Bumba meu boi

Regueiros, Guerreiros! Boi de Nina Rodrigues se destaca no São João 2018

Com viagem marcada para o exterior, o boi tradicional maranhense homenageia o reggae.
Priscille Damous / Na Mira06/07/2018 às 09h00
O tradicional boi de orquestra se destacou neste São João. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

SÃO LUÍS - De cores verde, vermelho e amarelo, o boi de Nina Rodrigues se destacou ao homenagear o reggae neste São João.

Criado em 1990, na cidade de Nina Rodrigues por Concita Braga, o tradicional boi de orquestra é um dos mais conhecidos, principalmente, pelas suas músicas, carisma e dedicação ao longo dos 28 anos de existência.

Concita Braga, dona do boi. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)



A Orquestra Bronzeada é a responsável por tocar o repertório do Nina durante o festejo junino, que por sua vez, fez parceria com a banda regueira Tribo de Jah durante este ano e homenageou com a música 'Regueiros Guerreiros'.

Músicos da Orquestra Bronzeada. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)



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"O reggae e o bumba-boi são dois ritmos tão presentes na vida do maranhense, logo, tinha que fazer essa homenagem à comunidade regueira, para dizer que, nós enquanto cultura e enquanto boi bumbá estamos dando valor ao reggae também! (...) Dizem que 'o reggae e o bumba-boi tem semelhantes passos' e eu acredito sim nessa frase do cantador Inaldo Bartolomeu, pois eles caminham juntos, então nada mais justo do que fazer essa homenagem a comunidade regueira e aos artistas que trabalham com esse ritmo tão maravilhoso e típico maranhense.", comenta Concita Braga, dona do boi.

O boi de Nina Rodrigues leva multidão por onde passa.(Foto: Priscille Damous / Na Mira)


O encanto do São João mantém viva a tradição, quem acompanhou o Nina Rodrigues este ano, pôde perceber a união entre o novo e o tradicional. Além disso, o boi quis mostrar a cultura maranhense para quem não a conhecia.

Com cores em exuberância, as índias se destacam. (Foto: Priscille Damous / Na Mira

"Tem muitas pessoas de fora que tem essa curiosidade de saber como é o São João do Maranhão e quando chega aqui se depara com as cores do reggae, as cores vibrantes e o Nina Rodrigues sempre vem com várias cores, não só uma. Pra mim, é uma emoção muito grande carregar a bandeira do Maranhão, pois os turistas sempre param para tirar foto e pra mostrar que eles estão em uma cidade a qual tem uma cultura muito rica, não é a mesma coisa nos outros Estados.", explica Anne Grazielle, índia guerreira do boi que vestiu a indumentária do Maranhão.

Índia guerreira, Anne Grazielle. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)


Carregar a bandeira do Maranhão durante a música 'Amar o Maranhão', de Eudes Fraga e Paulo Fraga, foi uma das novidades deste ano.

Índia guerreira levantando a bandeira do Maranhão. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

"O Maranhão traz para o palco de São Luís, a sua verdadeira história, o reggae e o bumba-boi.", explica Concita ao ser questionada sobre o motivo da indumentária com as cores maranhenses.

O RITUAL

Ritual em homenagem ao reggae durante a apresentação. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

Durante a apresentação, cinco índias vestidas com as cores do reggae, retiravam seu cocar e trocavam pela boina do reggae, logo após, dançavam coladinho com os campeadores, dando referência ao reggae típico maranhense.

Dançando o reggae colado, típico maranhense. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)


"Ninguém esperava que nós fossemos tirar o cocar e colocar a boina para dançar o reggae, ninguém esperava essa homenagem, a parceria com a Tribo de Jah foi muito importante e emocionante.", comenta Marília Dutra, uma das índias regueiras.

Índia regueira, Marília Dutra. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

Para compreender melhor sobre o ritual, a dona do Boi explica: "Na coreografia, as índias entregam o seu cocar para os regueiros e vestem suas boinas, ou seja, as boinas simbolizam o nosso reggae e os cocares simboliza o nosso boi, o ritual é esse, nós estamos dando aos regueiros toda nossa parte artística e toda nossa emoção através do cocar."

ÍNDIAS

Para quem conhece o Nina Rodrigues, ou ao menos já viu alguma de suas apresentações, sabe que o boi também é conhecido pelas suas belas índias.

Índias do boi de Nina Rodrigues durante apresentação. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

Rennya Tajra, que está há dez anos como índia guerreira, volta este ano com uma roupa pra lá de especial, explica: "Minha trajetória no Nina começou quando tinha apenas 17 anos, eu entrei no boi em uma pré-temporada junina, fiz seleção, passei pelo fundo, depois puxei fila e por fim fui frente do Boi com outras meninas. Fiquei um ano fora e quando voltei já foi sendo índia guerreira do Boi na substituição de Rosany. Oficialmente, eu voltei no outro ano, que era 2008, como índia guerreira, que minha indumentária atual faz uma lembrança muito forte a minha roupa deste ano. Ambas, foram com composições de cores com o laranja em evidência. Uma verdadeira oportunidade de comemoração desses dez anos como índia guerreira do Nina."

Índia guerreira, Rennya Tajra. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)



A preparação para ser índia não é algo fácil, Tainá Sousa, que fez sua estreia como índia guerreira este ano pode explicar: "Fiz muitos treinos intensos, principalmente para melhorar meu condicionamento físico e aguentar noites de apresentações. Além de claro, seguir uma alimentação balanceada."

Índia guerreira Tainá, que este ano veio com a indumentária cor de rosa. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)


Além das índias guerreiras e das índias regueiras, o Nina Rodrigues também conta com as índias líderes que fecham a frente do boi. Jesica Alves, que fez a transição entre a índia regueira e a índia líder conta que não é uma tarefa fácil, muito menos esperada. "A minha transição entre destaque regueira para ser liderança do boi foi algo que eu não esperava. Na verdade, fiquei muito surpresa com o convite. E ao mesmo tempo um pouco receosa em aceitar, pois é uma grande responsabilidade comandar o batalhão. Mas graças à Deus não estava sozinha nessa posição, podendo contar com apoio e ajuda de outras três líderes, formando a frente do boi. Foi uma experiência diferente, gratificante!", comenta.

Jesica Alves, índia líder do boi de Nina Rodrigues. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

CATIRINA E PAI FRANCISCO

Pai Francisco durante apresentação pelo boi de Nina Rodrigues. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

Dois personagens característicos do folclore maranhense, também foram destaque neste São João. Na história, Catirina deseja a língua do boi e faz com o que o Pai Francisco corte a língua do animal para satisfazer o desejo de sua amada.

Catirina, interpretada por 'A Furacão' no boi de Nina Rodrigues. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

'A Furacão' faz a personagem dentro do Nina há quatro anos e explica: "A Catirina é umas das figuras mais importantes do Bumba-boi. Percebo que em alguns grupos ela não tem tanta evidência e notoriedade que merece junto com o Pai Francisco, afinal eles deram alusão a essa lenda maravilhosa. Para mim é maravilhoso ser a Catirina, é toda noite uma verdadeira magia. Visto a indumentária e a lenda incorpora em mim, faço com amor e compromisso pelo São João e pelo Nina, onde os personagens têm o valor que merece."

APRESENTAÇÕES NO EXTERIOR

Após o período junino, o Nina já tem apresentações confirmadas para fora do Brasil e em outros estados brasileiros.

Grupo de campeadores do boi de Nina Rodrigues. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

A partir do dia 4 de agosto, o Boi de Nina Rodrigues vai para o Festival do Folclore de Olímpia, em São Paulo.

Após isso, segue viagem para Salvador e em Setembro, sai do Brasil rumo à China, logo depois segue para a lha de Açores, em Portugal.

O QUE ESPERAR PARA O ANO QUE VEM?

O tradicional boi de orquestra não para por ai! Já com planos para o ano que vem, Concita Braga garante que se fez bonito este ano, vocês não sabem o que lhes aguarda em 2019.

Vaqueiros durante a apresentação do Nina Show. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

"Já estou rabiscando algumas criações e estou buscando novos elementos, para o ano que vem o boi vir mais lindo do que veio este ano. Se esse ano vocês gostaram... me aguardem ano que vem!", finaliza Concita Braga.

Alegria do vaqueiro de fita durante o festejo junino. (Foto: Priscille Damous / Na Mira)

Agora é só seguir o boi e esperar até a próxima temporada!

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