SÃO LUÍS – A líbero maranhense Nyeme Costa emocionou torcedores e fãs de vôlei após a final da Superliga Feminina de Vôlei 2025/2026, ao celebrar ao lado da filha Antonella, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Jogadora do Minas e da Seleção Brasileira, a atleta voltou à competição após a maternidade e teve destaque na campanha da equipe mineira até a decisão.
O registro de Nyeme com a filha repercutiu nas redes sociais e ganhou homenagem da jornalista Renata Heilborn, que publicou uma espécie de crônica falada sobre maternidade, carreira e esporte de alto rendimento. A cena chamou atenção pela força simbólica de uma atleta que concilia a rotina profissional com a maternidade.
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De volta à Superliga após ser mãe, Nyeme terminou a competição entre os principais nomes do fundamento passe. Segundo estatísticas da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), a líbero do Minas aparece em primeiro lugar no ranking de passe mais eficiente, com 75,3%.
Homenagem destaca maternidade no esporte
Na homenagem, Renata Heilborn usou a imagem de Nyeme e Antonella para falar sobre as dúvidas que muitas mulheres enfrentam ao pensar na maternidade e na continuidade da carreira profissional.
“Há uns anos atrás, como seria possível uma atleta e sua filha, um quadra, entre um aquecimento e outro, um olhar atento e outro, e até uma tentativa dos primeiros alongamentos de uma vida que mal completou um ano? A mãe, a atleta, as várias atletas, e um futuro bem melhor pra nós. Porque se você é mulher, você já ouviu essa pergunta. Afinal, você quer ser mãe? Talvez você queira, talvez não.”
A jornalista também relacionou a história de Nyeme à necessidade de mais empatia nos ambientes de trabalho para mulheres que são mães.
“Mas pra muitas mulheres em gravidade, tem que escolher a sua perda. O que eu vou perder hoje? É o que passava na minha cabeça, por exemplo. Eu ainda vou ter um trabalho me esperando se eu decidi pela maternidade? E vendo a Nyeme e a Antonella, eu entendi que isso pode mudar. Se todo lugar de trabalho tiver mais empatia e compaixão por nós, mulheres enquanto mães, a experiência da maternidade vai ser muito menos árdua. Ainda seria mãe, mas poderia ser atleta, como a Nyeme. Teria o privilégio de ver os primeiros passos meio atrapalhados, mesmo sem perder a hora do aquecimento. Aqui ganha a Naêmia, enquanto mãe, que compartilha com a filha que ela também tem outras paixões e que isso fortalece ela como mulher. Ganha a Antonella, que vai poder ver de perto quanto a mãe trabalha e corre atrás do próprio sonho. Lá na frente, isso vai fazer a Antonella lutar pelo que ela quer.”
Nyeme voltou às quadras após a gravidez
Nyeme ficou fora da temporada anterior por causa da gravidez da primeira filha, Antonella, que nasceu em maio de 2025. O retorno da líbero ao Minas foi anunciado em setembro de 2025, em um vídeo emocionante publicado pelo clube.
Desde então, a maranhense retomou espaço como uma das principais líberos do país. A presença dela na final da Superliga reforçou o peso da trajetória de uma atleta que voltou a competir em alto nível poucos meses após se tornar mãe.
Carreira também tem destaque na Seleção
Além do desempenho por clubes, Nyeme também consolidou o nome na Seleção Brasileira. Ela foi convocada para a equipe principal em 2021, participou da Liga das Nações daquele ano, em Rimini, e fez parte do grupo medalhista de prata na competição.
A atleta também foi chamada pelo técnico José Roberto Guimarães às vésperas dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Mais tarde, ampliou sua trajetória com a camisa do Brasil e passou a ser presença constante nas convocações da Seleção.
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