Violência assusta e revolta enquanto enxugamos gelo diante do problema
Em uma sociedade, em que "a fome é o esperma por entre as pernas da violência", perdermos o direito e ir e vir
Hoje, domingo (9/8), celebrando o Dia dos Pais, ouvindo música e refletindo a vida como ela é. Ao ouvir Cataquese do Medo, de O Rappa, lá estava a frase: “a fome é o esperma por entre as pernas da violência”, frase poética do saudoso Marcelo Yuka. E cá veio a reflexão sobre assaltos frequentes em São Luís, especialmente na Avenida Litorânea (cartão postal e turístico da cidade), o que tem causado pânico em quem frequenta o local.
Ah, cara pálidas, perdemos o direito de ir e vir. É fato !( Nós) as vítimas revoltadas com a insegurança e a impunidade querendo fazer justiça com as próprias mãos, ou seja, adotando a política medieval do "olho por olho dente por dente". Por mim, não funciona porque "não nascemos dentro de uma cadeia".
A criminalidade é um fenômeno complexo, que reflete fatores como impunidade, desigualdade, desestruturação familiar e o tráfico de drogas. É como um ataque cardíaco que sucede anos de hipertensão, colesterol alto e estresse. A dificuldade encontrada para se derrubar a violência está justamente em traçar políticas que lidem com vários desses fatores ao mesmo tempo. È no beco escuro que explode a violência. Portanto, a violência urbana e no campo é um problema da sociedade moderna. Combatê-la é um manifesto social e político. É vontade política e dos políticos.
Carrego a convicção de que essa distância entre crescer e adoecer nasce de uma civilização ensinada a valorizar o ter mais do que o ser. Aprendi, em décadas de estrada por outros povos, que a pátria verdadeira de cada ser humano é o planeta inteiro, e que toda família encontrada pelo caminho pertence à mesma linhagem.
Os números confirmam a distância entre produzir e distribuir. O Brasil ocupa o quinto lugar entre 216 países em desigualdade de renda, segundo relatório da equipe de Piketty: os 10% mais ricos capturam 59,1% da renda nacional; a metade mais pobre fica com 9,3%. O Ministério da Fazenda mostra que 1% dos brasileiros concentra 37,3% do patrimônio declarado ao Fisco.
Para Washington Luis, "cidades ficam mais ricas e mais hostis ao mesmo tempo. Trabalhadores produzem mais e adoecem mais na mesma curva ascendente conectada com o desemprego, a precarização e a escravidão do trabalho em pleno século XXI.
"A riqueza de uma nação não cabe inteira em uma tabela de produção. Ela inclui o silêncio de uma noite bem dormida, o rio que ainda pode ser bebido, a proximidade entre pais e filhos que o trabalho excessivo não consumiu. Um país progride quando aprende a contar também o que escapa ao preço e pesa sobre cada vida", complementa.
Penso eu igual o papa João Paulo II: "a violência destrói o que ela pretende defender: a dignidade da vida. A liberdade do ser humano".
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