SURFE NA POROROCA

O jovem que cresceu surfando a pororoca com portas de geladeira e transformou a brincadeira em empreendimento

Ruan Ribeiro transformou a paixão pelo fenômeno natural do Rio Mearim em uma atividade turística que movimenta visitantes e gera renda na região.

Ysabelle Ribeiro/Imirante.com

Atualizada em 07/06/2026 às 13h59
À beira do Rio Mearim, Ruan e diversos turistas vivem de perto o fenômeno que virou negócio em Arari, no Maranhão.
À beira do Rio Mearim, Ruan e diversos turistas vivem de perto o fenômeno que virou negócio em Arari, no Maranhão.

ARARI – Uma brincadeira de infância nas águas do Rio Mearim se transformou em uma atividade ligada ao turismo de experiência que hoje atrai visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo para o Maranhão.

Essa é a trajetória construída por Ruan ‘Pororoca’ Ribeiro ao longo de mais de uma década em Arari, município localizado a cerca de 165 km da capital São Luís. Aos 25 anos, o jovem se tornou uma das principais referências quando o assunto é a divulgação e exploração turística da onda que marca a paisagem da região - a pororoca. O que nasceu da convivência com o fenômeno foi ganhando forma até se tornar um negócio estruturado, que hoje profissionaliza expedições e movimenta a economia local.

A pororoca ocorre com maior intensidade nos períodos de lua cheia e lua nova, quando a maré avança rio acima formando ondas que podem percorrer quilômetros.
A pororoca ocorre com maior intensidade nos períodos de lua cheia e lua nova, quando a maré avança rio acima formando ondas que podem percorrer quilômetros.

A pororoca é causada pelo encontro da maré oceânica com as águas do Rio Mearim. O nome tem origem no tupi e significa “estrondo”, em referência ao barulho e à força da água. Em Arari, o fenômeno ocorre com maior intensidade durante os períodos de lua cheia e lua nova, quando a maré avança rio acima formando ondas que podem percorrer quilômetros e atrair surfistas e turistas de diferentes regiões.

Ruan cresceu ouvindo histórias sobre a força da pororoca e, ainda criança, observava a onda passar pelo rio. Quando fez 12 anos, decidiu que queria mais do que isso, e a curiosidade o levou a experiências improvisadas para tentar surfar a onda.

Primeiro, usava cordas presas à margem do rio. Depois, passou a utilizar estruturas feitas com plantas aquáticas e, mais tarde, portas de geladeira encontradas após enchentes.

Antes de ter uma prancha, Ruan usava portas de geladeira encontradas após enchentes para surfar a pororoca.
Antes de ter uma prancha, Ruan usava portas de geladeira encontradas após enchentes para surfar a pororoca.

 

Na época, Ruan não imaginava que aquela vivência poderia se tornar profissão.

Naquela época eu não tinha a mínima noção que aquilo poderia agregar valor profissional pela minha vida, como é hoje (…) na época eu não sabia que eu estava plantando uma semente e passando pelo processo (…) para mim era apenas uma brincadeira e um lazer”, relembra.

Redes sociais e virada profissional

A virada começou em 2017, quando Ruan ganhou sua primeira prancha e passou a registrar imagens da pororoca em diferentes trechos do rio. Os vídeos publicados nas redes sociais despertaram a atenção de surfistas e aventureiros de várias regiões do país.

O que me destacou foi a maneira como eu mostrava o fenômeno. Eu mostrava detalhes que as pessoas não conheciam”, afirma.

Com sua primeira prancha em mãos, Ruan se prepara para enfrentar a pororoca no Rio Mearim
Com sua primeira prancha em mãos, Ruan se prepara para enfrentar a pororoca no Rio Mearim

Com o aumento da procura, surgiram as primeiras expedições organizadas de forma simples, até que empresas como Corona, Red Nose e Toyota passaram a buscar o trabalho para projetos ligados ao fenômeno.

A experiência acumulada levou à criação da Pororoca Tur, em 2020, fundada por Ruan e Sérgio Laus.

Segundo ele, a parceria uniu conhecimentos complementares: Ruan com o domínio da pororoca na região e Sérgio com experiência internacional e rede de contatos no surfe.

A profissionalização exigiu também estrutura: das canoas de rabeta, as expedições passaram a contar com lanchas e jet skis.

Turismo e geração de renda

Com o crescimento da atividade, o turismo passou a ser a principal fonte de renda de Ruan.

Hoje, segundo ele, é possível viver exclusivamente das atividades ligadas à pororoca. As expedições recebem surfistas e turistas interessados em conhecer o fenômeno.

A atividade também gera renda para pilotos de embarcação, motoristas, guias e outros prestadores de serviço locais.

O crescimento do turismo da pororoca acompanha uma tendência mais ampla do setor no Maranhão. De acordo com dados do Sebrae Maranhão, o estado possui mais de 76 mil empresas ativas ligadas ao turismo, considerando atividades principais e secundárias, o que representa cerca de 24% do total de negócios ativos.

Desse total, aproximadamente 96% são micro e pequenas empresas, o que evidencia a predominância do pequeno empreendedor no setor turístico maranhense.

Reconhecimento e projeção

A trajetória ganhou projeção ainda maior com a visita de nomes conhecidos do surfe, como Gabriel Medina e Pedro Scooby.

 

Gabriel Medina e Ruan Ribeiro durante visita do tricampeão mundial de surfe à pororoca do Rio Mearim, no Maranhão.
Gabriel Medina e Ruan Ribeiro durante visita do tricampeão mundial de surfe à pororoca do Rio Mearim, no Maranhão.

Para Ruan, receber atletas desse porte representou a confirmação de que o trabalho desenvolvido ao longo dos anos havia alcançado reconhecimento nacional.

Além da visibilidade, as experiências ajudaram a fortalecer a credibilidade da Pororoca Tur perante novos clientes e parceiros.

Objetivo de consolidar o destino turístico

O que começou como brincadeira às margens do Rio Mearim se tornou um negócio que movimenta visitantes, profissionais e a economia local em Arari.
O que começou como brincadeira às margens do Rio Mearim se tornou um negócio que movimenta visitantes, profissionais e a economia local em Arari.

Entre os próximos objetivos está a realização de eventos e festivais ligados ao surfe na pororoca, especialmente na região de Arari e entorno.

A meta é consolidar o fenômeno como um dos principais atrativos turísticos do Maranhão.

A gente tem o objetivo profissional de transformar a Pororoca em um principal ponto turístico do Maranhão, ao ponto de bater de frente com os Lençóis. A gente trabalha para que a Pororoca vire um potencial turístico semelhante aos Lençóis Maranhenses”, afirma.

Hoje, o que antes era apenas curiosidade diante da força da pororoca se consolidou como atividade turística estruturada, que movimenta visitantes, profissionais locais e projetos ligados ao turismo de experiência no Maranhão. Ao falar sobre sua trajetória, Ruan destaca a importância da persistência.

Faça o básico bem feito. Faça a sua parte, que as coisas vão acontecendo”, aconselha.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.