VENEZUELA – Recém-saído da Copa do Mundo de 2026, o técnico Cléber Xavier já iniciou um novo projeto com foco no Mundial de 2030. Ex-auxiliar da Seleção Brasileira nas Copas de 2018 e 2022, o treinador aceitou o desafio de comandar a Venezuela na tentativa de levar a equipe pela primeira vez à principal competição do futebol mundial.
Cléber voltou ao cargo de auxiliar técnico, função que exerceu ao lado de Tite no Brasil, e terá contrato de quatro anos com a Federação Venezuelana de Futebol (FVF). O treinador já acompanhava o desenvolvimento do futebol venezuelano antes do convite e destacou a oportunidade de trabalhar em um projeto de renovação.
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— O que me fez ir para a Venezuela... Eu já vinha acompanhando o trabalho de base deles, os enfrentamentos da equipe principal com o Brasil, os jogadores espalhados pelo mundo. Era a ideia de fazer uma renovação, o desafio de colocar na Copa do Mundo uma seleção que nunca esteve lá — afirmou Cléber Xavier.
O treinador viajou novamente para Caracas neste domingo (27), após passar o último mês no Brasil. O retorno ao país precisou ser adiado por conta dos terremotos que atingiram a Venezuela em junho.
Projeto de integração entre base e profissional
Cléber Xavier foi anunciado como auxiliar da comissão técnica venezuelana em janeiro. O grupo também conta com o preparador de goleiros Mario Marín e o preparador físico Óscar Ortega, que já trabalhou no Atlético de Madrid e na seleção uruguaia.
A Venezuela escolheu Oswaldo Vizcarrondo, ex-zagueiro da seleção nacional, como treinador principal. A ideia da federação é unir o trabalho desenvolvido nas categorias de base, por meio do projeto “DNA Vinotinto”, com a equipe adulta.
Cléber destacou que a integração entre as categorias ainda é um ponto que precisa evoluir no futebol brasileiro.
— Não é integrado, deveria ser mais. O maior exemplo que eu falo disso é que, quando a gente passou pela seleção principal, tinha uma relação muito forte com outros treinadores. A Espanha traz esse exemplo. Isso deveria ter um comando mais unificado — comentou.
Para o treinador, a falta de continuidade nos processos é um dos principais problemas do futebol brasileiro.
— Falta muito ao futebol brasileiro, de maneira geral, a palavra continuidade. Não damos continuidade aos processos. E isso impacta para os resultados virem — completou.
Olhar sobre a Seleção Brasileira
Cléber Xavier também avaliou a participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026. Para ele, a eliminação foi consequência de um ciclo de preparação abaixo do esperado e de mudanças ao longo dos últimos anos.
— O principal problema todo mundo sabe, o ciclo não foi bom. Não dá para fazer uma boa seleção sem um ciclo organizado, é difícil. Hoje é fundamental ter — analisou.
O treinador afirmou que Carlo Ancelotti terá a missão de construir uma nova equipe pensando no próximo Mundial.
— A partir de agora o Ancelotti vai ver os jogadores, vai fazer uma nova lista larga, com até quatro nomes para cada posição, com as ideias dele. Vai formar uma equipe para chegar à próxima Copa. Aí sim a gente pode ter uma esperança maior — disse.
Agora, Cléber Xavier inicia uma nova etapa da carreira com a missão de transformar a Venezuela em uma seleção competitiva e tentar escrever um capítulo inédito no futebol do país: a classificação para uma Copa do Mundo.
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