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O colunista aborda em sua página diária os acontecimentos sociais do Maranhão e traz, também, notícias sobre outros estados e países, incluindo informações das áreas econômica e política.
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PH Revista: Arte de Fransoufer em Brasília

E mais: Uso de spray de pimenta por mulheres

PH

Atualizada em 25/07/2026 às 09h25
O artista visual Fransoufer mostra a sua arte em Brasília com uma exposição que celebra mais de cinco décadas de trajetória como um dos principais nomes da arte figurativa brasileira. A mostra é destaque na edição do PH Revista deste fim de semana
O artista visual Fransoufer mostra a sua arte em Brasília com uma exposição que celebra mais de cinco décadas de trajetória como um dos principais nomes da arte figurativa brasileira. A mostra é destaque na edição do PH Revista deste fim de semana

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Uma voz que diz tudo

“Nada de tubos, nada de bipes incessantes, nada de médicos desconhecidos entrando sem bater para checar aparelhos frios. Na teoria, a morte em casa é poética. Na prática, ela assusta tanto que preferimos terceirizá-la. Talvez porque a proximidade da morte estanque a poesia”.

A confissão é do médico J.J. Camargo, que vi fundo: “Quando o fim se aproxima, a racionalidade que defendíamos nos discursos desmorona. Diante do abismo da terminalidade, muitas famílias recuam e exigem a transferência para o hospital. Não por falta de amor, mas justamente pelo excesso dele – e pelo pânico de não saber o que fazer com esse amor quando ele já não pode salvar o nosso amado”.

A verdade é que ninguém nos ensina a conduzir o fim. Não entendemos que as prioridades de quem está partindo mudam; queremos alimentar quem já não tem fome, queremos que fale quem só precisa descansar. E a presença constante daquele corpo que vai se apagando lentamente gera uma ansiedade tão densa que as pessoas suspiram amiúde porque, de tão tensas, esquecem de respirar.

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No hospital, paradoxalmente, tudo parece mais seguro. Há um alívio quase covarde na frieza das paredes brancas: afinal, lá as pessoas morrem o tempo todo.

A morte no hospital é institucionalizada, rotineira, “normal”. Deixá-los lá nos protege do medo terrível de sermos nós os culpados por um suspiro que cessou cinco minutos antes do que deveria, apenas porque não sabíamos operar a dosagem exata do sofrimento.

E então, no meio desse turbilhão, surge o sentimento mais devastador de todos: a dualidade.

Como lidar com o peso de amar tanto alguém e, ao mesmo tempo, desejar que essa pessoa parta logo? É uma tortura silenciosa. Queremos que fique porque a ausência dela vai rasgar nosso peito; mas queremos que vá embora porque não suportamos mais vê-la sofrer.

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Uma conhecida de J.J. Camargo disse, muito tempo depois de enterrar o pai: “No auge do desespero, eu rezei para ele morrer logo. E passei anos achando que eu era um monstro por ter desejado isso”.

Não era um monstro. Era apenas humana, exausta de testemunhar a dor sem poder estancar o desespero do tempo sangrando. No fim das contas, a insistência pelo hospital não é uma escolha pela cura, mas um pedido de socorro de quem fica. É o reflexo da nossa absoluta incapacidade de lidar com o encerramento das coisas.

Planejamos a carreira, o casamento, as férias do ano que vem e as finanças da aposentadoria. Mas diante da única e absoluta certeza que nos acompanha desde o primeiro choro, comportamo-nos como crianças perdidas no escuro, tateando interruptores que já não acendem luz nenhuma. 

Convenções partidárias

Neste fim de semana, tem início a temporada de convenções partidárias que vão escolher ou confirmar os candidatos às eleições de outubro.

Neste sábado, o MDB realiza a sua convenção, a partir das 15 horas, no Parque João Paulo II (Papódromo), para oficializar suas chapas majoritária (governador e senador) e proporcionais (deputado federal e deputado estadual).

Na chapa majoritária, o partido deve confirmar Orleans Brandão como candidato a governador e Edivaldo Jr. como candidato a vice-governador, e Roseana Sarney para uma das cadeiras no Senado – o comando do partido decidiu apoiar o senador Weverton Rocha (PDT) para a outra vaga na Câmara Alta.

O ex-prefeito Eduardo Braide será confirmado candidato ao Palácio dos Leões, em convenção do PSD marcada para o dia 3 de agosto. Antes, no dia 1º de agosto, o vice-governador Felipe Camarão será oficializado candidato do PT ao Governo do Estado. 

Experiência sobre a enchente na Flip

O trabalho de resposta e reconstrução de Pelotas na enchente de 2024 foi tema de painel na programação da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip 2026, na sexta-feira. Prefeita na época da calamidade, Paula Mascarenhas apresentou as ações de prevenção, acolhimento e assistência à população que adotou durante o momento mais crítico da enchente, quando um terço da cidade ficou debaixo d?água.

– Essa experiência reforçou uma convicção de que planejamento, articulação entre diferentes instituições e comunicação permanente com a população fazem toda a diferença em situações de crise - afirmou Paula.

Uso de spray de pimenta por mulheres

Mulheres maiores de 18 anos poderão adquirir e portar spray de pimenta para fins de defesa pessoal em todo o território nacional.

A medida está prevista na Lei nº 15.474, sancionada pela Presidência da República e publicada sexta-feira no Diário Oficial da União.

A norma autoriza a comercialização, a aquisição e a posse desses dispositivos por mulheres adultas, desde que os produtos sejam aprovados pelos órgãos competentes.

O objetivo é permitir que o equipamento seja usado para conter um agressor em situações de ameaça à integridade física ou sexual.

Uso de spray de pimenta...2

O spray autorizado utiliza a substância oleoresina de capsicum, que é extraída da pimenta e provoca intensa ardência nos olhos, na pele e nas mucosas. As especificações técnicas, os limites de capacidade do spray, a concentração da substância ativa e os padrões de segurança do aerossol serão definidos ainda pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O uso do aerossol será considerado lícito apenas em situações de legítima defesa, para repelir agressão injusta, atual ou iminente, conforme previsto no Código Penal.

A lei estabelece que a utilização deve ser proporcional à ameaça e interrompida assim que o risco for neutralizado.

Reitores e orçamento

O maranhense Gilmar Pereira da Silva, reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), foi eleito nesta semana vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) para a gestão de 2026-2027.

A nova diretoria visa a construção de uma modelagem orçamentária sustentável para os próximos anos como uma das prioridades centrais da associação de reitores.

A meta é garantir que as federais possam superar a dependência exclusiva da pauta orçamentária em suas rotinas de gestão e direcionar forças para a expansão acadêmica e científica. A urgência do debate financeiro reflete a transformação no perfil dos estudantes brasileiros.

Reitores e orçamento...2

Se há três décadas o ensino superior público era predominantemente ocupado pelas classes médias, hoje as universidades federais abrigam uma maioria de estudantes oriundos de famílias de trabalhadores e em situação de vulnerabilidade social.

A nova liderança da Andifes destaca que, após o avanço histórico na democratização do acesso, o desafio do País é assegurar condições plenas de permanência e conclusão dos cursos.

A articulação junto ao governo federal buscará garantir recursos sólidos para a assistência estudantil, incluindo bolsas, alimentação, transporte e auxílio-moradia, fortalecendo a inclusão social e a equidade a partir da realidade de instituições de todo o país, como a UFMA.

No último fim de semana do “Vamos Festejar”, o presidente da FMRB, Kécio Rabelo, com Maria Vandira Peixoto e o Padre Cláudio Mendes Corrêa
No último fim de semana do “Vamos Festejar”, o presidente da FMRB, Kécio Rabelo, com Maria Vandira Peixoto e o Padre Cláudio Mendes Corrêa

DE RELANCE

Tentativas de golpes

Não há brasileiro com posse de um telefone celular que não perceba, talvez diariamente, tentativas de golpes de toda ordem. Chegam por ligações de números desconhecidos, mensagens em aplicativos de conversas, SMS e redes sociais.

Os estelionatos, impulsionados pela digitalização financeira e das atividades cotidianas, tornaram-se uma praga. Seguem a crescer, mesmo com a maior conscientização da população.

O país tarda em encontrar estratégias mais eficientes de contenção desse delito, que se tornou o principal crime patrimonial no Brasil. Mesmo sem violência física, também deixa traumas e grandes perdas materiais.

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O crescimento dos golpes ocorre em sentido inverso de outros crimes, como furtos e roubos, em queda. A tendência segue a mudança de hábitos da população. Os delinquentes adaptaram-se rapidamente.

Preocupa ainda mais a constatação de que a epidemia de fraudes não é fruto de ações de criminosos dispersos. Há evidências de organizações que se estruturam de forma sofisticada, com divisões de tarefas, metas de faturamento e uso de infraestrutura tecnológica que permite dar escala às tentativas de golpe.

O quadro se agrava com a constatação de que as grandes facções cada vez mais investem neste segmento criminoso, que garante arrecadação alta, sem o perigo de se envolverem em confronto com a polícia enquanto agem, ao contrário do que ocorre com roubos e tráfico.

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A relação entre o risco e o benefício torna os golpes atraentes. Enquanto mais de 2,2 milhões de casos foram registrados no país no ano passado, os Ministérios Públicos estaduais instauraram apenas 63,7 mil ações penais e só 4,8 mil pessoas foram presas.

Trata-se de um crime que não se resolve com polícia nas ruas ou aquisição de viaturas e armas.

O combate passa por aperfeiçoamentos legislativos e por uma maior capacidade investigativa, o que depende de instrumentos tecnológicos e capacitação.

Queima de livros

A queima de livros é praticada há séculos por regimes ditatoriais para controlar o pensamento crítico e apagar ideias consideradas impróprias. Em 1937, em Salvador, nos primeiros dias do Estado Novo de Getúlio Vargas, mais de 1.500 obras foram incineradas. A maioria dos exemplares era do escritor Jorge Amado (saudoso amigo deste Repórter PH), incluindo volumes do recém-publicado Capitães da Areia.

O episódio foi uma tentativa de silenciar o autor. Mas acabou despertando ainda mais interesse pelo livro, que com os anos se transformou em um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Hoje, Dia Nacional do Escritor, relembramos esse episódio do livro que ardeu na fogueira e renasceu como clássico.

Queima de livros...2

Para centralizar o governo, controlar a sociedade por meio da censura e propaganda, além de impulsionar a industrialização sob forte atmosfera nacionalista, o Estado Novo foi instaurado por Getúlio Vargas em 10 de novembro de 1937, após um golpe de Estado apoiado por militares e justificado pelo temor de uma suposta ameaça comunista.

Nos primeiros dias do regime, o Congresso foi fechado, partidos políticos extintos, as eleições foram suspensas, uma nova Constituição autoritária começou a ser escrita e, na cidade de Salvador, nove dias depois do golpe de estado, livros foram queimados.

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Em 19 de novembro de 1937, o militar Antônio Fernandes Dantas, que havia assumido interinamente como interventor federal na Bahia no dia 11 daquele mês, confiscou 1552 livros de diversas livrarias da capital. "Queimou-os em cerimônia que denominou de ‘cívica’, em praça pública. A cerimônia contou com a presença dos membros da Comissão Executora do Estado de Guerra".

Entre os 1552 livros queimados, a maior parte era de Jorge Amado, logo seguido por José Lins do Rego.

A queima de livros é, até do ponto de vista da metáfora, algo muito significativo, pois aniquila, acaba, transforma em pó. O que se pretendeu não era simplesmente que aquele material não circulasse mais, mas que aquelas ideias e pensamentos que iam de encontro a ditadura instalada na época não circulassem.

Fogueiras da história

A incineração das obras de Jorge Amado, José Lins do Rego e outros autores em Salvador não foi a primeira vez em que um regime autoritário recorreu a esse expediente para controlar narrativas.

Na China do século III a.C., o imperador Qin Shi Huang mandou destruir obras de filosofia e história. Na Europa medieval, textos foram queimados pela Igreja para preservar a ortodoxia religiosa.

Em Florença, em 1497, o frade dominicano Savonarola organizou a chamada ‘fogueira das vaidades’, onde obras literárias e artísticas foram destruídas em nome da moralidade.

Em 1933, na Alemanha nazista, estudantes e militantes queimaram em praças públicas cerca de 25 mil livros de autores judeus, marxistas e modernistas para ‘purificar’ a cultura alemã.

Na América do Sul, a Argentina passou por esse ato de censura entre o final da década de 1970 e início de 1980. Houve ainda a destruição de obras no Chile, durante a ditadura de Pinochet.

Fogueiras da história...2

Para Jorge Amado, a tentativa de acabar com as suas obras e de outros autores era uma reafirmação do poder da literatura na formação do pensamento crítico na sociedade.

Embora o objetivo dos regimes ditatoriais seja o aniquilamento das ideias que consideram impróprias, subversivas ou perigosas, esse tipo de violência cultural costuma transformar os escritores que sofrem a censura em símbolos de resistência.

O outro efeito colateral é o de aumentar o interesse da população em acessar as chamadas ‘obras malditas’ ou proibidas.

Fátima Teixeira, Rosário Saldanha e Beth Maciel Soares em noitada das mais animadas do “Vamos Festejar”, no Convento das Mercês
Fátima Teixeira, Rosário Saldanha e Beth Maciel Soares em noitada das mais animadas do “Vamos Festejar”, no Convento das Mercês

Para escrever na pedra:

“Arte é essa coisa intangível que corre dentro da alma humana”. Da atriz argentina Soledad Villamil.

TRIVIAL VARIADO

Foie gras proibido: A lei que proíbe no Brasil a produção e a venda de produtos obtidos por meio de alimentação forçada de animais – entre eles, o foie gras, que é feito com fígado gordo de pato ou ganso – entrará em vigor em seis meses.

Tem mais: Quem descumprir a regra poderá ser punido com prisão de três meses a um ano, além de multa, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais para casos de maus-tratos a animais.

Gavage: A técnica usada para produzir o foie gras é conhecida como gavage. Ela consiste em forçar o animal a comer mais do que consumiria naturalmente para aumentar o tamanho do fígado. Para isso, um tubo metálico é inserido pela garganta da ave até o esôfago, por onde a ração é fornecida.

França reage: A proibição no Brasil repercutiu imediatamente na França, maior produtora mundial da iguaria. Entidade que representa o setor no país tentou barrar a medida, classificando-a como uma violação ao acordo UE-Mercosul.

Novo Vingadores: O filme 'Vingadores: Doutor Destino' ganhou novo trailer. O vídeo mostra a primeira aparição de um dos maiores supervilões da Marvel no quinto filme da franquia. O longa chega aos cinemas do país em 18 de dezembro.


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