JUSTIÇA ELEITORAL

TRE-MA mantém cassação de prefeito e vice de Bela Vista do Maranhão

Tribunal confirmou a cassação por abuso de poder político, econômico e conduta vedada, além de determinar novas eleições no município.

Ipolítica

Atualizada em 17/07/2026 às 15h26
TRE-MA mantém cassação do prefeito e do vice de Bela Vista do Maranhão e determina realização de novas eleições no município.
TRE-MA mantém cassação do prefeito e do vice de Bela Vista do Maranhão e determina realização de novas eleições no município. (Reprodução)

BELA VISTA DO MARANHÃO – O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) manteve, por unanimidade, nessa quinta-feira (16), a cassação do prefeito e do vice-prefeito de Bela Vista do Maranhão. A Corte acompanhou o voto do relator, desembargador Sebastião Bonfim, e reconheceu a prática de abuso de poder político, abuso de poder econômico e conduta vedada durante as eleições municipais de 2024.

Com a decisão, o TRE-MA determinou a realização de novas eleições para a Prefeitura de Bela Vista do Maranhão. A execução da sentença ocorrerá após a publicação do acórdão e a análise de eventuais embargos de declaração.

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Contratação de cerca de 400 vigias motivou a condenação

O principal fundamento da decisão foi o aumento considerado artificial da folha de pagamento da prefeitura por meio de uma empresa terceirizada durante o ano eleitoral.

Segundo o processo, os repasses à empresa passaram de aproximadamente R$ 6,4 milhões para mais de R$ 15 milhões em 2024. Após o período eleitoral, os valores caíram para cerca de R$ 600 mil.

Entre os fatos apontados pelo tribunal, destacou-se a contratação de aproximadamente 400 vigilantes para atuar na rede municipal de ensino.

De acordo com os autos:

  • foram contratados cerca de 400 vigias;
  • o município possui apenas 19 escolas;
  • a média era superior a 21 vigilantes por unidade escolar.

Para o TRE-MA, os números evidenciam desvio de finalidade com objetivo eleitoral.

Durante o processo, o secretário municipal de Educação afirmou que parte dos contratados desempenhava outras funções, como auxiliares de sala e mediadores de leitura, reforçando o entendimento de que as contratações não correspondiam aos cargos para os quais foram realizadas.

TRE-MA aplica inelegibilidade e multa

Além da perda dos mandatos, o tribunal aplicou outras sanções aos integrantes da chapa:

  • inelegibilidade por oito anos;
  • multa de R$ 50 mil;
  • anulação dos votos obtidos pela chapa cassada.

A Corte também rejeitou, por unanimidade, as preliminares apresentadas pela defesa, que alegava nulidade da citação e existência de decisão surpresa. Os magistrados entenderam que o direito ao contraditório e à ampla defesa foi plenamente assegurado durante a tramitação da ação.

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