Tabagismo aumenta em até cinco vezes o risco de problemas cardíacos, alertam especialistas
Especialistas alertam em São Luís que o cigarro e o vape aumentam em 5 vezes o risco de problemas cardíacos, AVC, infarto e doenças respiratórias fatais.
SÃO LUÍS – Com potencial para elevar em até cinco vezes o risco de problemas cardíacos, o tabagismo permanece como um dos principais fatores evitáveis de doenças cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer. O alerta foi dado nesta quinta-feira (27) pelo cardiologista Dr. Paulo Cezar e pela pneumologista Dra. Bianka Teles Menezes, durante o Podcast Atualidades, da Mirante News FM, focado no combate ao fumo.
O Dr. Paulo Cezar alerta que a nicotina altera os vasos sanguíneos, desencadeando inflamações que resultam em infarto, AVC e recorrentes problemas cardíacos.
“O tabagismo aumenta em até cinco vezes a chance de você ter um problema no coração”, pontuou o cardiologista Paulo Cezar, reforçando a urgência do controle sobre o tabagismo.
Para especialistas, o cigarro não é apenas um hábito, mas uma doença crônica que gera problemas cardíacos fatais se não tratada precocemente.
“No momento em que ele gera no paciente tosse, no momento em que ele gera no paciente infarto, [...] um câncer, um AVC, ele já deixou aquele paciente doente. Aquele paciente já perdeu uma janela de oportunidade.”
Não existe cigarro seguro
Durante a entrevista, os especialistas também chamaram atenção para o chamado “fumante social”, que acredita estar protegido por fumar apenas aos finais de semana, em festas ou associado ao consumo de bebidas alcoólicas.
A pneumologista Bianka Teles Menezes explicou que não existe uma quantidade segura de cigarro. O risco aumenta conforme a exposição, mas mesmo o consumo ocasional representa um fator de risco para a saúde.
“O cigarro não tem uma dose segura. [...] não temos essa margem de segurança no cigarro, para dizer que só porque no fim de semana não faz mal.”
Paulo Cezar acrescentou que o risco está presente desde o momento em que a pessoa começa a fumar e aumenta de acordo com a chamada carga tabágica, ou seja, a quantidade e o tempo de exposição ao cigarro.
Cigarro eletrônico preocupa principalmente pelo consumo entre jovens
Outro ponto de destaque na entrevista foi o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre crianças e adolescentes.
Bianka Menezes afirmou que os dispositivos podem ser apresentados em diferentes formatos, dificultando a identificação por pais e professores. Para a pneumologista, o cenário é preocupante porque jovens que não teriam iniciado o consumo do cigarro convencional podem desenvolver dependência da nicotina por meio dos dispositivos eletrônicos.
“Essas crianças, adolescentes, vão ser as próximas pessoas dependentes da nicotina”, alertou.
A médica destacou ainda que já existem evidências associando o cigarro eletrônico a problemas respiratórios e cardiovasculares, além de outros danos à saúde. Entre os problemas citados estão doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças cardiovasculares, alterações relacionadas ao diabetes e diferentes tipos de câncer.
Segundo os especialistas, um dos riscos é que doenças tradicionalmente associadas ao tabagismo possam aparecer cada vez mais cedo entre usuários de dispositivos eletrônicos.
Vape também pode provocar doença respiratória aguda
A pneumologista chamou atenção ainda para a EVALI, síndrome respiratória aguda associada ao uso de cigarros eletrônicos. Segundo ela, a condição pode provocar falta de ar intensa e insuficiência respiratória, podendo exigir internação em unidade de terapia intensiva e, em casos graves, levar à morte.
Bianka também reforçou que o cigarro eletrônico não deve ser considerado uma alternativa inofensiva ao cigarro tradicional.
“O cigarro eletrônico, assim como o cigarro convencional, ele não é inofensivo, ele causa doenças e ele deve ser evitado.”
Fumante passivo também está exposto
Os riscos não se restringem a quem fuma. A exposição à fumaça do cigarro convencional e às substâncias liberadas pelos dispositivos eletrônicos também pode afetar pessoas que estão no mesmo ambiente.
A pneumologista ressaltou que usuários de vape também devem evitar o consumo em ambientes fechados, já que outras pessoas podem inalar substâncias tóxicas mesmo sem fazer uso do produto.
Paulo Cezar destacou que o tabagismo passivo também representa um fator de risco para doenças graves, incluindo o câncer de pulmão.
Parar de fumar sempre traz benefícios
Apesar dos riscos associados ao tabagismo, os especialistas reforçaram que nunca é tarde para buscar ajuda e abandonar o cigarro.
De acordo com Bianka, interromper o consumo pode impedir a progressão de algumas doenças e representa um importante passo para melhorar a saúde, embora pessoas com histórico prolongado de tabagismo possam precisar de investigação médica para identificar eventuais doenças já instaladas.
Paulo Cezar ressaltou que o tratamento deve ser conduzido com acolhimento e empatia, já que a dependência do cigarro pode estar relacionada também a questões emocionais e afetivas.
“O tabagismo é uma doença multissistêmica e complexa. Ninguém fuma porque quer. Muitas vezes você tem problemas emocionais, problemas afetivos, que te levam ao fumo.”
Para o cardiologista, atualmente existem tratamentos eficazes para ajudar quem deseja abandonar a dependência. Por isso, a recomendação é procurar assistência médica.
“Se você fuma, procure um médico, peça ajuda. Fumar nunca é bom, nunca vai ser bom.”
A mensagem dos especialistas é que tanto o cigarro convencional quanto o eletrônico devem ser encarados como ameaças à saúde, e que a prevenção, a informação e o acesso ao tratamento são fundamentais para reduzir os impactos do tabagismo.
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