Dia das Crianças

VÍDEO: maranhense viraliza ao incentivar filho em corrida infantil

No Dia das Crianças, a relação com o esporte vivida pela empresária maranhense Amanda Lícia e o filho Benício Dourado, de 8 anos, destaca o papel da família na superação de desafios.

Anne Cascaes

SÃO LUÍS - Um vídeo de uma mãe incentivando o filho durante uma corrida escolar, em São Luís, viralizou nas redes sociais e acabou chamando a atenção para a importância do apoio familiar na infância. Nas imagens, a empresária e influenciadora Amanda Lícia acompanha o filho, Benício Dourado, de 8 anos, durante o desafio esportivo. A cena trouxe à tona uma mensagem que vai além da competição: a importância de estar presente, encorajar e valorizar o esforço das crianças.

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No Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira (12), a história de Amanda e Benício ajuda a refletir sobre como a prática esportiva pode contribuir para o desenvolvimento infantil e sobre o papel dos adultos na construção de uma relação saudável com o esporte.

Nas redes sociais, onde Amanda compartilhou o vídeo incentivando o filho a concluir a corrida, as publicações feitas pela mãe e por outras páginas que repercutiram o momento já somam mais de 200 mil visualizações e centenas de comentários.

A corrida em que a criança estava no momento em que a mãe o incentivava acontece anualmente e é promovida pela escola de Benício. A iniciativa tem o objetivo incentivar os alunos à prática esportiva. Para Amanda, que também é atleta, o incentivo faz parte da criação do filho desde cedo.

“Eu como mãe entusiasta e atleta sempre incentivei o esporte desde cedo. A sensação de ver ele superando seus desafios foi marcante demais, ele tão pequeno mas tão determinado no seu objetivo”, relata a mãe.

Benício gosta de diferentes modalidades esportivas e pratica futebol desde os 4 anos. Segundo Amanda, a oportunidade de experimentar atividades e enfrentar desafios faz parte da rotina do menino. “Ele ama todos os esportes. E o que eu colocar ele faz. Ama se desafiar e Joga futebol desde os 4 anos”, conta.

Benício Dourado pratica futebol desde os 4 anos e, segundo a mãe, gosta de diferentes modalidades esportivas. (Foto: Arquivo pessoal)
Benício Dourado pratica futebol desde os 4 anos e, segundo a mãe, gosta de diferentes modalidades esportivas. (Foto: Arquivo pessoal)

Esporte ensina para além da competição

Para Amanda, os benefícios da atividade física não se limitam ao desenvolvimento do corpo ou à conquista de resultados. A experiência esportiva também oferece aprendizados que podem acompanhar a criança em diferentes fases da vida.

“Inúmeros benefícios. O esporte ensina sobre ganhar e perder, resiliência, sobre empatia com o próximo, desafiar seus limites e muito mais. Acredito são aprendizados que ele vai levar pra vida”, afirma.

A percepção da mãe encontra confirmação na avaliação do profissional de Educação Física Vitor Telles. Segundo ele, a atividade física contribui para diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, incluindo socialização, consciência corporal, fortalecimento dos ossos e músculos e aquisição de habilidades motoras.

Vitor também destaca a importância do movimento na prevenção da obesidade infantil e explica que a prática deve fazer parte da rotina das crianças e dos adolescentes.

“Primeiro, socialização, fortalecimento ósseo, repertório motor, ganho de repertório motor, consciência corporal, desenvolvimento de habilidades motoras gerais, ganho de força, tonicidade muscular, luta contra a obesidade infantil que também tá muito em alta”, explica.

4. Para Amanda Lícia, incentivar os filhos significa valorizar o esforço e a coragem de tentar, sem cobrar resultados. (Foto: Arquivo pessoal)
4. Para Amanda Lícia, incentivar os filhos significa valorizar o esforço e a coragem de tentar, sem cobrar resultados. (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com o profissional, crianças e adolescentes devem se movimentar diariamente. Ele ressalta que atividades de maior intensidade também podem fazer parte dessa rotina, desde que sejam acompanhadas por um profissional e respeitem as características individuais de cada criança.

“Criança e adolescente devem treinar de forma intensa, óbvio que acompanhada por um profissional de educação física e respeitando as progressões e a individualidade de cada um”, afirma.

Incentivar X cobrar resultados

O apoio da família pode ajudar a criança a enfrentar dificuldades, entretanto, a maneira como esse incentivo acontece também merece atenção. A participação dos pais não deve estar condicionada ao desempenho, às vitórias ou à evolução esportiva.

Para Amanda, estar presente nos momentos em que o filho encontra dificuldades fortalece a autoestima e transmite segurança.

“Fortalece identidade, autoestima… mostra que ele não tá sozinho e que ele tem com quem contar. Que é amado e cuidado por sua família”, diz.

A empresária também deixa uma mensagem para outras famílias: valorizar o esforço da criança é mais importante do que colocar sobre ela a responsabilidade de alcançar determinado resultado.

“Minha mensagem para outras famílias é: incentivem seus filhos, mas não coloquem o peso do resultado sobre eles. Celebrem o esforço, a evolução e a coragem de pelo menos tentar. Criança precisa saber que é amada e admirada pelo que é, não pelo que conquista.”

Na avaliação do profissional de Educação Física Vitor Telles, a comunicação entre pais e filhos é fundamental para que o esporte continue sendo uma experiência positiva. Ele recomenda que os responsáveis acompanhem a rotina esportiva das crianças e procurem saber como elas se sentem durante as atividades, sem priorizar apenas o desempenho.

“Os pais têm que estar o tempo todo perguntando para a criança, em contato com a criança, se ela está se divertindo, o que ela está achando das aulas, acima dos fatores de performance”, orienta.

O profissional alerta que o excesso de cobrança pode fazer com que a criança perca o interesse pela modalidade. Por isso, a relação com treinadores e professores também é importante para acompanhar o desenvolvimento de cada aluno e respeitar suas condições físicas.

“A grande questão é não tornar essa modalidade ou esse treinamento massivo demais, ou com muitas cobranças, porque isso faz a criança abandonar aquela prática esportiva”, afirma.

Desenvolvimento motor deve vir antes da especialização

Outro cuidado apontado por Vitor é evitar que a busca por resultados leve à especialização esportiva precoce sem atenção às habilidades motoras fundamentais. Segundo ele, antes de concentrar a rotina em uma modalidade específica, é importante desenvolver capacidades como coordenação, estabilidade, lateralidade e consciência corporal.

“O que não pode é ter só especificidade e esquecer do desenvolvimento motor”, explica. O profissional acrescenta que a atividade esportiva precisa manter elementos lúdicos, mesmo quando a criança participa de treinamentos voltados para o aperfeiçoamento em uma modalidade.

“É importante que todo esse treinamento tenha também um componente lúdico, porque senão se torna muito massivo para a criança”, afirma.

A orientação é que a prática seja adaptada à idade, às condições físicas e aos interesses de cada criança. O esporte competitivo pode fazer parte desse processo, mas não deve eliminar o espaço para brincar, experimentar e descobrir novas habilidades.

Uma rede de apoio para a infância

A corrida de Benício e o incentivo de Amanda mostram como a presença dos adultos pode fazer diferença diante de um desafio. Além de acompanhar uma competição, estar presente significa oferecer segurança para que a criança tente, erre, aprenda e reconheça suas próprias conquistas.

No Dia das Crianças, a história também reforça que uma infância ativa não depende apenas do esporte organizado. Brincadeiras, passeios de bicicleta, dança, corrida e outras formas de movimento podem fazer parte da rotina, respeitando as preferências e os limites de cada criança.

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