V Encontro Maranhense de Economia debate geopolítica e comércio internacional
Evento será realizado nos dias 2 e 3 de setembro, na UFMA, e reunirá pesquisadores, representantes do setor público, iniciativa privada e estudantes para discutir os desafios e oportunidades do comércio exterior
SÃO LUÍS – O cenário de transformações no comércio internacional e as recentes tensões geopolíticas serão tema do V Encontro Maranhense de Economia (EME), que será realizado nos dias 2 e 3 de setembro, no Centro de Ciências Sociais (CCSO) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís.
Com o tema “Comércio Internacional e Geopolítica: desafios e perspectivas para a economia maranhense e brasileira”, o evento pretende ampliar o debate sobre os impactos das mudanças nas relações comerciais entre os países e os reflexos dessas transformações para o Brasil e, especialmente, para o Maranhão.
Em entrevista ao Podcast Atualidades, da Mirante News, o economista Leonardo Moraes, do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (IMESC), destacou que o momento é especialmente importante para discutir os rumos do comércio exterior diante do aumento das tensões comerciais internacionais.
“Desde a década de 90, nós vimos uma tendência na economia de cada vez mais os países se abrirem aos demais, a fim de negociar, firmar parcerias comerciais. Porém, recentemente nós estamos tendo esse movimento onde os países estão voltando mais para si mesmos, puxado principalmente a partir dos Estados Unidos.”
Segundo Leonardo, o Maranhão possui uma posição estratégica nesse cenário por estar entre os estados brasileiros com forte participação no comércio exterior. Em 2025, o estado encerrou o ano com aproximadamente US$ 5 bilhões em exportações, movimentando cerca de 11 milhões de toneladas em produtos.
O economista também chamou atenção para a dependência do Maranhão em relação às importações, especialmente de combustíveis provenientes dos Estados Unidos. Parte desses produtos chega pelos portos maranhenses e é posteriormente distribuída para outros estados, como Pará, Tocantins e Piauí.
“Embora não tenha sido o foco desse primeiro tarifaço, uma deterioração da relação com os Estados Unidos pode ser prejudicial para nós, porque combustível é algo essencial, não só para a economia como um todo.”
Balança comercial brasileira preocupa
O professor José Lúcio Alves Silveira, da Universidade Federal do Maranhão, explicou durante a entrevista a importância de acompanhar o comportamento da balança comercial, que representa a diferença entre as exportações e as importações de um país.
De acordo com o professor, entre 2023 e 2025 houve redução do saldo comercial brasileiro. Ele citou que a diferença entre exportações e importações passou de aproximadamente US$ 98 bilhões, em 2023, para US$ 68 bilhões, em 2025.
José Lúcio ressaltou que as exportações são fundamentais para a obtenção das divisas necessárias à manutenção das relações comerciais internacionais.
“O principal canal que o país dispõe para fazer esse comércio internacional é exportar. Então, quando as exportações de um determinado país são afetadas, isso é um sinal de alerta.”
Para o professor, o atual cenário exige cautela nas negociações internacionais e estratégias capazes de reduzir a vulnerabilidade da economia brasileira diante das oscilações do comércio mundial.
Infraestrutura é fundamental para ampliar exportações
Um dos debates previstos na programação do V EME será dedicado à infraestrutura. Para os organizadores, discutir comércio exterior sem abordar as condições das rodovias, ferrovias e portos seria deixar de lado um dos principais fatores que influenciam a competitividade dos produtos brasileiros e maranhenses.
José Lúcio destacou que uma infraestrutura eficiente é necessária para garantir que as mercadorias cheguem aos portos com custos competitivos.
“Nenhum país é grande exportador se não tem, internamente, uma infraestrutura portuária, rodoviária e ferroviária decente.”
A mesa sobre infraestrutura contará com representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do setor da construção civil ligado à Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA).
Mudanças no setor energético também entram no debate
Outro assunto abordado durante a entrevista foi o futuro da matriz energética brasileira diante do avanço dos veículos elétricos e da transição para fontes consideradas mais limpas.
José Lúcio avaliou que o Brasil precisará discutir cuidadosamente suas escolhas energéticas, considerando tanto o potencial de expansão das fontes renováveis quanto as reservas de petróleo e gás existentes no país.
Para ele, a utilização dos recursos disponíveis, especialmente os hidrocarbonetos, deve continuar sendo considerada dentro da estratégia de desenvolvimento nacional.
“Eu penso, na minha opinião, que o país deveria aproveitar melhor a energia que nós temos. Ou seja, não abdicar da utilização do hidrocarboneto.”
Evento reúne academia, setor público e iniciativa privada
O V Encontro Maranhense de Economia terá participação de instituições como IMESC, FIEMA, EMAP, SEBRAE, IBGE, DNIT, Banco do Nordeste, Secretaria de Estado da Indústria e Comércio (SEINC), CORECON-MA, além de universidades maranhenses.
Para os organizadores, a integração entre academia, poder público e iniciativa privada é fundamental para compreender os desafios econômicos do Maranhão e construir estratégias para ampliar a participação do estado no comércio internacional.
A programação inclui minicursos, mesas de debate, apresentação de trabalhos acadêmicos, comunicação oral e resumo expandido.
No primeiro dia, 2 de setembro, serão realizados minicursos oferecidos pelo IMESC, IBGE e SEBRAE, além de uma mesa sobre infraestrutura. À noite, especialistas discutirão a política comercial dos Estados Unidos e os impactos sobre as balanças comerciais brasileira e maranhense.
No dia 3, serão apresentados trabalhos acadêmicos e discutidas experiências de empreendedores locais e suas estratégias de exportação. O encerramento será marcado por uma mesa sobre os novos arranjos geopolíticos comerciais, com participação de professores da UEMA das áreas de Economia e Relações Internacionais.
Inscrições
As inscrições para participação no V EME seguem abertas até 1º de setembro, conforme a organização. No segundo lote, o investimento é de R$ 30 para estudantes e R$ 60 para profissionais.
O evento será realizado no Centro de Ciências Sociais da UFMA, nos dias 2 e 3 de setembro de 2026.
Serviço
V Encontro Maranhense de Economia (EME)
Tema: Comércio Internacional e Geopolítica: desafios e perspectivas para a economia maranhense e brasileira
Data: 2 e 3 de setembro de 2026
Local: Centro de Ciências Sociais (CCSO) – UFMA
Inscrições e informações: www.eme.ufma.br
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