Ouvir Urrou do Boi, de Coxinho, é uma sugestão obrigatória
Bartolomeu dos Santos), um dos maiores cantadores (amos) de bumba meu boi do Maranhão, morreu no dia 3 de abril de 1991, aos 81 anos. Fundador do Boi de Pindaré, ele foi uma das vozes mais expressivas do sotaque da Baixada.
Como já estamos em junho, a palavra de ordem é viver intensamente, fé e devoção aos santos juninos: Antônio, João, Pedro e Marçal. orgulho e autoestima elevada a toda essa riqueza cultural diversa, única e exclusiva existente neste Maranhão continental. É fato !
Por outro lado, existe um abismo entre o sucesso da obra e o fracasso financeiro de um artista genial com as suas raízes profundas. O público consome e consagra melodias, mas muitas vezes ignora as condições precárias em que vivem os verdadeiros criadores. A romantização do sofrimento do artista - a ideia falaciosa de que o "sofrimento gera arte" - serve apenas como justificativa cômoda para a inércia coletiva.
Outro dia li uma frase dizia o seguinte: "a história da arte está repleta de gênios que pintaram o mundo com todas as cores, mas viveram seus últimos dias na escuridão da miséria". Tudo culpa de um sistema excludente que tira proveito da boa fé das pessoas.
Cá com meus botões veio à cabeça o genial Bartolomeu dos Santos, o nosso querido e eterno Coxinho, natural de São Vicente de Férrer., dono aquele disco, definido por mim como obra-prima, uma ópera do auto do bumba meu boi, que se tornou um clássico da Cultura Popular do Maranhão.
E dentro da compilação lá está "Urrou do Boi' a toada, faixa título do disco, com seu sotaque característico da baixada maranhense, capturando a essência crua, rústica, potência e o visceralismo do bumba meu boi. Toda vez que ouço Urrou do Boi, assim como todo o disco, bate aquela emoção ancestral, sinto todo um lamento transcendental, transgressor na voz de Coxinho, a sua impressão digital sonora e a ponte direta entre a sua alma e quem a escuta.
“Urrou, urrou, urrou, urrou / meu novilho brasileiro que a natureza criou” reforça que o boi não é apenas um personagem da Cultura Popular do Maranhão, mas uma expressão viva da terra e do povo, evidenciando o vínculo entre tradição, natureza e pertencimento. Quand minha tristeza, a inquietação e inconformismo social me faz refletir sobre este mundo cruel que invisibiliza, silencia e tenta apagar a história pelo incômodo do tom da pele.
Coxinho, é mais um daqueles, que morre desprovido porque fez arte com amor, humildade e bondade, deixando o mundo cultural órfão de uma genialidade que precisa ser mais compreendida.
Sugiro que neste período junino que você se permita a ouvir Urrou do Boi. Além de ser um mantra do bumba meu boi, simboliza tradição, modernidade, símbolo de força e certidão de identidade maranhense para o mundo.
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