Inversão de valores, intolerância e submissão ideológica
Músicas interpretadas por Caetano Veloso, Gal Costa e Erasmo Carlos como fonte de inspiração para uma resenha comportamental
Se jogasse futebol na posição de centro-avante gostaria de fazer três gols em um jogo de campeonato, neste domingo (17) e pedir música para o Fantástico. Infelizmente, não nasci jogador de futebol, mas como uma amante da música, farei o contrário. Farei pedido de três músicas para um dos programas da Globo mais longevos da TV Brasileira misturando jornalismo, curiosidade e entretenimento. Quanto as músicas escolhidas: a primeira, É Preciso Dar um Jeito Meu Amigo, com Erasmo Carlos, pra dizer que Ainda Estamos Aqui. A segunda seria Divino Maravilhoso na voz de Gal Costa, pra dizer que é preciso estar atento e forte. Por último, Fora da Ordem com Caetano Veloso pra dizer que alguma coisa está fora da ordem, fora da ordem mundial.
Por que ouvi-las ? Simples assim: elas me fazem refletir sobre a atual conjuntura geracional brasileira em que estou inserida. Ah, não quero me colocar como dono de uma verdade absoluta, ou tampouco me posicionar como uma pessoa de esquerda ou direita. Mas, como um cidadão brasileiro, maranhense, imperfeito, concorde ou não com a minha teoria, estamos diante de um quadro de inversão de valores, mesmo com o avanço e aparato tecnológico a nosso favor.
Conceitos fundamentais como honestidade, respeito e empatia foram substituídos por uma lógica distorcida da boa convivência, priorizando a superficialidade, a banalização, o ressentimento, o ódio, a teoria da conspiração, em detrimento do conteúdo na vida real. Nas redes sociais, esse cenário é amplificado, muitas vezes premiando o erro, a mentira, a polarização doentia, enquanto a ética e o conhecimento científico são vistos como fraqueza.
Estamos diante de uma sociedade cada vez mais imediatista, intolerante, emocionalmente despreparada e desconectada do respeito coletivo. Hoje, muitos confundem liberdade com ausência de responsabilidade. Confundem opinião com verdade absoluta. Confundem exposição com conhecimento. E nessa triste e lamentável caminhada perdemos o uso do bom senso, o espírito de comunidade e consciência social.
Vivemos em uma geração que tem acesso ilimitado à informação, mas cada vez menos interesse em sabedoria. E o problema, às vezes, está dentro do lar doce lar. Vivemos a Era dos Pinóquios, bizarrices, narrativas distorcidas e distópicas, confundindo e misturando alhos com bugalhos. Vivemos a Era em que os sãs e os loucos convivem no mesmo ambiente à procura do divã.
Nesta vida louca vida tem gente que acredita que a Coca-Cola traz mensagens satânicas ocultas, tomar vacina pode virar jacaré, as sandálias havaianas sâo tratadas como símbolo ideológico. Tem gente lavando frango com detergente estragado como protesto político, submissão ideológica como sinônimo de pertencimento. Esse é um dos retratos mais acabados do estágio de degradação intelectual no Brasil.
Sou totalmente solidário à teoria do pastor Zé Barbosa quando ele diz: "quando uma Nação começa aplaudir a própria degradação intelectual, entra num território perigosíssimo, porque quando a estupidez como obra-prima vira projeto político, a barbárie nunca demora.
Como um pessimista sempre esperançoso, nem tudo está ruim no país. Talvez ainda haja tempo de reconstruirmos valores essenciais. Isso exige menos vaidade, arrogância, extremismo, e, mais, consciência crítica e coletiva. Uma sociedade forte não se constrói apenas com tecnologia, dinheiro e discurso vazio. Mas, com EDUCAÇÃO, de preferência do sempre presente PAULO FREIRE !!!
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