SÃO PAULO - A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) manifestou nas últimas horas a homenagem e toda a lamentação do mundo do esporte para com a morte de Oscar Schmidt.
A entidade lembrou em seu portal oficial que Oscar Daniel Bezerra Schmidt nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal, no Rio Grande do Norte. Filho de militar, cresceu em um ambiente onde o esporte era parte fundamental da formação. Curiosamente, sua primeira paixão não foi o basquete, mas o futebol. Foi apenas na adolescência, já em Brasília, que a bola laranja entrou em sua vida, graças à influência do técnico Zezão, no Colégio Salesiano.
Aos 16 anos, em 1974, deixou a família e mudou-se para São Paulo para atuar nas categorias de base do Palmeiras. Convocado para a seleção juvenil, foi eleito o melhor pivô do Sul-Americano de 1977, desempenho que o levou à seleção principal.
O salto definitivo na carreira veio com a ida para o Sírio, a convite do técnico Cláudio Mortari.
A sequência olímpica consolidaria sua grandeza. Em Los Angeles 1984, repetiu a marca de 169 pontos e chamou a atenção do New Jersey Nets, que tentou levá-lo para a NBA. A proposta era tentadora, mas veio acompanhada de uma condição inaceitável para Oscar: abrir mão da Seleção Brasileira. Ele recusou. Preferiu seguir defendendo o país, uma decisão que se tornaria uma das mais emblemáticas de sua carreira.
A escolha ganharia contornos épicos em 1987, nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis. Contra os Estados Unidos, invictos e favoritos absolutos, Oscar liderou uma atuação histórica que terminou com a vitória brasileira em pleno território americano, um dos maiores feitos do esporte nacional.
No ano seguinte, em Seul 1988, atingiu o auge individual. Foi o cestinha dos Jogos Olímpicos, com 338 pontos, incluindo 55 em uma única partida contra a Espanha, recorde histórico. Quebrou uma série de marcas olímpicas: maior média de pontos, mais pontos em uma edição, mais pontos em um jogo, além de recordes em arremessos de dois, três pontos e lances livres. Uma atuação que o colocou definitivamente entre os maiores da história do basquete mundial.
Sua trajetória olímpica - lembra a CBB - se estendeu ainda por Barcelona 1992 e Atlanta 1996, completando cinco participações consecutivas, um feito raríssimo. Ao longo dessas edições, tornou-se o maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, ultrapassando a marca de mil pontos.
Ao longo de sua carreira, ultrapassou a marca de 50 mil pontos, tornando-se o maior cestinha da história do basquete mundial em números absolutos, um recorde que sintetiza sua longevidade e consistência.
O reconhecimento veio em escala global. Oscar foi incluído no Hall da Fama da FIBA e, de forma inédita, também no Hall da Fama da NBA, mesmo sem ter atuado na liga, uma distinção reservada a nomes que transformaram o jogo.
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