Leitura

Livro sugere revisão de preconceitos sobre favelas

Maria Paz usa a ficção para questionar clichês e mostrar as belezas existentes na favela.

Evandro Júnior / Na Mira

Capa do livro
Capa do livro (Foto: Divulgação)

Existe uma sabedoria que circula em conversas de calçada, vive em cozinhas que cheiram a café passado na hora e habita mentes que desenvolveram uma filosofia própria. É esse conhecimento coletivo que o leitor encontra no romance Refavelar, da autora Maria Paz, publicado pela LC Books.

Nesta história, Taís é uma executiva bem-sucedida que de repente se perde na fictícia Favela Girassol, em São Paulo. O que ela encontra lá não é o cenário estereotipado que aprendeu a julgar. É um território contraditório, vivo e pulsante de afeto entre pessoas com diferentes visões de mundo. 

Como é o caso de Dona Antônia, que conhece o nome de todo mundo na rua e ainda carrega frutas da feira para a vizinha doente. Ou Adônis, filho mais velho de dona Terezinha, que se senta no parapeito de um bar fechado e fala de fé, de Chico Xavier e de Sócrates. Um senso de pertencimento e cultura que Taís, com toda a sua agenda lotada, acabou perdendo ao longo do caminho profissional, envolvida em uma rotina exaustiva no mundo corporativo. 

Maria Paz, reconhecida internacionalmente por sua atuação em diversidade e inclusão, foge dos clichês para mostrar a beleza, a arte e a inteligência coletiva que atravessam as comunidades. A autora faz isso sem ignorar as dificuldades das periferias, mas também sem resumir as pessoas aos problemas sociais. 

Aquilo que chamamos de “perda” pode ser um reencontro

A mensagem do livro não é sobre Taís virar uma ativista e resolver uma grande questão estrutural, mas sobre sua profunda transformação pessoal. A partir dos diálogos com tantos personagens que poderiam ser reais, ela revisita a própria história e descobre que, muitas vezes, aquilo que chamamos de “perda” pode ser um reencontro. Assim, Refavelar propõe ao leitor uma verdadeira mudança de perspectiva sobre as favelas brasileiras, convidando cada um a desmontar preconceitos para enxergar o outro e a si mesmo com mais sensibilidade.

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