Saberes Cosmos

UFMA promove encontro sobre saberes negros e ancestralidade em São Luís

No dia 19 de novembro, a UFMA promove o Novembro Negro PGCult com palestras, mostras e artes focadas na Ancestralidade e nos saberes dos povos negros.

Na Mira

- Atualizada em 04/11/2026 às 16h51
UFMA promove encontro sobre saberes negros e ancestralidade em São Luís.
UFMA promove encontro sobre saberes negros e ancestralidade em São Luís. (Divulgação)

SÃO LUÍS – O que a universidade precisa desaprender para aprender com outros mundos? Essa é uma das questões que orientam o Novembro Negro PGCult 2026, evento que será realizado no dia 19 de novembro, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. Com o tema “Saberes Cosmos: a epistemologia que habita em nós”, o encontro propõe discutir a importância dos conhecimentos produzidos por povos negros e comunidades tradicionais, reconhecendo a ancestralidade, a memória e as experiências dos territórios como fontes de saber.

Organizado pelo Grupo de Estudos Aquilombamente, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (PGCult), o evento será realizado no Centro de Ciências Humanas (CCH), das 8h às 19h, com inscrições gratuitas. A programação reúne palestras, apresentações de pesquisas, rodas de diálogo e atividades artísticas.

A proposta é ampliar o debate sobre a produção do conhecimento para além dos modelos tradicionalmente reconhecidos pela academia. O encontro destaca saberes construídos na oralidade, nas manifestações culturais, nas religiosidades, nas comunidades e nas práticas cotidianas de cuidado e resistência.

A iniciativa também busca refletir sobre como esses conhecimentos atravessam corpos, territórios e memórias, contribuindo para a preservação de identidades e para a construção de outras formas de compreender o mundo.

Palestras e pesquisas abrem espaço para o debate

A programação começa com uma cerimônia de abertura, das 9h às 9h30, com representantes da UFMA. Participam Ana Caroline Amorim, coordenadora do PGCult; Maria Gislene Fonseca, chefe da DIGED/DIDAAF; e Maria da Guia, coordenadora do Curso de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros. A mediação será da professora Cláudia Moraes, coordenadora geral do Grupo de Estudos Aquilombamente.

Em seguida, das 9h45 às 11h30, a pesquisadora Maria de Lourdes Siqueira conduz a palestra “Cosmologias negras: outras formas de existir e governar o mundo”. A discussão aborda como os povos negros constroem e preservam conhecimentos relacionados à existência, ao território, à comunidade e à ancestralidade.

No período da tarde, das 14h às 15h45, será realizada a Mostra Científica, com apresentações de pesquisas e experiências organizadas em quatro eixos: educação antirracista; interseccionalidade, raça, gênero e classe; povos e comunidades, territórios e ancestralidade; e estudos sobre branquitude, poder e privilégios.

As apresentações dos dois primeiros eixos serão presenciais. Já os trabalhos relacionados aos temas de povos e comunidades e branquitude ocorrerão de forma remota.

Ancestralidade e arte também integram a programação

A partir das 16h, o evento promove a roda de diálogo “Saberes que sustentam o mundo: vozes do território e da ancestralidade”, com Cadu Marques, Nadir Cruz e Mãe Dedé de Boço Có. O encontro propõe aproximar diferentes experiências culturais e comunitárias, destacando os conhecimentos presentes nas periferias, na cultura popular e nos terreiros.

A programação artística começa às 18h, no Hall do CCH, com a exposição “Cartografias do Invisível: territórios, corpos e encantarias”. A mostra reúne trabalhos de diferentes linguagens artísticas que abordam experiências territoriais, subjetividades negras, memórias e pertencimentos. A curadoria é de Sunshine Castro e Rodrigo Gomes.

No mesmo espaço, o artista Breno Silva apresenta a performance “Palafitas”, com duração prevista até as 18h40. A obra aborda a realidade das populações que vivem em palafitas em São Luís e coloca em evidência questões como racismo ambiental, desigualdade socioeconômica, precariedade habitacional e vulnerabilidade social.

Evento recebe trabalhos científicos e produções artísticas

Além da programação do dia 19, o Novembro Negro PGCult também conta com chamadas para participação de pesquisadores, estudantes e artistas.

As submissões de trabalhos para a Mostra Científica podem ser realizadas até 9 de novembro. Os interessados devem escolher um dos quatro eixos temáticos e seguir as orientações disponíveis na página oficial do evento.

Também há uma chamada pública para a exposição “Cartografias do Invisível”, destinada a artistas que desejam apresentar produções relacionadas às experiências territoriais, corporais e às subjetividades negras. Os critérios de participação estão disponíveis no edital específico.

As informações sobre inscrições, programação e submissões podem ser consultadas na página do evento: https://www.even3.com.br/novembro-negro-pgcult-791441.

O Novembro Negro PGCult 2026 é realizado pelo Grupo de Estudos Aquilombamente, vinculado ao PGCult/UFMA, e busca fortalecer o reconhecimento das epistemologias negras e dos saberes ancestrais e tradicionais nos espaços de produção e circulação do conhecimento.

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