Debate

Ministro da Saúde defende proibição das bets, contraria clubes de futebol e alerta para impacto na saúde pública

Ministro da Saúde alerta no STF que bets causaram aumento de 200% em atendimentos no SUS e alerta para os riscos de vício e endividamento na população.

Imirante Esporte, com informações da Agência Brasil

Atualizada em 04/11/2026 às 10h33
Ministro Alexandre Padilha representou o governo na audiência pública do STF
Ministro Alexandre Padilha representou o governo na audiência pública do STF (Antonio Augusto/STF)

SÃO PAULO - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu nesta terça-feira (3) a manutenção da proibição das empresas que operam sites de apostas online, conhecidas como bets. Durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), ele alertou para os impactos dos jogos na saúde pública, especialmente em casos de dependência, endividamento e problemas familiares. Interessados na manutenção das bets, dirigentes de clubes de futebol estiveram presentes no debate e se manifestaram contra as palavras de Padilha. 

Para Padilha, manter a proibição das bets é a principal medida para evitar o agravamento desses problemas e reduzir os riscos à população.

"A única e melhor solução para evitar suicídios, evitar pessoas viciadas, violência familiar, é mantermos a proibição das bets", afirmou o ministro.

A audiência foi convocada pelo STF para discutir a decisão do governo federal que proibiu a exploração e a publicidade de apostas online. Na avaliação de Padilha, os países que legalizaram esse tipo de atividade registraram piora nos indicadores de saúde relacionados aos jogos.

Bets aumentaram procura por atendimento no SUS

Durante a apresentação no STF, Alexandre Padilha divulgou dados que apontam um aumento de 200% na procura por atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) em razão dos problemas provocados pelas apostas online.

O ministro também informou que 28 milhões de brasileiros realizaram apostas nos 12 meses anteriores à proibição. Desse total, aproximadamente 11 milhões apresentaram padrões de risco ou comportamento problemático relacionados aos jogos.

Padilha ressaltou que os efeitos das bets vão além das perdas financeiras e podem comprometer diferentes aspectos da vida dos apostadores.

"Não é dinheiro que se perde, perde o controle da vida. Quarenta por cento deles [do total de 1,2 milhão] falaram que não aguentam mais perder o controle", declarou.

Governo registra 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão

Outro dado apresentado pelo ministro foi o número de solicitações de autoexclusão registradas pelo governo federal. Ao todo, foram contabilizados 1,2 milhão de pedidos de bloqueio de CPFs para impedir a participação em jogos de apostas.

Segundo Padilha, o volume de solicitações demonstra a dimensão dos problemas relacionados à dependência em jogos online no país.

O ministro também destacou os riscos associados à ludopatia, condição caracterizada pela dificuldade de controlar o impulso de apostar, que pode provocar consequências financeiras, emocionais e sociais.

STF debate proibição das bets

A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator dos recursos apresentados ao Supremo pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

As entidades questionam a medida provisória editada pelo governo federal em setembro deste ano, que proibiu a exploração e a publicidade de jogos de apostas online.

O objetivo dos representantes do setor é derrubar a medida. Durante o debate, o Ministério da Saúde defendeu a manutenção da restrição, argumentando que a expansão das bets representa um problema de saúde pública.

A discussão no STF reúne diferentes posicionamentos sobre a regulamentação das apostas online no Brasil, incluindo os possíveis efeitos econômicos e sociais da atividade.

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