PH: Duelo de dois continentes
E mais: Adeus a Renato Machado
Duelo de dois continentes
Duelo marca a primeira final da história entre os atuais vencedores dos principais torneios continentais.
O destino reservou um palco muito maior para um confronto que nunca aconteceu. Quatro meses depois do cancelamento da Finalíssima de 2026, Argentina e Espanha se enfrentam na decisão da Copa do Mundo, em Nova Jersey, naquela que será a primeira final da história do torneio entre os atuais campeões da Copa América e da Eurocopa.
Parem de falar de arbitragem. Parem de procurar teorias da conspiração para explicar o que está sendo escancarado dentro de campo. A Argentina está na final da Copa do Mundo porque compete como nenhum outro time no Mundial.
Não porque foi beneficiada pela arbitragem. Não porque teve sorte. Não porque encontrou um caminho mais fácil. Está na decisão porque existe uma força competitiva que, até agora, nenhum adversário conseguiu suportar.
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Não sendo o Brasil, quem “incomodaria menos” se levasse a Copa de 2026?
Copa é isso aí: torce-se pelo “nosso chão” e contra o “chão” dos outros. Gostamos muito de espiar os outros, fazer parte da turma do sereno, testemunhar a desgraça do vizinho.
Sociólogo das nossas esquinas, Nelson Rodrigues se encantava com essa vocação brasileira de ser plateia:
– No Brasil há plateia pra tudo. Se um camelô vende caneta-tinteiro, junta gente; se morre um cachorro atropelado, junta gente; e, se passa uma banda e um batalhão, nós vamos atrás. O brasileiro tem alma de cachorro de batalhão.
Albert Camus, o escritor e filósofo Nobel de 1957, tendo sido goleiro de time pequeno (o Racing, da Argélia), sabia muito bem o que era gozar e ser gozado na grande área das arquibancadas:
– Em futebol, não basta que o nosso time vença e nos faça feliz. É preciso que os rivais se danem…
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Gosto muito do futebol de Lionel Messi e de seus coadjuvantes milongueiros, mas não são poucos os brasileiros que preferem os portenhos como “vices”. E argumentam: quem aguentaria os argentinos com aquela pose de representante de Deus na Terra?
Desde a “Tríplice Aliança”, único evento histórico em que Brasil e Argentina (com o Uruguai) se uniram para combater o vizinho Paraguai – tadinho – os dois grandes desse caricato Mercosul jamais se entenderam, no futebol ou na vida.
Claro, amamos Buenos Aires querida e Bariloche nevada, amamos o tango, como imorredoura arte da personalidade portenha, amamos suas parrilladas, chorizos e crocantes papas fritas, amamos el brujo Jorge Luis Borges, o reinventor do tango Astor Piazzola e o eterno cantante Carlos Gardel – mas, nas quatro linhas de um retângulo, com uma bola no meio, somos inimigos mais do que figadais. Ou seja, hermanos, hermanos, política, economia e futebol à parte.
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Ou alguém acha que os hermanos não vibraram com a eliminação do Brasil nas Quartas de Final? De tanto secá-los, já drenei o Rio da Prata.
O brasileiro é um secador vocacionado e juramentado. E por isso muitos brasileiros vão sentar na poltrona diante da TV, com aquele olhar trinta e três, torcendo para que os espanhóis entrem na meta azul e branca.
Chego a essa conclusão radical para justificar o desejo de radicais do Brasil que elegeram a Espanha como sucedânea de nossa paixão canarinha, sob a alegação de que eles jogam um belo futebol, e – o mais importante – só venceram uma única Copa do Mundo. Seria apenas “bi” no imponente cenáculo das nações vencedoras de Copas – e, assim, nosso Penta ainda pareceria bem distinto.
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Os argentinos não são aqueles italianos que falam espanhol e pensam que são ingleses? Pois é. Queremos todos esses galegos fora dos caminhos da glória. Itália, Inglaterra e Espanha estiveram em nossas preces para “um acidente de percurso”, o mesmo, aliás, que, ironicamente, nocauteou o Brasil.
Mesmo assim, como sul-americano, acho uma covardia não torcer pela nossa vizinha Argentina. Pode-se até torcer contra em nome da rivalidade que nos faz grandes, claro, mas temos de respeitar Messi e Cia.
Afinal, a classificação diante dos ingleses colocou a Albiceleste em sua sétima decisão de Mundial, fazendo com que os argentinos superem o Brasil no ranking de seleções com mais finais disputadas na história, ficando atrás apenas da Alemanha.
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A propósito: a Argentina não tem o melhor elenco desta Copa. Também não apresentou o futebol mais bonito do torneio. Mas ninguém competiu mais do que ela. É por isso que está na final.
E antes que alguém tente encontrar uma explicação fora do campo para mais essa classificação, vale olhar para o que aconteceu nesta semifinal. O árbitro não decidiu o jogo. Há apenas uma seleção que vence os adversários pela força mental, ainda que tenha qualidade.
Parem de falar de arbitragem. Parem de procurar desculpas. Parem de bancar os negacionistas da bola. Aceitem o que esta Copa do Mundo está mostrando. Nenhuma outra seleção demonstrou a alma da Argentina.
DE RELANCE
Adeus a Renato Machado
O jornalista Renato Machado, um dos principais nomes do telejornalismo brasileiro, morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, no Rio de Janeiro (RJ).
Ex-apresentador do Bom Dia Brasil, ele construiu uma carreira de mais de quatro décadas na Globo, onde também apresentou o Jornal da Globo e o RJTV. O jornalista integrou a bancada do Jornal Nacional e atuou como correspondente internacional e repórter especial.
A trajetória de Machado como jornalista começou em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Em 1982, foi contratado pela Globo, onde ficou até 2011. Um de seus primeiros grandes trabalhos na emissora foi a cobertura da Guerra das Malvinas.
Em depoimento ao Memória Globo, Machado declarou que, para ser telejornalista, é preciso um acúmulo de conhecimento:
– É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra.
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Filho do médico e oficial do Exército Álvaro Dodsworth Machado e da secretária Fernanda Mattos Machado, ele nasceu em 21 de março de 1943 no Rio de Janeiro. Formado em Direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi ator, dublador de cinema e atuou no Teatro Oficina, em São Paulo (SP).
Em 1983, tornou-se correspondente em Londres. De lá, acompanhou fatos históricos como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl. Em 1988, de volta ao Brasil, passou a atuar como repórter especial da TV Globo.
Foram poucas as oportunidades que tive de conversar com Renato Machado, indiscutivelmente um dos jornalistas mais elegantes do Brasil. Ele aceitou um convite deste Repórter PH para vir a São Luís fazer uma palestra sobre vinhos. Por motivo de saúde, cancelou a visita e nunca veio a esta Capital que ele me disse que tinha enorme desejo de conhecer.
Liberdade no Ar
Com o aumento das viagens neste período de férias, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad), o Ministério Público do Trabalho (MPT), entre outras instituições lançaram dentro projeto Liberdade no Ar uma campanha nacional de conscientização sobre o tráfico de pessoas e o trabalho escravo.
O objetivo é sensibilizar passageiros e trabalhadores do setor aéreo para o uso da internet como porta de entrada para o aliciamento de crianças e adolescentes. Segundo levantamento do Fundo das Nações |Unidas para a Infância (Unicef), 52% dos casos de tráfico de pessoas tiveram início por meio de contatos feitos pela internet.
No Brasil, somente em 2024, a SaferNet identificou 49 mil páginas com indícios de abuso sexual infantil on-line.
Para escrever na pedra:
“Se falarem mal de você e for verdade, corrija-se; se for mentira, ria disso”. Do filósofo Epicteto.
TRIVIAL VARIADO
Vamos Festejar: Começa nesta quinta-feira (16), a programação da segunda semana do Vamos Festejar, evento idealizado pela deputada federal Roseana Sarney e que se prolonga até o domingo dia 26.
Livro de Biden: O ex-presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou o lançamento, marcado para 17 de novembro, de um livro de memórias sobre os seus anos na presidência americana. Na mesma ocasião, ele atualizou seus seguidores sobre o tratamento de um câncer de próstata. A obra leva o nome Promise Me, America ("Prometa-me, América", em tradução livre).
Hoje na história: Em 1930, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada Padroeira do Brasil. No ano de 1969, foi lançada a missão espacial Apollo 11, da Nasa, rumo à Lua. Quatro dias depois, seus tripulantes se tornariam os primeiros a pisar em solo lunar.
Comércio: hoje é Dia do Comerciante. O presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, participa, no Rio de Janeiro, do 2º Encontro Nacional do Sesc e Senac e também da reunião de Diretoria da CNC.
Justiça: Mandante da morte de Marielle, Domingos Brazão perde cargo no TCE carioca. Ele foi condenado a mais de 76 anos de prisão.
Saúde: SUS adquire tecnologia para produzir o dolutegravir, principal remédio contra o HIV, usado por mais de 770 mil pessoas no País.
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