SÃO LUÍS – A artista visual maranhense Tassila Custodes, de 26 anos, está entre os indicados ao Prêmio PIPA 2026, uma das principais premiações de arte contemporânea do país. Nascida em 1999, em São Luís, Tassila vive e trabalha na capital e desenvolve uma produção que fala de saúde mental, espiritualidade, território e corpo a partir da população amazônica racializada.
A artista constrói uma pesquisa visual que atravessa pintura, ilustração digital e escultura. Em suas obras, surgem figuras híbridas, entidades e paisagens marcadas por forte carga simbólica, cores intensas e referências a cosmologias afro-diaspóricas e saberes enraizados no Maranhão.
A trajetória de Tassila também é atravessada pela periferia de São Luís. Segundo a apresentação de sua pesquisa, o trabalho reúne memória, mito e cotidiano para criar espaços de re-existência. Sua produção aborda temas como violência, cuidado, ancestralidade e transformação.
Trabalho de Tassila Custodes une arte e espiritualidade
Membro da Lima Galeria, fundada em 2021 em São Luís, Tassila integra o grupo de artistas acompanhados pela galeria, que atua com nomes do Maranhão, Piauí, Pará e de outros estados. De acordo com a galeria, a artista, também conhecida pelo nome iorubá Emi Ajé Dudu, que significa “o sopro do espírito preto”, desenvolve criações ligadas à ancestralidade, ao território e às tradições de matriz africana.
A conexão de Tassila com o Terecô, religião afro-brasileira do Maranhão, aparece em trabalhos que lidam com arquétipos e processos espirituais presentes nos terreiros. A proposta é elaborar traumas históricos e invocar cura espiritual por meio da arte.
Arte de Tassila Custodes surge da “inquietação”
Em entrevista dada ao Prêmio PIPA sobre a obra Exu Mulher, A Damificação das Ruínas, a artista destaca a relação entre arte, espiritualidade e experiências pessoais.
“Eu sou uma artista visual autodidata e a minha prática nasce de uma investigação, de uma inquietação profunda da minha personalidade, da minha alma, e principalmente por passar por histórias onde eu fui atravessada por questões de saúde mental, de espiritualidade, da população amazônica, racializada, preta”, afirmou.
Na mesma fala, Tassila explica que sua produção articula “essas relações entre território e corpo e as subjetividades que a espiritualidade traz para a gente”. Sobre a obra, ela diz que o trabalho reúne muitos simbolismos e parte da imagem de Exu como espelho, capaz de revelar ruínas e beleza ao mesmo tempo.
Além da indicação ao Prêmio PIPA 2026, a artista conquistou o primeiro lugar no 14º Salão de Artes Visuais – Coletiva de Maio, em 2025
Como votar no Prêmio PIPA
A votação popular do Prêmio PIPA é feita pela internet, no perfil de cada artista. Para votar, o público deve clicar no botão “Vote aqui”, informar um e-mail, acessar a caixa de entrada para copiar o código enviado e digitá-lo na janela de confirmação. Depois, é preciso marcar a opção “Não sou um robô” e concluir o processo.
Para que o voto seja validado no primeiro turno, o participante precisa votar em pelo menos três artistas.
A organização também orienta que os pop-ups estejam liberados no navegador. Caso o código não chegue por e-mail, a recomendação é verificar a caixa de spam e acionar a opção de reenvio. Usuários relataram dificuldades no navegador Safari. Por isso a orientação é usar outros navegadores.
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