Obra

Livro reúne contos sobre as facetas da maldade humana

Em "O Jardim Distópico da Carne", Márlon Manossi equilibra brutalidade e lirismo em uma experiência de transmídia sobre a dualidade do cotidiano.

Evandro Júnior / Na Mira

Capa do livro
Capa do livro (Foto: Divulgação)

A perversidade existe de diferentes formas e, muitas vezes, veste o rosto de pessoas comuns. É dessa inquietação que nasce O Jardim Distópico da Carne, livro de contos do estudante de Medicina Márlon Manossi, que apresenta sete protagonistas unidos por um mesmo vilão: a maldade humana. Conectados pela exploração das múltiplas faces da crueldade, os textos transitam entre fantasia, investigação, terror, romance, drama e humor, revelando personagens marcados por perdas, traumas, mistérios e dilemas morais que refletem a complexidade das relações cotidianas.

Cada história é apresentada como um mosaico de emoções. Em "Pétalas de Dentes", a busca por reconhecimento e afeto conduz a narrativa, enquanto "Pétalas de Olhos" mergulha em um intrigante mistério policial. Já "Pétalas de Corações" retrata a injustiça e a exclusão em tom de fábula, ao passo que "Pétalas de Pele" explora um romance proibido e "Pétalas de Ossos" revisita o medo alimentado por lendas populares. Em seguida, "Pétalas de Sangue" evidencia as marcas da vingança e as conexões entre os personagens, até que "Pétalas de Escarro" reúne todos os fios da narrativa em um desfecho marcado pela culpa, pela redenção e pelas consequências da maldade.

Com linguagem inventiva e sensorial, marcada por regionalismo e pela musicalidade, o autor combina diferentes formas de escrita, mesclando prosa, cordéis, poemas, imagens, laudos médico-legais e depoimentos para construir uma experiência de leitura dinâmica e imersiva. A obra aposta também na interatividade, reunindo palavras-cruzadas e caça-palavras poéticos, além de conteúdo multimídia acessados por QR Codes, que expandem a narrativa para além das páginas.

Obra convida a enxergar além das aparências 

Indicado para leitores que apreciam histórias de terror, suspense e dramas, esta obra convida a enxergar além das aparências e a refletir sobre a ambiguidade que mora dentro de cada indivíduo. “Ao expor essas realidades sombrias e viscerais, espero inspirar o leitor a reconhecer e questionar dinâmicas tóxicas em seu próprio entorno, oferecendo uma catarse profunda através do choque e da reflexão psicológica”, explica Márlon Manossi.

Mais do que provocar introspecção, O Jardim Distópico da Carne convida a refletir sobre como as pessoas podem se tornar arquitetas das próprias ruínas emocionais, perpetuando ciclos de dor e violência. Contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), a obra se destaca ainda pela perspicácia em expor as facetas do caos, revelando-se essencialmente um livro sobre os desastres que atravessam a vida.

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