SÃO LUÍS – O avanço de discursos misóginos na internet e a consolidação da chamada "machosfera" têm acendido um alerta sobre a formação de crianças e adolescentes. No ambiente virtual, jovens são bombardeados por estereótipos que promovem uma masculinidade agressiva e a oposição aos direitos conquistados pelas mulheres. Esse fenômeno se reflete diretamente na realidade social e jurídica do país, com um preocupante aumento de casos de agressões físicas e psicológicas cometidas por menores de idade contra suas próprias mães e familiares do sexo feminino no ambiente doméstico.
Durante o debate no Atualidades desta segunda-feira (20), o sociólogo Tadeu Gomes contextualizou que essa reação digital decorre de um processo de ressentimento social, impulsionado por mudanças econômicas e pela maior ocupação de espaços de destaque pelas mulheres nas últimas décadas. Diante da perda de referências tradicionais de poder, muitos homens e jovens buscam acolhimento e identidade em fóruns e redes sociais que propagam o ódio ao feminismo. O especialista destacou que esse movimento opera de forma integrada com pautas conservadoras que ganharam força na política institucional nos últimos anos.
Para enfrentar esse cenário, os especialistas apontam que o acolhimento familiar e o ambiente escolar são fundamentais para oferecer contrapontos e estabelecer limites saudáveis. A psicóloga infantojuvenil Isabela Barros ressaltou que, embora a aprovação dos amigos ganhe mais peso na adolescência, a base construída em casa e o modelo de comportamento dos pais continuam sendo essenciais. Segundo ela, a internet capta os jovens pela necessidade de pertencimento.
Veja.
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