Secretário afastado após áudios em Barra do Corda diz que falas eram brincadeira
Afastado da Secretaria de Segurança de Barra do Corda, sargento afirma que provocações políticas eram recíprocas em grupo de PMs; TRE-MA acionou a Polícia Federal.
BARRA DO CORDA – O sargento da Polícia Militar James Mota afirmou que os áudios em que defende a prisão de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) foram gravados em um grupo fechado de policiais militares, no qual, segundo ele, eram comuns brincadeiras e provocações políticas. A declaração foi divulgada nesta sexta-feira (23), após o militar ser afastado do cargo de secretário municipal de Segurança de Barra do Corda, no Maranhão.
- ENTENDA: Secretário de Segurança de Barra do Corda é afastado após áudios com ameaças a eleitores do PT
O caso levou o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) a acionar a Polícia Federal (PF) para apurar as gravações divulgadas nas redes sociais. O governador Carlos Brandão (MDB) também anunciou o afastamento do sargento e determinou a investigação das declarações.
Em nota de esclarecimento, James reconheceu ter utilizado expressões fortes nas conversas, mas negou a intenção de ofender indiscriminadamente eleitores de um partido ou de usar o cargo público para favorecer ou prejudicar grupos políticos.
Segundo o sargento, o grupo reunia policiais com diferentes posicionamentos políticos, inclusive eleitores do PT. Ele afirmou que as provocações eram recíprocas e que também era alvo de comentários e apelidos por apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que James Mota alegou sobre os áudios
Na nota, o sargento disse que as gravações foram divulgadas sem o contexto das conversas e que as referências a compra de votos, boca de urna, fiscais e delegados estavam relacionadas à preocupação com a lisura do processo eleitoral.
Ele afirmou que pretendia incentivar policiais militares da reserva e aposentados a contribuir com a fiscalização das eleições, independentemente de partido ou candidato.
James também negou que utilizaria a função de secretário municipal ou a condição de policial militar para interferir na disputa eleitoral.
“Jamais utilizaria o cargo que ocupo no município ou minha condição de policial militar para beneficiar ou prejudicar qualquer lado político”, declarou.
O que dizem os áudios divulgados
Em uma das gravações atribuídas ao sargento, ele defende a prisão de apoiadores do PT e afirma que a medida poderia intimidar outros eleitores do partido.
“Bora botar esses petistas no lugar deles. Bora prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”, diz um trecho do áudio.
Em outra parte da gravação, a pessoa atribuída a James afirma que “quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade”. Ele também incentiva policiais da ativa e aposentados a agir contra apoiadores do partido e menciona a possibilidade de atuar como fiscal ou delegado durante as eleições.
Na mesma gravação, relata ter abordado pessoas que, segundo ele, distribuíam santinhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em frente a escolas de Barra do Corda durante o primeiro turno.
As gravações também incluem a fala de uma pessoa não identificada, que pede ao secretário que mobilize a Guarda Municipal para realizar prisões.
TRE-MA aciona Polícia Federal
O corregedor eleitoral do Maranhão, Sebastião Bonfim, informou nesta sexta-feira (23), em entrevista à TV Mirante, que o TRE-MA comunicou à Polícia Federal a divulgação dos áudios nas redes sociais.
O prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (MDB), havia anunciado o afastamento de James Mota na quinta-feira (22), após a repercussão do caso. A medida foi adotada até o final do período eleitoral.
Em nota, a Prefeitura de Barra do Corda afirmou reprovar manifestações ou ações contrárias à democracia, ao livre exercício do voto e à normalidade do processo eleitoral. A administração municipal também declarou que colaboraria com a Justiça Eleitoral para garantir o direito ao voto livre e seguro.
Federação apresenta notícia-crime
O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), informou que a Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra James Mota.
A representação solicita a abertura de investigação para apurar possíveis crimes eleitorais relacionados às declarações atribuídas ao sargento, incluindo suspeitas de intimidação e constrangimento de eleitores.
O documento também pede análise técnica dos áudios, identificação dos participantes das conversas e apuração de possíveis abordagens ou detenções relacionadas à campanha eleitoral.
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