MÉXICO - A seleção do Irã desembarcou no México na madrugada deste domingo (7) para disputar a Copa do Mundo de 2026. O torneio será realizado de forma conjunta por México, Estados Unidos e Canadá, mas a participação iraniana ocorre em meio ao conflito entre Irã e Estados Unidos, iniciado neste ano.
Inicialmente, a delegação iraniana ficaria hospedada no estado do Arizona, em território norte-americano. No entanto, a base da equipe foi transferida para a cidade de Tijuana, no México, após negociações realizadas nos últimos dias. Apesar da mudança, os três compromissos do Irã na fase de grupos serão disputados nos Estados Unidos.
Irã disputará todos os jogos da primeira fase nos Estados Unidos
A seleção iraniana estreia no Mundial diante da Nova Zelândia, no dia 15 de junho, em partida marcada para a região de Los Angeles. Na sequência, enfrenta a Bélgica, em 21 de junho, também na Califórnia.
O último compromisso da equipe na fase de grupos será contra o Egito, no dia 26 de junho, em Seattle.
A situação chama atenção por marcar a primeira vez, desde a criação da Copa do Mundo, em 1930, que um país anfitrião recebe uma seleção nacional de uma nação com a qual está em conflito militar direto.
Governo dos EUA impõe restrições à delegação iraniana
Embora os Estados Unidos tenham concedido vistos aos atletas e parte da comissão técnica, integrantes do governo norte-americano deixaram claro que a autorização foi limitada ao grupo considerado essencial para a participação esportiva.
Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, um representante do Departamento de Estado afirmou que os vistos foram concedidos aos jogadores e à equipe de apoio necessária para a disputa da competição.
Ao comentar a decisão, o funcionário declarou que as autoridades norte-americanas adotariam medidas para impedir qualquer uso indevido do sistema migratório durante o evento.
Limitação de vistos gera críticas do Irã
A delegação iraniana também enfrenta dificuldades relacionadas às restrições de entrada nos Estados Unidos. De acordo com o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, os vistos concedidos obrigam a seleção a realizar deslocamentos frequentes entre México e Estados Unidos nos dias de partida.
Segundo ele, a logística poderá prejudicar o desempenho esportivo da equipe devido ao desgaste físico causado pelas viagens.
“Viajar por tanto tempo, indo e voltando em voos, deixará os jogadores cansados. Os problemas de coordenação e perda de tempo poderão afetar a performance da nossa seleção”, afirmou o diplomata durante entrevista coletiva.
Federação denuncia ausência de integrantes da delegação
Além das restrições de deslocamento, parte da delegação iraniana ainda não recebeu autorização para entrar nos Estados Unidos. Segundo a Federação de Futebol do Irã, membros considerados importantes da área administrativa e de gestão ficaram sem os vistos necessários para acompanhar a equipe durante o Mundial.
A entidade acusa os Estados Unidos de descumprirem compromissos assumidos como país-sede e de desrespeitarem normas estabelecidas pela Fifa.
De acordo com o embaixador Abolfazl Pasandideh, 15 dos 70 integrantes da delegação que chegaram a Tijuana neste domingo não receberam autorização para ingressar em território norte-americano.
Copa acontece sob cenário de tensão internacional
Mesmo diante do cenário de conflito, autoridades iranianas destacaram que a participação da seleção representa uma mensagem de paz e aproximação entre os povos por meio do esporte.
“Levando em conta que nosso país está sob ataque, para mostrar que viemos pela paz, nós trouxemos nosso time”, declarou Pasandideh.
A presença do Irã na Copa do Mundo ocorre em um dos contextos geopolíticos mais delicados já registrados na história recente da competição, adicionando uma dimensão diplomática e política ao torneio que será disputado na América do Norte.
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