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Resenha

Por onde Andará Dona Célia Maria ?

Cantora desde aos 12 anos, Cecilia Bruce dos Reis, nasceu em São Luís, em 1949, conhecida como a "Voz de Ouro do Maranhão", por seu canto potente e performance dramática remetem ao estilo da Era de Ouro do Rádio

Pedro Sobrinho / Jornalista

Atualizada em 09/06/2026 às 21h56

Amanheci nesta terça-feira (9/6) me perguntando. Por onde andará Dona Célia Maria ? Pra quem não conhece o seu nome de batismo chama-se Cecília Bruce dos Reis, nascida em São Luís, uma diva no palco pela sua voz estonteante e cheia de malemolência.  Espero que ela esteja bem, cheia de saúde, vitalidade e, ainda, soltando a voz na eterna estrada da música.

Cantora desde aos 12 anos, nasceu em São Luís, em 1949, dona Célia Maria, é chamada de
Cantora desde aos 12 anos, nasceu em São Luís, em 1949, dona Célia Maria, é chamada de "Voz de Ouro do Maranhão", por seu canto potente e performance dramática remetem ao estilo da Era de Ouro do Rádio. Foto: Reprodução

Uma certa noite após uma participação de dona Célia Maria em um show no L´A´pero (na avenida Litorânea) dei uma carona a esssa diva até à residência dela, a próxima a Casa Inglesa e Escola Santa Terezinha (das irmãs Vallois), situada na avenida Getúlio Vargas, no Monte Castelo. Durante a nossa conversa, aproveitei para exaltá-la e dizer que ainda não eu ainda tinha ouvido uma releitura tão perfeita para Balança Pema, de autoria de Jorge Bem (jor). Desculpe Marisa Monte, mas na voz de dona Célia Maria a canção reverbera mais envolvente e pulsante. Ela sorriu discretamente e agradeceu o elogio.

Têm coisas que nós maranhenses precisamos nos permitir a conhecer. Poderia ser audição obrigatória. Mas, deixa prá lá e vamos nós viajar no universo musical de Célia Maria. Cantora desde aos 12 anos, nasceu em São Luís, em 1949, dona Célia Maria, é chamada de "Voz de Ouro do Maranhão", por seu canto potente e performance dramática remetem ao estilo da Era de Ouro do Rádio. Célia Maria foi formada na escola dos programas de auditório de rádios do Maranhão, onde ganhou notoriedade e incentivos para uma carreira nacional. Aos 16 anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde participou de programas de calouros, festivais e outros importantes projetos musicais. 

A artista tem dois trabalhos lançados: o homônimo “Célia Maria” (2001) e “Canções e Paixões” (2022). Eu coloco o nome dela no seleto time de vozes femininas da Música Popular Brasileira. Seu trabalho une ritmos como samba, bossa nova, salsa, e nos remete as cantoras brasileiras do rádio entre os anos de 1950 e 1960.

Infelizmente, é mais uma daquelas artistas com uma trajetória de vida marcada por idas e vindas, dificuldades para viver de arte em um Brasil ingrato com quem não está no 'mainstream', sempre lutando pra manter uma agenda de shows regular, além de busca eterna pelo reconhecimento de sua arte.

"A verdadeira arte não busca aplausos, mas o aplauso é a única forma que a sociedade encontra para pedir desculpas por ter ignorado um gênio." E vou mais além: "a história está cheia de artistas geniais que morreram na miséria e viveram em altares após a morte. O reconhecimento póstumo é a prova de que o mundo chega sempre atrasado." Mas como diz o Chico [Buarque]: ‘A gente vai levando, a gente vai levando', ouvindo Célia Maria e seguindo os conselhos de Nélson Cavaquinho quando ele diz: "Me Dê Flores em Vida".


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