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Porto São Luís paralisa obras por causa de cinco posseiros do Cajueiro

O resultado imediato da paralisação foi a desmobilização das frentes de trabalho.
Publipost15/02/2020 às 18h30
Porto São Luís paralisa obras por causa de cinco posseiros do CajueiroPorto São Luís está com obras paralisadas. (Divulgação)

SÃO LUÍS - As obras do Porto São Luís estão paradas desde janeiro. O motivo é a permanência na área do empreendimento de cinco posseiros que não aceitam sair, nem negociar sua saída do terreno pertencente ao Porto, na localidade Cajueiro, próximo à Vila Maranhão (região Itaqui-Bacanga). Eles rejeitam a avaliação dos imóveis feita pelo Governo do Estado e estão impondo valores fora da realidade, sendo que não realizaram benfeitorias nas terras que justifiquem o preço alto exigido.

Com a permanência dos posseiros, a obra está impedida de avançar. O resultado imediato foi a desmobilização das frentes de trabalho, provocando a demissão de quase 300 trabalhadores. Destes, cerca de 100 são moradores da própria localidade do Cajueiro. O Porto São Luís deve gerar 3 mil empregos diretos no pico das obras e 10 mil indiretos.

Nas últimas semanas, cresceu o movimento desses trabalhadores que moram no entorno do empreendimento reclamando da situação e pedindo a saída dos cinco posseiros para que as obras possam continuar. Vídeos começaram a circular em grupos de Whatsapp com moradores demitidos pedindo o reinício das obras e a volta dos postos de trabalho no Cajueiro.

"Eu estava há dois meses trabalhando nas obras do Porto, mas aí os serviços pararam e eu perdi o emprego. O apelo que faço é para esses moradores fecharem um acordo e saírem da área do Porto para que as obras possam continuar", pede o morador Antônio Valentim, residente em Guarimanduba, no Cajueiro.

Seu Antônio é um dos vários ex-trabalhadores do Porto que gravaram vídeos para compartilhar a sua atual situação. "São dezenas de pais e mães de família que perderam o emprego. Espero que isso se resolva logo, que esses moradores aceitem negociar, como tantos outros já fizeram. O Porto trouxe oportunidade para muita gente, temos de reconhecer isso", afirma Antônio Valentim.

Negociação

O Porto São Luís informou que, desde que iniciou sua implantação no Cajueiro, tem cumprido as etapas de remanejamento das famílias de posseiros, conforme acordado com o Governo do Estado.

Informou que em toda negociação são oferecidos indenização, pagamento de aluguel, ajuda de custo, apoio para a mudança ou guarda dos pertences, além de preferência nas vagas de emprego que surgem em cada etapa das obras. O objetivo é a saída pacífica e amigável.

A empresa destacou que também mantém negociação e diálogo intermediado pelas equipes de Serviço Social, Comunicação e Responsabilidade Socioambiental com os moradores que ainda se encontram na área do empreendimento. (Veja nota emitida pelo Porto São Luís no final do texto)

Ex-posseiros

Dezenas de pessoas que ocupavam a área do empreendimento negociaram, foram indenizadas e hoje seguem suas vidas. É o caso de Eliude Pereira da Silva, que morava no Cajueiro e hoje é proprietária de uma casa na Vila Maranhão. "Procurei o pessoal do Porto, negociei e saí. Foi uma das melhores coisas que fiz. Hoje tenho transporte perto de casa, supermercado e outras facilidades que eu não tinha no Cajueiro", conta a ex-posseira.

A mesma avaliação faz dona Lurdirene Máximo Lopes, que hoje também mora numa casa na Vila Maranhão. "Ninguém me forçou a nada. Saí porque quis. Morava no Cajueiro numa casa sem condições, sem segurança. Hoje digo que realizei um sonho. Estou muito melhor junto com minha família", afirma.

Seu Raimundo da Paixão, marido de dona Lurdirene, concorda com a esposa e diz que está ansioso para que as obras do Porto São Luís sejam retomadas. "Eu estava trabalhando lá no Porto. Mas as obras pararam e agora tô aqui na esperança da construção continuar pra gente ter o emprego de volta", relata seu Raimundo.

O ex-posseiro Jeferson Silva, o Bil, que morava no Andirobal, conta que negociou com o Porto e saiu da área. Hoje diz que está esperando só a filha de cinco meses ficar maior para ele sair da casa da sogra e comprar sua casa. "Comigo a negociação foi tranquila. Recebo o aluguel social, a cesta básica e estou empregado no Porto. Em breve, comprarei minha casa. Espero que tudo se resolva para que as obras de construção continuem e o desenvolvimento chegue para dar melhores condições de vida para todos. Eu espero continuar no Porto e comemorar sua inauguração junto com toda a equipe", finaliza Bil.

NOTA OFICIAL PORTO SÃO LUÍS

1 - O Porto São Luís esclarece que a paralisação das obras e a consequente desmobilização dos trabalhadores ocorreram por falta de frentes de trabalho, em decorrência da ocupação e permanência na área do Porto de 5 (cinco) posseiros.

2 - O Porto São Luís informa que estes posseiros tiveram reuniões com a empresa contratada pelo Porto para intermediar o diálogo, permitindo uma melhor interlocução.

3 - As negociações estavam avançando. No entanto, foram interrompidas unilateralmente pelos posseiros, que informaram terem sido orientados a permanecerem no local.

4 - Diante desse posicionamento, o Porto São Luís está buscando resolver a questão na esfera judicial.

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