Testeira Copa
Mapeamento

Tecnologia fortalece preservação do bumba meu boi no Maranhão

Projeto da UFMA utiliza georreferenciamento para mapear grupos culturais e criar plataforma digital que amplia o acesso a uma das mais importantes manifestações da cultura popular brasileira.

Evandro Júnior / Na Mira

Bumba meu boi de Maracanã na Festa de São Marçal 2026
Bumba meu boi de Maracanã na Festa de São Marçal 2026 (Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS - A transformação digital tem se consolidado como uma importante aliada da preservação do patrimônio cultural brasileiro. No Maranhão, um projeto da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) aposta no uso do georreferenciamento para mapear grupos de bumba meu boi e criar uma plataforma digital que reúne informações sobre a manifestação, fortalecendo ações de pesquisa, documentação e valorização da cultura popular.

A iniciativa evidencia que os avanços tecnológicos e a expansão da conectividade podem ir além da comunicação e do acesso à internet, tornando-se ferramentas para registrar a memória cultural, facilitar pesquisas e aproximar a população das tradições que fazem parte da identidade brasileira.

A plataforma Caminhos da Boiada, lançada no contexto das comemorações do Dia Nacional do Bumba Meu Boi, celebrado em 30 de junho, reúne informações sobre 103 grupos localizados nos municípios de São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar. Por meio de um mapa interativo, é possível localizar as sedes dos grupos, acessar endereços, contatos, identificar os responsáveis pelas brincadeiras e consultar as redes sociais de cada manifestação.

Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, iniciativas desse tipo demonstram que a tecnologia também desempenha um papel essencial na preservação da identidade cultural do país.

"Quando ampliamos o acesso à conectividade e às tecnologias digitais, também fortalecemos a preservação da nossa história e da nossa identidade cultural. Iniciativas como essa mostram que a transformação digital vai além da infraestrutura: ela aproxima as pessoas do patrimônio brasileiro, valoriza as tradições e garante que manifestações como o bumba-meu-boi possam ser conhecidas e celebradas pelas atuais e futuras gerações", diz  Frederico de Siqueira Filho.

Coordenadora do projeto e professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMA, Letícia Cardoso explica que a proposta surgiu da necessidade de registrar, de forma organizada, os territórios onde o bumba-meu-boi mantém sua tradição.

"Utilizamos o georreferenciamento para registrar cada comunidade visitada. Em cada local fazíamos o check-in, armazenávamos as coordenadas geográficas e alimentávamos um banco de dados capaz de mostrar visualmente onde o bumba-meu-boi acontece", detalha Letícia Cardoso.

Desenvolvido desde 2021, o projeto iniciou a etapa de pesquisa de campo em 2023. Ao longo desse período, a equipe entrevistou mais de cem grupos e seus respectivos líderes, utilizando uma metodologia inspirada na etnografia para reunir informações e construir um amplo acervo digital sobre a manifestação.

Além de apoiar estudos acadêmicos, a plataforma também facilita o acesso do público aos grupos culturais, permitindo que moradores e visitantes encontrem apresentações e conheçam melhor os diferentes sotaques do bumba-meu-boi maranhense.

"Conseguimos representar visualmente a ocupação da Ilha do Maranhão pela prática cultural do bumba-meu-boi. É uma presença muito ampla, formada por diversos sotaques e comunidades", ressalta Letícia.

Patrimônio preservado com apoio da tecnologia

Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil e Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, o bumba-meu-boi representa uma das expressões mais ricas da cultura popular brasileira. O uso de ferramentas digitais para documentar e divulgar essa tradição amplia sua visibilidade, fortalece sua preservação e aproxima novas gerações desse patrimônio.

Mais do que criar um mapa, o projeto da UFMA demonstra como inovação e cultura podem caminhar juntas, utilizando a tecnologia para manter viva uma tradição centenária e ampliar o acesso ao conhecimento sobre um dos maiores símbolos da identidade cultural maranhense e brasileira.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.