“Rally não é só velocidade”

Fábio Cadasso conta desafios extremos até conquistar título do Sertões

Piloto maranhense enfrentou temperaturas de até 45°C, falta de água e combustível durante a competição.

Gustavo Coelho/Imirante Esporte

- Atualizada em 04/09/2026 às 14h34
Cadasso conta desafios até conquistar título do Sertões
Cadasso conta desafios até conquistar título do Sertões (Divulgação)

SÃO LUÍS – Campeão do Rally dos Sertões, o maranhense Fábio Cadasso revelou os bastidores da conquista durante entrevista ao Bom Dia Mirante, da TV Mirante. Aos 60 anos e com quatro décadas de carreira, o piloto contou que enfrentou calor extremo, falta de água, areia, queimadas, problemas de comunicação e até falta de combustível durante uma das edições mais desgastantes da competição.

Cadasso conquistou o título após uma disputa marcada por desafios dentro e fora das pistas. Para o piloto, a experiência foi fundamental para controlar o ritmo, preservar o carro e evitar problemas que poderiam comprometer a participação na prova.

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A estratégia adotada pelo maranhense pode ser resumida em uma frase: “Rally não é só velocidade, é cabeça”. Durante a competição, Cadasso priorizou a regularidade e evitou levar o equipamento ao limite em todos os trechos.

Experiência foi decisiva

Em uma prova de longa duração, a velocidade precisa ser acompanhada de cautela. Cadasso contou que viu adversários adotarem um ritmo mais forte e depois enfrentarem problemas em trechos com serras, erosões e subidas.

“A gente pilota um dia antes para não quebrar, proteger o carro o máximo que pode e tentar sempre com velocidade, mas com cautela” explicou.

A experiência de 40 anos nas competições ajudou o piloto a identificar os momentos em que era necessário acelerar e aqueles em que o melhor caminho era preservar o equipamento.

Calor chegou a 45°C dentro do carro

Entre os maiores desafios esteve a temperatura enfrentada durante as etapas. Segundo Cadasso, o calor dentro do carro chegou a aproximadamente 40°C e 45°C, enquanto o sistema de ar-condicionado não era suficiente para amenizar as condições.

“A gente perde muita água. Esse ano foi um ano que a água da gente acabava antes do final da corrida” contou.

O desgaste físico chegou ao ponto de obrigar a dupla a administrar o consumo de água durante as etapas.

“A gente bebia ou a gente desidratava” relatou.

Falta de combustível quase muda a história

Um dos momentos mais delicados ocorreu durante uma etapa no Jalapão. O carro começou a perder força e parava depois de percorrer alguns metros. A equipe percebeu que havia ocorrido uma pane seca provocada por um erro no cálculo do combustível.

“Infelizmente é a primeira vez que acontece por conta de um cálculo errado nosso” admitiu.

A situação ficou ainda mais complicada porque o carro utiliza etanol e havia dificuldade para encontrar o combustível na região. Na tentativa de voltar à prova, a equipe precisou colocar gasolina no veículo.

O problema poderia ter comprometido a participação do maranhense, mas o carro voltou a funcionar e Cadasso conseguiu seguir na competição até conquistar o título.

Jalapão foi o trecho mais difícil

Para Cadasso, o Jalapão foi o momento mais complicado do Rally dos Sertões. A região recebeu uma etapa maratona, que exige ainda mais dos competidores porque limita o suporte mecânico entre os trechos.

Além do calor e da areia, o piloto relatou a presença de queimadas e veículos parados no percurso, o que exigiu atenção redobrada para conseguir avançar.

“Teve muita gente parando no meio do caminho, atrapalhando a gente, tendo que circular o carro, fazer tudo para poder sair daquele aperreio” contou.

Título dividido com a equipe

Cadasso também destacou o trabalho realizado pela equipe, formada por aproximadamente 20 pessoas. Além da preparação do carro, o grupo é responsável por toda a logística necessária durante a competição.

Entre os profissionais está João Afro, que já havia sido navegador de Cadasso e, nesta edição, assumiu a função de chefe de equipe.

“Ele como chefe de equipe conseguiu fazer com que toda a equipe jogasse mesmo forte para poder trazer o carro e o piloto como campeão” afirmou.

Depois de enfrentar uma das edições mais exigentes do Rally dos Sertões, Cadasso encerrou a competição com o título e reforçou uma característica construída ao longo de quatro décadas no automobilismo: a capacidade de aliar velocidade, estratégia e experiência para chegar ao fim da prova.

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