Insatisfação!

Reestruturação nos esportes olímpicos do Flamengo gera críticas de atletas e famílias

Reestruturação do Flamengo nos esportes olímpicos provoca críticas de atletas e famílias, com cortes, falta de diálogo e impacto na base.

Gustavo Coelho/Imirante Esporte

Reestruturação nos esportes do Flamengo gera insatisfação
Reestruturação nos esportes do Flamengo gera insatisfação (Foto: Reprodução Instagram / Canoagem Brasileira)

RIO DE JANEIRO - A reestruturação promovida pelo Flamengo em seus esportes olímpicos tem provocado revolta entre atletas, familiares e profissionais ligados aos projetos atingidos. Relatos apontam decisões tomadas sem diálogo, comunicação informal e uma condução considerada desrespeitosa com o esporte olímpico, o paradesporto e a formação de jovens atletas no clube.

Entre as medidas mais criticadas está o encerramento do pararemo, até então a única modalidade paralímpica mantida pelo Flamengo, apontado como o episódio mais simbólico do atual processo de cortes.

Fim do pararemo gera revolta e acusações de falta de diálogo

Atleta da modalidade, Gessyca Guerra afirma que o grupo soube da possibilidade de encerramento do pararemo por meio de comentários internos, antes de qualquer comunicado oficial. Segundo ela, a justificativa apresentada pela gerência sempre foi a contenção de gastos, atribuída a uma decisão direta da presidência.

— Em todo momento, dizia-se que era por oneração, e que a decisão vinha do presidente. Em uma reunião, foi sugerido inclusive o corte de salários de atletas de Seleção e nível internacional, o que consideramos desrespeitoso e inaceitável — relatou a atleta.

O projeto paralímpico do Flamengo vivia um momento de crescimento, com títulos em Copas do Mundo e presença em finais de Mundiais, o que torna o encerramento ainda mais contestado. Para os atletas, a decisão interrompe um trabalho estruturado e levanta questionamentos sobre o compromisso do clube com políticas de inclusão.

Canoagem também sofre com cortes e comunicação informal

Na canoagem, o processo foi marcado por relatos semelhantes. O atleta Gabriel Assunção, um dos dispensados, contou que soube do fim da modalidade por telefone, sem reunião presencial ou explicações detalhadas.

Apesar de já treinar fora do Rio de Janeiro há anos, Gabriel afirma que o encerramento da modalidade e, principalmente, a saída do campeão olímpico Isaquias Queiroz, causaram surpresa e abalo entre os atletas.

— Pegou todo mundo de surpresa, principalmente no caso do Isaquias. Não houve uma conversa clara com o grupo — afirmou.

Categorias de base também são afetadas

Os impactos da reestruturação não se restringem ao alto rendimento. No judô, o encerramento das categorias sub-13 e sub-15 gerou indignação entre pais e responsáveis. Empresária e mãe de uma atleta, Isabela Mourão relata frustração com as mudanças implementadas após a troca de diretoria.

Segundo ela, despesas antes assumidas pelo clube passaram a ser transferidas às famílias, como taxas de federação e inscrições em competições.

— Antes, o Flamengo custeava tudo. Agora, fomos informados de que, se o atleta não medalhasse, a família teria que arcar com as inscrições nas competições seguintes — relatou.

Impacto emocional e questionamentos sobre gestão

Além do aspecto financeiro e esportivo, familiares destacam o impacto emocional nas crianças, que veem interrompido um projeto de formação em um clube historicamente associado ao alto rendimento. Muitas famílias precisaram buscar outras agremiações, enquanto outras avaliam abandonar a modalidade por falta de opções viáveis.

As críticas convergem para a percepção de que a reestruturação dos esportes olímpicos do Flamengo foi conduzida de forma abrupta e sem transparência. Para atletas e familiares, o cenário expõe uma crise de gestão que vai além de ajustes financeiros e coloca em xeque o compromisso histórico do clube com o esporte olímpico, o paradesporto e a formação de novos talentos.

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