por Ciro Gomes, do PPS. Nesse caso, o partido manteria os Ministérios das Comunicações e da Previdência Social, e a terceira pasta iria para a senadora maranhense Roseana Sarney, que deixaria o PFL para entrar no PMDB. O partido deseja ainda ocupar o comando de pelo menos uma estatal, tendo preferência pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

“A conversa não foi conclusiva, mas tive a impressão que o presidente Lula já tem na cabeça a reforma ministerial que quer fazer”, afirmou Calheiros, depois do encontro com o presidente. Além de trabalhar nos bastidores para ter a presidência da Infraero na reforma ministerial, o PMDB movimenta-se até para ganhar cargos que nem sequer foram criados, como uma nova diretoria da Petrobras no segmento de gás.

Sonho

Um interlocutor de Lula explica que o PMDB passou a sonhar com o controle da distribuição de gás líquido no país desde que foi informado de que o governo quer intensificar o uso deste combustível, assim que entrar em operação, na Bacia de Santos, a maior reserva de gás descoberta em território nacional.

Mas o interesse do partido pelo cargo é pragmático: a cúpula peemedebista já sabe que a nova diretoria vai administrar um orçamento mais gordo do que o da maioria dos ministérios, movimentando recursos na faixa do bilhão de reais.

Na verdade, o partido já fincou pé na Petrobrás desde a reforma ministerial realizada há um ano, quando o ex-senador Sérgio Machado ganhou a presidência da Transpetro. Agora, Calheiros pode apadrinhar o novo diretor da Petrobras.

Segundo um peemedebista que acompanha cada lance das negociações entre o partido e o Planalto, o nome mais cotado nos bastidores para ocupar o cargo é Henrique Melo, que já dirigiu as companhias de eletricidade do Espírito Santo e de Alagoas e, atualmente, trabalha com Machado na Transpetro.

Reunião

A iniciativa da reunião com o PMDB foi de Lula, que na semana passada propôs ao presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), e a Calheiros que se encontrassem para falar de reforma ministerial. Além de Sarney e Calheiros, também participou do encontro o líder na Câmara, José Borba (PR).

O deputado, porém, só foi convidado à última hora. A reunião já havia sido confirmada aos dois senadores desde a véspera, pelo próprio Planalto, mas o convite não incluíra Borba.

Assim que soube da exclusão ainda na noite de quarta-feira, o deputado tratou de avisar aos convidados do Senado que a bancada da Câmara não acataria nenhum eventual acerto com o Planalto, se não tivesse um representante seu na conversa de hoje.

Como o aviso incluía não só a reforma ministerial como os interesses do governo na eleição do candidato oficial do PT à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), Sarney movimentou-se para contornar o incidente. Acionou o ministro da Casa Civil, José Dirceu, que, diante do mal-estar político, telefonou cedo para Borba, estendendo-lhe o convite oficial.

Depois de ter sido praticamente descartado do Ministério da Previdência por setores do governo e do PMDB, o ministro Amir Lando (PMDB-RO) poderá permanecer no cargo.

Segundo um dirigente nacional do partido, na audiência que teve esta semana com o presidente, Lando pediu-lhe autorização para viajar em fevereiro ao exterior, para negociar parcerias com o Bird (Banco Mundial) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). E, de acordo com o relato do próprio ministro ao correligionário, Lula não só teria autorizado a viagem como dado um conselho a seu ministro: “Amir, pare de ler jornal, e vamos trabalhar.”

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