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Falta de mão de obra qualificada afeta indústrias imperatrizenses

O setor industrial brasileiro enfrenta um paradoxo, pois enquanto o Brasil contabiliza 11,6 milhões de desempregados, metade das fábricas do país diz ter dificuldade para encontrar mão de obra qualificada.
Divulgação / Fiema28/08/2020 às 10h27
Falta de mão de obra qualificada afeta indústrias imperatrizenses No Maranhão, os três setores juntos empregam 40.523 pessoas. (Foto: divulgação / Fiema)

IMPERATRIZ - Os setores industriais ligados a movelaria, vestuário e alimentos revelam encontrar dificuldade para contratação de mão de obra qualificada em Imperatriz. Com vagas de trabalho abertas, empresários imperatrizenses enfrentam um grande problema quanto à quantidade de vagas disponíveis e à falta de profissionais para o mercado.

Esse foi um dado constatado recentemente por meio de pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo a qual o setor industrial brasileiro enfrenta um paradoxo, pois enquanto o Brasil contabiliza 11,6 milhões de desempregados, metade das fábricas do país diz ter dificuldade para encontrar mão de obra qualificada.

Intitulada Sondagem Especial – Falta de Trabalhador Qualificado, o estudo aponta a escassez de mão de obra qualificada que afeta principalmente a indústria de biocombustíveis, onde 70% das empresas alegam ter dificuldades com a qualificação dos trabalhadores. Em seguida vêm as indústrias de móveis (64%), de vestuário e de produtos de borracha (todas com 62%), têxtil e de máquinas de equipamentos (60% cada).

O presidente do sindicato das Indústrias de Móveis de Imperatriz e Região (Sindimir) e empresário do setor de movelaria, Messias Nunes Sarmento, destaca que o setor sofre para suprir as vagas abertas e que isso impacta na produtividade. “Essa é uma questão que nos afeta diretamente, pois sem o profissional qualificado a nossa produtividade e competitividade fica comprometida”.

Na contramão dos números e mesmo em meio ao cenário de crise desenhado na pandemia, com a suspensão do funcionamento das atividades econômicas e o isolamento social, o setor da indústria foi o que mais criou postos de trabalho em junho, de acordo com os Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). O estudo apontou que, em junho, o Maranhão gerou 3.907 empregos formais, o melhor desempenho de todo o Nordeste.

No Maranhão, os três setores juntos empregam 40.523 pessoas, segundo dados do Cadastro Central de Empresas, disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018), com salário médio entre R$ 1.100 e R$ 2.068. A cidade de Imperatriz concentra 69,2% desses trabalhadores.

A indústria têxtil, de vestuário e artefatos de tecidos - 12,8% dos estabelecimentos do Estado - participa com 22,2% do emprego nesse segmento em todo o Maranhão. Já a de alimentos, bebidas e álcool etílico - 9,6% das unidades locais de produção e 16,1% dos empregos, nessas atividades. E indústria de madeira e mobiliário representa 12,0% das unidades de produção nessas atividades em todo o Maranhão, e 30,9% do emprego formal estadual, nesse grupo de produção. (Dados de 2019, do Caged/perfil dos municípios).

Apesar dos números de contratação, remuneração atrativa e em casos onde o salário técnico supera, muitas vezes, o de profissionais de nível superior, o mercado brasileiro enfrenta sérias dificuldades para recrutar profissionais de nível técnico. Existem estudos que apontam inclusive que enquanto o percentual de estudantes do ensino médio matriculados em cursos profissionalizantes ultrapassa 40% na Alemanha, na Dinamarca, na França e em Portugal e atinge cerca de 70% na Áustria e na Finlândia, o percentual chega a apenas 9,7% no Brasil.

Para o economista José Henrique Braga Polary, os números mostram a importância do município, nesses gêneros de indústria, dentro do estado do Maranhão. “Com quase 70% dos empregos formais concentrados em três grupos de indústrias (Alimentos, bebidas e álcool etílico; madeira e mobiliário; e Têxtil e artigos de vestuário), que denota a importância de Imperatriz no contexto econômico do estado, é fundamental que se busque identificar os fatores que estão contribuindo para redução da oferta qualificada de mão de obra para que melhor se oriente o processo de formação e qualificação de trabalhadores focados nas necessidades locais e regionais”, argumenta o professor Polary.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) é um dos parceiros na formação de mão de obra para a indústria da região, com cursos de qualificação profissional e técnico, que muitas vezes chegam a ser ofertados, de maneira gratuita, por meio de programas como o Avança Maranhão, cujo propósito é uma atuação firme na reconstrução da economia local, fortemente impactada pelos efeitos da crise do coronavírus.

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