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CINEMA LOCAL

Filme "Tomate" produzido por universitários maranhenses é selecionado para festival nacional em Florianópolis

Produção independente criada por estudantes de Comunicação da UFMA, o filme "Tomate" nasceu em sala de aula e agora ganha projeção nacional.

Hudson Souza/Na Mira

Filme foi gravado inteiramente em São Luís. (Foto: Reprodução/Irin Omi)
Filme foi gravado inteiramente em São Luís. (Foto: Reprodução/Irin Omi)

SÃO LUÍS – O cinema produzido por jovens talentos maranhenses acaba de conquistar mais um importante reconhecimento. O filme Tomate, realizado por universitários de São Luís, foi selecionado para participar do Festival Maria Joana de Cinema, que será realizado entre os dias 7 e 12 de julho, em Florianópolis (SC).

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Com 15 minutos de duração, o filme mistura drama e comédia para contar uma história sobre afeto, conflitos familiares e reconciliação entre diferentes gerações. A produção é assinada pela produtora independente Irin Omi, criada por estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A trama acompanha um neto que rompe laços com a avó após uma discussão. No entanto, uma reviravolta o obriga a retornar para casa e assumir os cuidados da familiar, agora doente. Na convivência diária, os dois encontram uma oportunidade para reconstruir a relação e enfrentar sentimentos ligados ao amor, à perda e ao perdão.

Filme Tomate tem história inspirada por memórias

Em entrevista ao Imirante, a diretora Karle Costa, que divide a direção da obra com Breno Garcia, revelou que a ideia surgiu a partir da música Tomate, composta pelo artista maranhense Victor Cravin em homenagem à própria avó.

Ideia surgiu a partir da música do artista maranhense Victor Cravin. (Foto: Reprodução/Irin Omi)
Ideia surgiu a partir da música do artista maranhense Victor Cravin. (Foto: Reprodução/Irin Omi)

Segundo ele, a equipe decidiu ampliar a narrativa para além de uma história pessoal, incorporando relatos e experiências de outras pessoas sobre a relação com seus avós e a forma como lidam com o luto.

"A ideia veio da música, mas foi sendo transformada para falar sobre o sentimento de ter uma avó, as diferenças entre gerações, os conflitos familiares e a importância da reconciliação", explicou Karle.

Curta-metragem nasceu dentro da universidade

O reconhecimento nacional surpreendeu a equipe, que inicialmente produziu o curta como parte de atividades acadêmicas. O projeto começou em disciplinas do curso de Comunicação Social e acabou reunindo estudantes de diferentes áreas da formação audiovisual.

De acordo com Karle, a proposta ultrapassou o objetivo de uma simples avaliação universitária e se transformou em uma experiência prática de mercado. "A gente não queria fazer um filme apenas para receber uma nota [na faculdade]. A ideia era construir algo profissional, que pudesse representar o trabalho de todos que participaram", contou.

A integração entre disciplinas como roteiro, direção de arte, edição e pós-produção permitiu a formação de uma equipe colaborativa, composta por estudantes com diferentes níveis de experiência.

Filme independente passou superou desafios

Apesar da conquista, os realizadores destacam que produzir cinema de forma independente continua sendo um grande desafio. A principal dificuldade, segundo a equipe, está relacionada aos custos de produção e ao acesso a equipamentos profissionais.

Grande parte dos gastos foi paga pelos próprios integrantes do projeto, incluindo transporte, alimentação e logística das gravações.

Toda a equipe de produção do curta-metragem. (Foto: Reprodução/Irin Omi)
Toda a equipe de produção do curta-metragem. (Foto: Reprodução/Irin Omi)

Karle também ressaltou a importância do apoio recebido do Museu da Memória Audiovisual do Maranhão (MAVAM), parceiro que colaborou com empréstimo de equipamentos e suporte técnico durante a realização do curta.

"Cinema não se faz sozinho, sempre é algo coletivo onde tem uma troca. Nunca vai ser só o teu ponto de vista", afirmou.

A produtora Irin Omi, criada por Karle Costa e Breno Garcia ainda durante a graduação, pretende continuar desenvolvendo novos projetos audiovisuais após a conclusão do curso.

Festival reúne produções de todo o país

O filme Tomate integra a seleção do Festival Maria Joana de Cinema Canábico, evento nacional dedicado à exibição de produções independentes que abordam temas sociais, culturais, políticos, científicos e artísticos.

A mostra reúne curtas e longas-metragens de diferentes regiões do Brasil e do exterior, promovendo debates sobre cultura, direitos civis, ciência, ativismo e novas formas de expressão audiovisual.

Para os realizadores maranhenses, a seleção representa não apenas a oportunidade de exibir o trabalho para novos públicos, mas também o reconhecimento do potencial criativo de jovens cineastas formados dentro das universidades públicas.

 A atriz Luciana Pinheiro, o diretor Breno Garcia e a assistente de diraçãoRanaisy Santos. (Foto: Reprodução/Irin Omi Produções)
 A atriz Luciana Pinheiro, o diretor Breno Garcia e a assistente de diraçãoRanaisy Santos. (Foto: Reprodução/Irin Omi Produções)

“Tem muitas coisas para serem lapidadas e eu espero que o Tomate dê um caminho para a gente em questão da carreira, e que os outros projetos do futuro tenham tanto quanto o que a gente está tendo”, finaliza a diretora.

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