Alerta

Doença Renal Crônica é preocupante com envelhecimento populacional

Número de pacientes crônicos tende a subir, ampliando gastos do sistema público e dificultando acesso a terapias substitutivas.
Divulgação26/03/2016 às 10h33

O envelhecimento natural da população brasileira deve aumentar o número total de pacientes renais crônicos, trazendo crescimento expressivo nos gastos públicos com Doença Renal Crônica (DRC). Atualmente, estima-se que 1 em cada 5 homens e 1 em cada 4 mulheres entre 65 e 75 anos e cerca de metade da população com mais de 75 anos tenham DRC. Com o aumento da expectativa de vida, cada vez mais pacientes renais devem buscar tratamento no sistema público, ampliando as filas para transplantes e a necessidade de clínicas de diálise, assim como os gastos do governo com essa parcela da população. O alerta é da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

Segundo a médica nefropatologista e membro da SBP, Maria Fernanda Soares, o tecido renal sofre um processo natural de envelhecimento ao longo da vida, perdendo progressivamente a capacidade de filtrar as toxinas do corpo, até que não haja outra opção além da diálise (filtragem substitutiva das toxinas através de uma máquina) ou o transplante, quando um novo órgão é implantado para substituir os que já não funcionam bem. Assim, a diminuição da mortalidade da população por outras doenças, como cardiovasculares, explicaria os números crescentes das estatísticas de doença renal crônica e doença renal em estágio terminal.

“Estamos frente a frente com uma pandemia de doença renal crônica. Estima-se que hoje 100 mil pacientes no Brasil realizam diálise, ao custo médio de R$ 180 por sessão. Como cada um deles realiza cerca de três sessões semanais, temos um custo médio do tratamento dialítico para o SUS por ano de R$ 2,6 bilhões por ano, um número que ainda tende a aumentar”, explica.

A médica da SBP ainda aponta uma desproporção entre o crescimento dos casos de doença renal crônica terminal e a criação de novas clínicas e leitos de diálise financiados pelo SUS. Na prática, grande parte desses procedimentos acaba custeado pelo setor privado. Em um futuro próximo, o acesso de pacientes renais a esse tratamento fundamental pode ser prejudicado, caso não haja investimento público para atendê-los.

Campanha global

Com o objetivo de ampliar o conhecimento da população sobre as causas e sintomas da DRC, todo ano é realizada a campanha do Dia Mundial do Rim. Em 2016, o tema “Prevenção da doença renal começa na infância” alerta para a importância de estratégias que comecem desde cedo a incentivar hábitos saudáveis.

Além de informações e campanhas de conscientização sobre sintomas e dicas de prevenção, a biópsia renal é uma das ferramentas fundamentais na luta contra a DRC, como explica Maria Fernanda.

"O procedimento permite o diagnóstico das doenças que afetam os glomérulos, estruturas microscópicas nos rins, responsáveis pela filtração do sangue. As doenças glomerulares primárias respondem por até 20% das causas de doenças renais crônicas terminais. Ao contrário do diabetes e da hipertensão, que causam acometimento renal crônico em pacientes mais idosos, as glomerulopatias são doenças que afetam pacientes tipicamente mais jovens”, conta.

Quando não diagnosticadas ou tratadas a tempo, essas doenças podem levar os pacientes a um adoecimento que acaba sendo duradouro, com importante impacto pessoal, familiar e até econômico. A médica da Sociedade Brasileira de Patologia esclarece que as doenças glomerulares apresentam manifestações clínicas e laboratoriais peculiares, como perda de proteínas, de sangue ou de células inflamatórias na urina, podendo ou não estar acompanhadas de diminuição da função renal.

“O diagnóstico preciso dessas causas depende da realização de uma biópsia renal, que é avaliada por um patologista competente, com experiência específica nessa área. Esse passo fundamental traz as informações necessárias para não só definir a causa da doença renal, mas decidir o tratamento e o prognóstico de cada paciente”, finaliza.

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