Vasp cancela 13 vôos em Brasília e começa a demitir funcionários

O Globo

Atualizada em 27/03/2022 às 14h58

BRASÍLIA - A Vasp cancelou nesta segunda-feira 13 vôos em Brasília e já começou a demitir funcionários. Segundo a presidente do Sindicato dos Aeroviários (trabalhadores que operam em terra), Selma Balbino, a companhia demitiu 122 trabalhadores de Pernambuco no fim de semana e hoje outros 20 em São Paulo. Ela afirmou que os rumores são de que a Vasp pretende dispensar 30% do quadro de 4,8 mil empregados e que os cortes começaram pelo setor de reservas de passagens.

Selma afirmou também que, diante de boatos de que a Vasp vai atrasar o pagamento dos funcionários relativo ao mês de setembro, previsto para a próxima quinta-feira, os sindicatos da categoria farão na quarta-feira assembléias em todo o país para decidir o que fazer.

- A situação está ficando cada vez pior - reconheceu a sindicalista, lembrando que na semana passada os trabalhadores de bordo (pilotos e comissários) pararam a empresa devido a atraso no pagamento.

Segundo ela, alguns funcionários da Vasp estariam também recebendo cartas da empresa com a proposta de licença sem remuneração por seis meses. Mas a orientação da entidade é que os trabalhadores não aceitem uma solução como essa para evitar prejuízos no futuro.

A Infraero também decidiu cobrar da empresa uma dívida de R$ 11 milhões em tarifas de pouso e decolagem e ameaçou, na última sexta-feira, suspender a permissão para que a Vasp utilize os aeroportos se não fizer o pagamento antecipado. Segundo a estatal, a empresa pediu mais alguns dias para resolver o problema. Além dessa dívida, a Vasp deve à Infraero cerca de R$ 750 milhões, que estão sendo cobrados na Justiça.

Apesar da decisão da Infraero em colocar o dono da Vasp, Wagner Canhedo, contra a parede, existe uma determinação do governo para que a estatal não sufoque a empresa e venha ser responsabilizada pela sua paralisação. Além disso, a Infraero não quer usar dois pesos e duas medidas, uma vez que a Varig também deve cerca de R$ 100 milhões atrasados em tarifas de pouso e decolagem e não está pagando nem um centavo.

Segundo uma fonte do governo, a orientação é não adotar nenhuma medida drástica até que fique pronto o pacote do governo para ajudar o setor aéreo. A intenção é que as medidas sejam anunciadas ainda este mês. Entre elas, estão a reivindicação das companhias de reconhecimento das perdas pelos planos econômicos e a permissão para que elas possam incluir em seus ativos as benfeitorias feitas nas áreas da Infraero nos aeroportos.

A assessoria de imprensa da Vasp confirmou que a empresa está fazendo ajustes no quadro de pessoal, mas não quis informar o número de demissões.

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