LISBOA (POR) - O duelo entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League, em fevereiro de 2026, pode ter desdobramentos disciplinares após denúncia de ofensa racista contra Vini Jr. O atacante do Real Madrid relatou ter sido chamado de “mono” por um atleta da equipe portuguesa. O caso será analisado à luz do Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da Uefa, que prevê punições severas para atos discriminatórios.
Vini Jr. denuncia ofensa durante partida
Após marcar um gol, Vini Jr. afirmou ter sido alvo de ofensa racial por parte do argentino Gianluca Prestianni. Segundo o relato, o jogador teria utilizado a camisa para encobrir a boca no momento da fala, o que especialistas classificam como possível “obstáculo deliberado à prova”.
O árbitro interrompeu a partida, acionou o protocolo antirracismo da Uefa e comunicou o estádio. O jogo foi retomado, mas o episódio foi registrado para análise posterior.
Como funciona o processo disciplinar da Uefa
Para que o caso avance, é necessário que o ocorrido conste no relatório do árbitro e do delegado da partida. A partir disso, o Inspetor de Ética e Disciplina da Uefa pode instaurar procedimento formal.
Entre os elementos que podem compor o conjunto de provas estão:
Imagens da transmissão oficial;
Registros de áudio;
Depoimentos de jogadores e membros da comissão técnica.
Com o processo aberto, atleta e clube são notificados para apresentar defesa. O julgamento ocorre no Comitê Disciplinar, com garantia de contraditório e ampla defesa.
Punições previstas no Artigo 14
O Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da Uefa trata atos discriminatórios como infração grave. Caso a conduta seja confirmada e vinculada a atleta do clube, o Benfica pode sofrer multa e advertência formal.
Em situações mais graves ou em caso de reincidência, o regulamento prevê:
Suspensão mínima de 10 partidas para o jogador envolvido;
Multas financeiras;
Outras medidas complementares.
Quando há participação de torcedores, aplica-se o princípio da responsabilidade objetiva, que pode resultar em fechamento parcial do estádio ou jogos com portões fechados.
Especialista comenta possíveis impactos
Sobre a relevância das provas nesse tipo de caso, a advogada e mestre em Direito Desportivo Ana Mizutori destacou:
“Caso haja prova suficiente de comportamento discriminatório, Gianluca poderá sofrer suspensão relevante, impacto em sua carreira esportiva e eventuais repercussões jurídicas adicionais, considerando que a proteção à dignidade humana é um princípio central tanto no direito desportivo quanto no direito internacional dos direitos humanos”.
A Uefa trata o elemento discriminatório como agravante automático, distinto de mera indisciplina esportiva. O caso envolvendo Vini Jr. pode se tornar um teste importante para a aplicação rigorosa dos protocolos antirracismo na Champions League.
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