Educação

Aplicação da lei das cotas, ainda, causa polêmica em ITZ

Estudantes cotistas de outras cidades enfrentam dificuldades por falta de abrigo.
Jefferson Sousa/Imirante Imperatriz06/07/2014 às 18h10

IMPERATRIZ – O debate sobre a aplicação das cotas é bastante polêmico. Mas observar a realidade de alunos cotistas nas instituições de ensino superior de Imperatriz é simples.

As deficiências nas políticas de permanência estudantil no ensino público, junto dos problemas enfrentados, em sua maioria ainda no ensino base que é oferecido, refletem no número de desistência de alunos cotistas.

Problemas esses, que têm origens na rede de ensino público municipal, podendo citar, como exemplo, a greve da rede municipal de ensino, que já dura mais de 60 dias.

A coordenadora substituta da Educação Escolar Indígena Eliene Costa, afirma que a falta de políticas de permanência estudantil faz com que o ingresso de alunos indígenas ao ensino superior, seja a principal dificuldade enfrentada por alunos que têm, ainda, que passar por uma adaptação cultural.

“Existem as cotas, mas aqui não tem estrutura para eles permaneceram na cidade. Primeiro que o curso não é específico para indígenas, e depois eles não têm uma bolsa permanência, pois eles saem da aldeia, mas não tem quem custei a moradia, então, o que impede os indígenas de fazer universidade federal, é justamente a permanência dele na cidade”, ressalta.

A diretora em exercício da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), enfermeira Maria Neirian de Fátima, acredita que a pouca demanda de indígena ao ensino superior, se dá pela baixa procura pelas vagas, podendo ser refletida no impacto de permanência e adesão a uma cultura diferente.

“Acredito que falta uma adesão maior dos próprios indígenas. Fizemos o projeto Apoema, que nesse projeto íamos para a aldeia e falávamos sobre a graduação. E eles têm muitas duvida, principalmente de como se manter na instituição. Ai vem à moradia, adaptação, tudo isso acaba influenciando na decisão de realizar o Sisu”, explica a diretora.

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Já o acadêmico cotista racial do quarto ano de Comunicação Social (Jornalismo), pela Ufma, Raylson Lima, rebate os argumentos sobre a desistência dos alunos de cotas, mas concorda com a deficiência na política de permanência da instituição.

“Normalmente quem vêm por cotas tem a dificuldade da permanência, por conta da assistência estudantil. Mas venho refutar alguns comentários sobre cotas, que especulam que o aluno cotista não permanece. Porém as pesquisas mostram o contrário, que são alunos que permanecem e é comprovado que é obtido um rendimento maior”, argumenta.

Lei das cotas

A Lei nº 12.711/2012, garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno em 59 universidades federais e 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos vindos integralmente do ensino médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos. Os demais 50% das vagas permanecem para ampla concorrência.

Na primeira chamada deste ano do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para a Ufma, campi Imperatriz, foram destinadas 128 vagas, subdivididas para cotas raciais e por renda.

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