Deborah Secco comenta atual fase de ''Salve-se quem puder'': "Melhor que a primeira"

Atriz avalia que novela faz parte de "momento histórico" para mulheres na teledramaturgia e conta bastidores com camerawoman
09/06/2021 às 10h27

Deborah Secco, 41 anos de idade, tem se divertido ao acompanhar as gravações de Alexia Máximo, sua personagem em Salve-se quem puder. Após um período de interrupção nas gravações por conta da pandemia, as filmagens foram retomadas no segundo semestre de 2020, respeitando protocolos de segurança para evitar a propagação da Covid-19.

Protagonizada por três mulheres – as personagens vividas por Deborah Secco, Juliana Paiva e Vitória Strada –, a novela faz parte de um momento histórico para a teledramaturgia nacional, na opinião da atriz. “Não consigo mensurar em palavras o quão importante isto é para nós, mulheres. Lutamos tanto para conseguir bons personagens. No cinema, ainda sinto que existem melhores protagonistas masculinos que femininos. Amor de Mãe, que estava no ar até abril, também teve três protagonistas mulheres. A Vida da Gente, atualmente na faixa das 18h, também tem mais do que uma mulher à frente do elenco. Viver esse momento é histórico, com novelas protagonizadas por mais de uma mulher, é realmente de uma importância sem igual.”

Feliz com a atual fase da novela, que avalia estar melhor que a anterior, Deborah afirmou que o autor Daniel Ortiz não economizou na ousadia. “Tinha cenas em que achava que seriam impossíveis de fazer e fizemos. Havia muitas cenas de ação e achava que seria impossível de fazê-las com o distanciamento. Pegava o roteiro e pensava: ‘Eles são loucos! Como a gente vai fazer isso com o protocolo?’. E deu tudo certo.”

Salve-se quem puder voltou ao ar depois de um ano de interrupção. As gravações foram realizadas no fim do ano. Como foi a retomada para você?
Confesso que tinha um pouco de medo de não saber mais fazer a Alexia. É uma personagem de bastante composição. Eu ficava me perguntando, durante todo o isolamento motivado pela pandemia, como eu manteria a Alexia em mim. Mas foi impressionante, assim que eu encontrei as meninas, o João [Baldasserini], a Grace [Gianouskas], a Alexia voltou automaticamente. Voltar a trabalhar foi muito importante para mim. Amava fazer Salve-se quem puder quando, de repente, a gente teve que parar sem nem se despedir dos colegas, nem abraçar. Isso para mim foi muito traumático. Quando a gente voltou, foi uma alegria sem fim.

A novela tem três protagonistas fortes e são três mulheres que se ajudam, não ficam na rivalidade.
Não consigo mensurar em palavras o quão importante isto é para nós, mulheres. Lutamos tanto para conseguir bons personagens. No cinema, ainda sinto que existem melhores protagonistas masculinos que femininos. Amor de Mãe, que estava no ar até abril, também teve três protagonistas mulheres. A Vida da Gente, atualmente na faixa das 18h, também tem mais do que uma mulher à frente do elenco. Viver esse momento é histórico, com novelas protagonizadas por mais de uma mulher, é realmente de uma importância sem igual. A Juliana Paiva é muito talentosa, é lindo ver como ela cresce a cada trabalho e a Vitória [Strada] é uma potência. Vale ressaltar que a nossa novela tinha um escala de camerawomen [mulheres câmeras] no estúdio.

O que não é habitual, né?
Todas as câmeras eram operadas por mulheres e isso foi impactante para mim. Quando o Fred [Mayrink, diretor] disse que tinha feito essa força-tarefa para conseguir ter quatro mulheres para operar câmeras, fiquei muito feliz. Quando você faz um esforço parece que o universo conspira para que esse movimento seja maior ainda e ganhe força. É de uma importância sem fim.

Qual foi sua reação quando soube que as gravações precisariam ser interrompidas?
Estava indo gravar quando soube que as gravações seriam interrompidas. Levei um susto. Tenho 30 anos de TV Globo e nunca imaginei que fosse parar. Foi muito impactante para mim, mas tive um orgulho danado da atitude da Globo em parar. Era a única atitude a se tomar, mas duvidava de que seria tomada.

A segunda fase já está rendendo boa repercussão. Na sua opinião, qual é o ponto alto?
O gancho para a segunda fase foi uma grande sacada. A segunda fase não deixa nada a desejar em comédia para a primeira. Ousaria até dizer que a gente tem sequências ainda mais hilárias. Realmente, foi um processo [de gravação] muito mais trabalhoso, mas acho que a gente vai conseguir entregar um resultado na mesma frequência. Todo mundo estava muito feliz. Será uma segunda fase muito potente e, na minha opinião, está melhor que a primeira.

O ritmo de gravação mudou com os novos protocolos. Como foi a adaptação?
Tinham cenas que achava que seriam impossíveis de fazer e fizemos. Haviam muitas cenas de ação e achava que seria impossível de fazê-las com o distanciamento. Pegava o roteiro e pensava: “Eles são loucos! Como a gente vai fazer isso com o protocolo?”. E deu tudo certo. O Daniel Ortiz não diminuiu as cenas de ação da primeira para a segunda fase. Quando a gente voltou a gravar, eu pensava que teria uma novela mais enxuta, não tão ousada. O autor continuou escrevendo tudo o que passava na cabeça dele e nossos diretores são verdadeiros gênios para gravar nessa pandemia. Sou fã de todos.

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