SÃO LUÍS – Aos 18 anos, o volante maranhense Ruan Sales vive um dos momentos mais importantes de sua trajetória no futebol. Revelado nas categorias de base do Fluminense, o jogador deixou Xerém nesta semana para treinar com o elenco profissional e foi relacionado para o confronto contra o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro.
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A oportunidade fez o jovem de São Luís lembrar de uma história iniciada muito antes de chegar ao Rio de Janeiro. Aos 7 anos, quando ainda dava os primeiros passos no futebol, Ruan Sales sofreu um grave acidente em uma quadra de futsal da capital maranhense e chegou a correr o risco de ter comprometida justamente a perna que o ajudaria a perseguir o sonho de ser jogador profissional.
Durante uma partida, ao tentar um carrinho em uma quadra esburacada, uma farpa de madeira perfurou a perna do garoto. O ferimento exigiu cirurgia, 32 pontos e aproximadamente cinco meses longe da bola.
Em entrevista ao jornal O Globo, Ruan contou que a gravidade do acidente só foi compreendida posteriormente.
— A farpa atravessou de lado. Se tivesse entrado mais 3 cm, poderia ter atingido o fundo da minha perna, que poderia “secar” ou até encolher. Como foi um caso sério, operei na hora, mas não tive um tratamento específico. Não fiz fisioterapia nem nada. Apenas fiquei de repouso em casa — relatou.
Ainda criança e ansioso para retornar às quadras, o volante lembra que nem sempre conseguiu permanecer em repouso durante a recuperação.
— Eu era um pouco agitado, e isso acabou inflamando os pontos algumas vezes. Depois de um tempo, fui ao hospital para tirá-los. A partir daí, fui voltando aos poucos a jogar, sem ajuda do médico mesmo — completou.
Ruan Sales começou no futebol em São Luís
Superado o acidente, Ruan Sales retomou a rotina no esporte e voltou a jogar na Palmeirinha, escolinha de futsal de São Luís onde começou a desenvolver seu talento.
Foi justamente no local em que havia aprendido os primeiros fundamentos que surgiu a oportunidade que mudaria sua vida. O Fluminense realizou uma peneira na escolinha e o jovem maranhense participou dos testes.
Ruan foi aprovado nas duas avaliações e, aos 9 anos, deixou o Maranhão para iniciar a formação nas categorias de base do clube, em Xerém, no Rio de Janeiro.
A mudança ocorreu ao lado de uma pessoa que se tornaria fundamental para que o sonho continuasse: o pai, Júnior.
Pai deixou o Maranhão para acompanhar o filho
A relação entre pai e filho se tornou um dos pilares da trajetória de Ruan Sales. Júnior deixou a vida no Maranhão para acompanhar de perto a formação do garoto no Fluminense.
A parceria é tão forte que Ruan nunca chegou a morar no alojamento destinado aos atletas da base que chegam de outras cidades. Durante todos esses anos, permaneceu perto do pai.
Júnior também teve o sonho de ser jogador de futebol, mas não conseguiu seguir profissionalmente no esporte. Trabalhando como autônomo, passou a dedicar grande parte da vida ao desenvolvimento da carreira do filho.
— Meu pai é Ruan Futebol Clube. Foi o cara que sempre acreditou em mim. Largou tudo no Maranhão para vir comigo e abdicou da própria vida para viver a minha. Tudo o que faço é pensando nele e, principalmente, no meu avô, que me deixou há uns três anos — afirmou.
Mesmo contando com empresário, o volante destaca que as principais decisões relacionadas à carreira passam pelo pai.
— Tenho empresário, mas quem cuida de toda a minha carreira é meu pai. Tudo passa por ele. Senão, já sabe (risos) — brincou.
Uma década defendendo o Fluminense
Desde que chegou a Xerém, Ruan Sales construiu praticamente toda a formação esportiva dentro do Fluminense. São cerca de dez anos de ligação com o clube carioca.
O maranhense afirma ter criado uma forte identificação com o Tricolor, que, segundo ele, sempre ofereceu apoio durante seu processo de formação.
Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória ocorreu em 8 de julho, quando Ruan teve a primeira experiência com a equipe profissional.
O volante entrou no segundo tempo da vitória por 6 a 1 sobre o Nova Iguaçu, em amistoso, e chamou a atenção dos torcedores. Na ocasião, o time ainda era comandado pelo técnico Luis Zubeldía.
Mais recentemente, sob o comando de Marcão, o jogador passou a participar de treinamentos com o elenco principal. Ruan também chegou a integrar a lista para o clássico contra o Vasco, embora tenha ficado fora do banco de reservas.
Agora, a relação para o duelo contra o Atlético-MG representa mais um passo na tentativa de conquistar espaço definitivo entre os profissionais.
Fred vira professor do jovem maranhense
Enquanto busca novas oportunidades na equipe principal, Ruan Sales também aproveita a experiência de trabalhar com um dos maiores ídolos da história recente do Fluminense.
Fred, ex-atacante e artilheiro do clube, assumiu o comando da equipe sub-20 e passou a participar diretamente da formação do volante maranhense.
Para Ruan, a convivência com o ex-jogador vai além da importância histórica de Fred para o Tricolor.
— O Fred é maravilhoso. Não só como ídolo do Flu, mas como pessoa também. Está sempre apoiando, ajudando e cobrando quando precisa. A gente se sente muito à vontade com ele — afirmou.
O volante também destacou a intensidade exigida pelo treinador.
— O estilo dele é de imposição. Gosta de ter a bola e, sem ela, quer que a gente pressione e corra o tempo todo. Estamos evoluindo muito nisso — disse.
Martinelli é referência para Ruan Sales
Dentro de campo, Ruan Sales também encontra inspiração em outro jogador formado em Xerém. O jovem observa principalmente o futebol do volante Martinelli, que percorreu caminho semelhante até chegar ao time profissional do Fluminense.
A intensidade do jogador é uma das características que servem de referência para o maranhense.
Agora, depois de mais de uma década entre a infância em São Luís e a formação em Xerém, Ruan começa a enxergar mais de perto a possibilidade de transformar em realidade o sonho que quase foi interrompido quando tinha apenas 7 anos.
Da quadra de futsal onde sofreu um grave acidente à relação com o elenco profissional do Fluminense, a trajetória de Ruan Sales reúne superação, apoio familiar e uma longa formação no futebol.
Aos 18 anos, o maranhense ainda está no início da carreira. Mas cada convocação para treinar ou estar ao lado dos profissionais representa mais um passo de uma história que começou nas quadras de São Luís — e que ele espera continuar escrevendo nos gramados do futebol brasileiro.
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