Dedo na ferida!

Campeã mundial, maranhense critica falta de apoio ao handebol brasileiro: “A gente precisa de ajuda”

Maranhense Ana Paula Rodrigues critica a falta de apoio ao handebol brasileiro após 18 anos na Europa e cobra mudanças para salvar a modalidade.

Eduardo Lindoso / Com informações do OTD

- Atualizada em 23/10/2026 às 12h32
Ana Paula retornou ao Brasil depois de ano na Europa
Ana Paula retornou ao Brasil depois de ano na Europa (Esporte Clube Pinheiros)

SÃO LUÍS - A maranhense Ana Paula Rodrigues, campeã mundial de handebol com a Seleção Brasileira em 2013, fez duras críticas às condições da modalidade no país após retornar ao Brasil depois de 18 anos atuando no handebol europeu. Atualmente armadora do Pinheiros, a atleta demonstrou preocupação com a falta de apoio às equipes e alertou para as dificuldades enfrentadas pelos clubes que disputam a Liga Nacional feminina.

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Em entrevista ao site Olimpíadas Todo Dia (OTD) e durante a transmissão oficial da fase de grupos da competição, Ana Paula lamentou a situação encontrada em seu retorno e cobrou mais atenção para o esporte. “O handebol está sufocado. A gente precisa de ajuda”, afirmou a jogadora.

Ana Paula Rodrigues critica cenário do handebol brasileiro

A experiência internacional fez com que Ana Paula Rodrigues voltasse ao país com expectativas de encontrar uma modalidade mais estruturada. No entanto, a realidade observada pela maranhense provocou frustração.

A armadora lembrou que, durante sua trajetória antes da conquista do título mundial de 2013, ouvia que um resultado expressivo da Seleção Brasileira seria capaz de transformar o cenário do handebol nacional.

“Eu escutei minha vida toda, antes de ser campeã do mundo, que, no dia em que o handebol tivesse um resultado expressivo, as coisas iriam mudar aqui no Brasil. E a sensação que eu tenho é como se tivesse mudado para pior”, desabafou.

A atleta também comparou a estrutura da Liga Nacional atual com a competição que disputou antes de seguir para a Europa. Segundo ela, o torneio já teve um formato com partidas de ida e volta, enquanto hoje há equipes que enfrentam dificuldades até mesmo para garantir participação.

“Eu sei que tiveram equipes que se classificaram para estar aqui e não puderam estar porque não têm apoio”, relatou.

Venda de feijoada expõe dificuldades das equipes

Entre os episódios que mais chamaram a atenção de Ana Paula Rodrigues está o esforço de atletas para arrecadar dinheiro e custear a participação em competições. A jogadora contou que conheceu uma equipe cujas integrantes estavam vendendo feijoada para levantar recursos.

Sem revelar o nome do time, a maranhense lamentou que as atletas precisem recorrer a esse tipo de iniciativa para continuar competindo.

“As meninas estavam vendendo feijoada para tentar custear uma competição. Isso é triste, cara. É muito triste. Porque talvez, no momento em que elas estão tentando vender feijoada, elas poderiam estar se dedicando a alguma outra coisa para o handebol”, afirmou.

A armadora também destacou as diferenças de estrutura entre as delegações que participam da Liga Nacional. Enquanto o Pinheiros dispõe de condições para oferecer hospedagem em hotel e transporte aéreo, outras equipes precisam recorrer a alojamentos.

“Graças a Deus, o Pinheiros tem uma estrutura ok, pode pagar um hotel para a gente. Tivemos um bom voo e tudo. Mas eu queria que todo mundo tivesse a mesma estrutura para poder entrar na quadra e se preocupar só em jogar”, disse.

Retorno ao Brasil mistura felicidade e preocupação

Apesar das críticas, Ana Paula Rodrigues destacou a satisfação de voltar a atuar no handebol brasileiro. A atleta ressaltou a oportunidade de reencontrar pessoas e conhecer de perto jogadoras com quem não tinha contato durante os anos no exterior.

A alegria, porém, divide espaço com a preocupação diante das dificuldades enfrentadas pelos clubes e pelas atletas.

“Eu estou muito feliz de poder voltar a jogar no Brasil, de poder estar no Brasil, de ter esse contato com algumas atletas que eu não conhecia, que eu não podia ver mais de perto. Mas, ao mesmo tempo, é um sentimento de tristeza, de ver o quanto as equipes estão lutando para sobreviver no handebol brasileiro”, declarou.

Ao comentar a situação, a campeã mundial fez um apelo às pessoas e instituições que têm condições de contribuir para o desenvolvimento da modalidade.

“Eu espero que as pessoas que podem ajudar o handebol abram o olho enquanto é tempo. A gente precisa de ajuda, porque senão o handebol vai acabar aqui no Brasil”, alertou.

Campeã mundial, Ana Paula Rodrigues busca título inédito

Mesmo com uma carreira internacional marcada por grandes conquistas, Ana Paula Rodrigues ainda tem um objetivo importante no handebol nacional: conquistar a Liga Nacional.

Anunciada pelo Pinheiros em maio, a armadora contribuiu para a classificação da equipe ao Final Four da competição feminina. A fase decisiva está prevista para ocorrer entre os dias 17 e 19 de dezembro, em Niterói, no Rio de Janeiro.

A própria atleta destacou que o título nacional é uma das metas pessoais que ainda deseja alcançar.

“Eu tenho muitos objetivos pessoais na minha vida e um deles é ganhar a Liga Nacional. Todo mundo fala: ‘Nossa, você é campeã do mundo’. Eu sou campeã do mundo, porém nunca ganhei uma Liga Nacional”, afirmou.

A busca pelo troféu representa mais um desafio na trajetória da maranhense, que construiu grande parte da carreira no exterior e agora volta a disputar competições no país.

Além da meta esportiva, Ana Paula Rodrigues aproveita o retorno para chamar a atenção para as dificuldades estruturais do handebol brasileiro. Para a campeã mundial, garantir melhores condições às equipes é fundamental para que as atletas possam competir em igualdade e para que a modalidade tenha condições de crescer no país.

 

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